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Roda Dos Livros

O Escritor-fantasma - Zoran Živković

Roda Dos Livros, 11.06.16

oescritorfantasmaContinuo a descobrir a obra de Zoran Živković. Já o queria fazer há bastante tempo, mas confesso que foi a vinda do autor a Portugal, e o envolvimento da Roda dos Livros numa sessão de apresentação que me levou à leitura de A Biblioteca, O Livro e O Escritor-fantasma num curto espaço de tempo.Recomendo a quem ainda não leu O Escritor-fantasma que não avance na leitura deste post. Eu sei que não é simpático para quem vem aqui à procura de sugestões de leitura, encontrar um texto cheio de spoilers, e eu acho que nunca o fiz, mas neste caso vai ter de ser, pois não consigo escrever sobre este livro sem começar pelo fim, pela mistura de surpresa e estranheza que me apanhou nas últimas páginas.Despeço-me aqui dos que ainda não leram o livro, a quem apenas adianto que recomendo com algumas reservas, pois não faço a mínima ideia como é que vão reagir ao final. Desde um sorriso amarelo ao arremesso violento do livro, tudo é possível.

SPOILER

São pouco mais de cem páginas que se leem com a avidez de quem quer descobrir o final. Uma mistura de surrealismo e esquizofrenia, com uma grande dose de loucura. O Escritor, de quem nunca sabemos o nome, é cilindrado com dezenas de e-mails de várias origens. Após muita conversa virtual com os seus cinco correspondentes, em ritmo frenético, o Escritor percebe que, todos pretendem, cada um à sua maneira, que ele escreva para eles. Do admirador, que lhe pede claramente que seja escritor-fantasma do seu livro, à vizinha que lhe pede que lhe escreva um romance em homenagem ao cão que está a morrer, todos lhe querem “roubar” o talento e a originalidade.No final (tcham tcham), quando o leitor percebe que não havia mais ninguém além do Escritor, e que todo o livro é uma manobra de diversão deste para superar um bloqueio, a sensação é a de quem vai aos apanhados!A minha primeira reacção foi achar que não tinha percebido. No fundo entendi o que tinha acontecido, mas não quis acreditar que tinha sido tão bem enrolada. Preferi pensar “não pode ser isto”. Mas é. Li o livro com muito entusiasmo, até porque é bastante envolvente e de fácil leitura, mas no fim senti que um grande “tonta” me apareceu escrito na testa.Uma leitura interessante, um exercício de escrita surpreendente e uma delícia para os apaixonados por gatos, que se vão perder de amores por Félix, o gato do escritor.Quem leu até aqui sem ter lido o livro fez mal, mas eu avisei. Mesmo assim esperam-vos momentos deliciosos se se decidirem por esta leitura. Os outros, que já leram o livro, contem-me tudo. Também se sentiram um pouco… tontos?Sinopse“Um escritor, em plena crise de inspiração, senta-se à sua secretária para dar início a mais um dia de trabalho. A sua única companhia é Félix, o seu gato, cujas constantes exigências lhe tornam a vida bastante complicada. Mas, nessa manhã, defronte ao computador, um outro acontecimento contribui para perturbar a sua tranquilidade. Na sua caixa de correio electrónico encontra uma proposta feita por um admirador secreto, que pretende que o escritor lhe ceda a autoria do seu novo romance. Entretanto, outras mensagens começam a chegar-lhe, provenientes de outros quatro correspondentes anónimos. Todas elas com pedidos igualmente intrigantes. À medida que vai aumentando o ritmo dos e-mails trocados, vai-se adensando o mistério à volta da identidade e das verdadeiras intenções de todos eles. Tudo isto sob o olhar indiferente e entediado de Félix. O leitor deste livro é convidado, através das pistas que o autor vai deixando, a montar o puzzle e a descobrir a solução final para a história. Zoran Zivkovic, neste seu novo e divertido - por vezes hilariante - romance, revela as singularidades do mundo da escrita e dos escritores, conseguindo mais uma vez captar a atenção do leitor da primeira à última página.”Cavalo de Ferro, 2012Tradução de Maria João Freire de Andrade

O Livro - Zoran Živković

Roda Dos Livros, 08.06.16

olivroO narrador do livro que se chama O Livro é um livro. Como é que alguém que adora livros pode não querer ler este livro?

E agora que já gastei o número de vezes que é razoável utilizar a palavra livro neste texto (e nos próximos), como é que vos poderei contar a aventura que foi esta leitura? Posso dizer que foi paixão à primeira frase.

“Não é fácil ser um livro.”

E assim começam os desabafos de um livro que sofre nas mãos dos leitores, esses abusadores (psicopatas, vá) que dobram cantos de páginas, escrevinham por todo lado, esquecem e abandonam livros de qualquer maneira, e mais uma série de pormenores deliciosos que desenham sorrisos na cara de quem os lê.

Uma sátira exagerada, mas inteligente. Carregada de ironia, que entretém, diverte e faz pensar, não poupando nada nem ninguém relacionado com o mundo dos livros.

Utilizando os seus conhecimentos do mundo editorial, e revelando uma lucidez admirável Živković, acorda o leitor romântico do seu sonho, criando um leque de personagens detestáveis a quem entrega a responsabilidade da criação de oferta literária. O leitor passa para o outro lado da página e observa um mundo terrível de falta de profissionalismo, em que o exagero funciona como uma lupa, aumentando o desmazelo de uma secretária que, enquanto pinta as unhas, revê manuscritos, cria títulos e faz as capas dos livros. Tudo perante o olhar atónito do autor.

Desde as mais diversas jogadas “debaixo da mesa” para promover livros, usando e abusando sem qualquer pudor da mentira e da invenção delirante, o editor esmaga a fantasia dos sonhadores dos livros, equiparando o objecto de paixão e culto a qualquer mercadoria. Sabemos que é assim, que no meio do novelo irónico há verdade, pior, há realidade. E os livros, a meu ver, mereciam ser melhor tratados. Afinal é verdade, não é fácil ser livro.

Li O Livro com bastante interesse, deixando-me envolver na teia criada pelo autor. Contudo, talvez a parte dedicada à criação do livro, em que há uma transferência de narrador, seja desnecessariamente extensa. Em alguns momentos, quando os livros são comparados às mulheres, pareceu-me ouvir uma vozinha machista. Mas admito que o propósito do autor se possa ter perdido na tradução, dado que livro é feminino em Sérvio. Fica a dúvida.

Deixando de parte a dúvida, que não é suficiente para deixar de apreciar a leitura, fica a (minha) certeza de que teremos sempre livros. Para mim, nenhuma das opções de substituição do objecto-livro são sequer alternativas, mas apenas recurso em caso de necessidade. Preciso de lhes tocar as páginas, de sentir os relevos das capas, de os folhear enquanto lhes inspiro o perfume. O livro não pode deixar de existir.

Sinopse

“Zoran Živkovic demonstra uma vez mais toda a sua imensa cultura livreira e, com muito humor, ironia e sátira, compõe um brilhante exercício de imaginação narrativa, onde é o próprio Livro que se assume como protagonista da sua própria história e se dirige em primeira pessoa ao seu leitor humano. Ambos, afinal, partilham muitos aspectos da sua existência e, porventura, o mesmo destino, ou não seria o Livro, mais do que um mero objecto impresso, um verdadeiro monumento à inteligência, ambição e vaidade humanas.”

Cavalo de Ferro, 2016

Tradução de Rita Carvalho e Guerra

A Biblioteca - Zoran Živković

Roda Dos Livros, 22.05.16

bibliotecaAcredito que qualquer apaixonado por livros ficará encantado com A Biblioteca, de Zoran Živković. Seis Contos incríveis, intrigantes e labirínticos, que levam o leitor num percurso sinuoso, que poderia ter saído de um sonho delirante, contudo verosímil, pelo menos para todos aqueles que sonham com livros, a dormir ou acordados.

Seis Bibliotecas feitas de histórias mágicas, que têm como ponto de partida situações que podiam ser inventadas por qualquer ardente entusiasta de livros. Quem é que nunca pensou na possibilidade de ficar fechado uma noite numa biblioteca? Ou em encher a casa de livros sem sobrar espaço para mais nada? Ou, para os mais saudavelmente loucos, ser preso e condenado a uma pena de leituras?

O autor, partindo de ideias (mais ou menos) simples, desenvolve uma narrativa habilidosa e interessante, em que o impossível não tem qualquer relevância. Como o próprio refere algumas vezes, quando nos habituamos à presença de situações impossíveis, elas deixam de ser assustadoras.

Uma leitura recheada de fantasias deliciosas, que o leitor não coloca em causa. Porque não quer. Porque olha para a sua própria biblioteca e deseja viver as mesmas experiências fantásticas, sempre com um pé (ou os dois) numa nuvem de sonhos. Ou não fosse o caminho do que não existe aquele que todos adoramos fazer quando começamos um novo livro.

Ler A Biblioteca fez-me extremamente feliz. Recomendo sem qualquer reserva.

Sinopse

“Livro surpreendente, desconcertante e divertido, vencedor do prestigiado World Fantasy Award e traduzido com sucesso em muitos países, A Biblioteca reúne seis histórias fantásticas relacionadas com a experiência do livro e da leitura, fazendo-nos pensar em Jorge Luis Borges e na sua biblioteca infinita, mas também no universo de Kafka ou de Umberto Eco.”

Cavalo de Ferro, 2015

Tradução de Arijana Medvedec

O Último Livro - Zoran Zivkovic

Roda Dos Livros, 21.12.13

oultimolivro O último livro que li após alguma controvérsia de opiniões na Roda.

Na  noite  em que mo cederam, dei início à leitura, passando-o à frente de outros que também tenho interesse em ler. Assim, atribuo-lhe o mérito de suscitar entusiasmo e prender-me desde as primeiras páginas numa leitura rápida e compulsiva. Nada de extraordinário a apontar, exceto que a escrita e a estória são de uma simplicidade envolvente e proporcionam bons momentos de descontração e diversão. Fiquei fã e vou procurar repetir esta experiência com outros livros deste autor mágico.

A  livraria Papyrus é idílica para bibliógrafos como eu. As inexplicáveis mortes não, mas interessaram-me como leitora.  E o inspector Dejan Lukic,  licenciado em literatura tem estranhas sensações que caracteriza como "déjá vu", possivelmente afetado pelo chá de figo. 

Um policial com contornos banais que envolve seitas e um mortal livro, lógicamente o Último Livro, mas com um desfecho inesperado. Dois mundos que não se podem cruzar.

(Nada mais vou acrescentar que possa retirar algum tipo de interesse em descobrir o que pensar e sentir sobre este último  livro a quem o quiser ler).

Sinopse:

Algo de terrível está a acontecer na Livraria Papyrus! O senhor Todorovic, um dos mais fiéis clientes, morreu inesperadamente, enquanto, sentado numa das poltronas da livraria, folheava tranquilamente um livro. Causa da morte: desconhecida. Vera Gavrilovic, uma das proprietárias, está preocupada. Até porque este é apenas o início: a esta primeira morte sucede outra, e depois outra, e outra ainda. Todas elas sem motivo aparente. Este estranho caso parece talhado à medida do bibliófilo Inspector Dejan Lukic. Dejan, com a ajuda de Vera, dará início a uma desconcertante investigação, que se adensará cada vez mais, ao ponto de envolver a polícia secreta. Isto até se depararem com o último livro... 

Enquanto o mistério não é desvendado num final surpreendente, página após página, Zivkovic convida o leitor a reflectir sobre temas apaixonantes: qual a relação entre o autor e as suas personagens? Entre sonho e literatura? O que acontece quando se abre um livro? Um romance brilhante, imaginativo, subtil e fascinante que está a conquistar os leitores de todo o mundo.

O Último Livro - Zoran Zivkovic

Roda Dos Livros, 15.12.13

oultimolivroLi “O Último Livro” com entusiasmo moderado. Sempre expectante num desenvolvimento surpreendente ou num final inesperado, confesso que foi uma leitura muito “morna” para as expetativas criadas.

Altamente recomendado e alvo de opiniões muito positivas, foi com alguma tristeza que, chegada ao fim do livro, me senti um pouco indiferente a este policial livresco passado numa livraria e que até tem um polícia bibliófilo a investigar os crimes. Tem todos os ingredientes de que eu gosto, lê-se muito bem e revela uma grande criatividade por parte do autor, mas de alguma forma não chegou até mim como eu gostaria.

Umas horas de bom entretenimento mas não mais do que isso. De qualquer modo, como quero ler “O Escritor Fantasma”, não vou desistir já de Zoran Zivkovic.

Sinopse

“Uma série de mortes misteriosas na Livraria Papyrus conduz o inspector Dejan Lukic, aficionado por literatura, a uma investigação. Aqui ele encontra a atraente proprietária, Vera Gavrilovic, e descobre que a única relação existente entre as vítimas é o facto de momentos antes das suas mortes estarem a ler o mesmo livro – "O Último Livro".

Com a multiplicação do número de mortes aparentemente sem explicação, envolvem-se no caso a Agência de Segurança Nacional – uma seita secreta e apocalíptica, e um exótico salão de chá; ao mesmo tempo a crescente ligação entre Dejan e Vera é ameaçada por pesadelos e uma eminente sensação de perigo. Estará um louco apaixonado por literatura à solta, assassinando leitores de acordo com o método apresentado em "O Nome da Rosa"?

Numa corrida contra o tempo, o inspector Lukic precisa de descobrir o segredo do Último Livro e também porque sente que já leu algures tudo o que lhe está a acontecer. O desenlace extraordinário revela verdades escondidas sobre o choque de diferentes realidades, e o incrível poder da imaginação.”

Cavalo de Ferro, 2011

"O músico cego" de Vladímir Korolenko

Roda Dos Livros, 14.09.13

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Escrito em 1886, “O músico cego” é muito mais do que um encadeado de palavras, frases, parágrafos e capítulos; muito mais do que letras impressas em folhas de papel. É também, e talvez acima de tudo, um romance composto por sons, pela multiplicidade de tons sonoros das mais variadas origens, de tudo o que é parte integrante da existência de todos mas que é sentida de uma forma muito particular e intensa por quem não vivencia o mundo através do sentido da visão. A prosa fluida e poética de Korolenko conduz-nos, de modo magistral, numa tocante incursão ao universo de Piotr, cego de nascença, desde o seu nascimento até à idade adulta. Esta é uma viagem que percorre sobretudo paisagens sonoras a ponto de transmitir ao leitor uma sensação forte de imersão num mundo de impressões auditivas. Assim, é-nos transmitida pelo autor, uma forma de percepção da vida e do quotidiano completamente diferente daquela a que estamos acostumados. Korolenko consegue, de modo admirável, levar o leitor a sentir-se momentaneamente cego e imerso num mundo, não de luz e cor, mas sim de som. Por outro lado, este romance apresenta outros aspectos notáveis como a preocupação em educar Piotr de modo a maximizar a sua autonomia e a integrá-lo plenamente nos múltiplos aspectos do dia-a dia a fim de o tornar, não um pária, mas sim um membro activo da sociedade. Igualmente marcantes são as descrições auditivas da natureza bem como dos estados de espírito do protagonista o qual questiona, insistentemente, o propósito da sua vida ao mesmo tempo que sonha com um milagre que lhe permita, ainda que fugazmente, contemplar a luz do calor do sol e também aqueles que ama. Enfim, uma leitura que muito me agradou e que não hesito em recomendar.

“A natureza estendia-se em redor, como um grande templo preparado para a festa. Para o cego, no entanto, era apenas um inexplicável escuridão que, de modo insólito, se mexia, ondulava, rumorejava e tilintava, estendendo-se para ele, tocando a sua alma de todos os lados com impressões ainda não experimentadas, estranhas, e que, ao afluírem, faziam com que o seu coração infantil palpitasse dolorosamente.

Desde os primeiros passos, quando os raios de sol tépido lhe caíam na cara, lhe aqueciam a pele tenra, virava instintivamente para o sol os seus olhos cegos, como se sentisse que o astro era o centro para onde tudo à volta era atraído. Para ele não existiam este espaço transparente nem o firmamento azul, nem o horizonte alargado. Sentia apenas que uma coisa material, carinhosa e tépida lhe aflorava a cara com um toque meigo, aquecedor. Depois, alguém fresco e leve, embora menos leve que o calor dos raios, tirava da sua tez este deleite e percorria-a com uma sensação de frescura.”

“Como antes, vivia no centro de um enorme mundo escuro. Por cima e em volta dele, por todo o lado, estendia-se a escuridão infinita; a sua compleição sensível e fina esticava-se, como uma corda, ao encontro de qualquer impressão, prestes a vibrar e a soar em resposta.”

“Magoo-te? – repetiu  jovem e de novo lhe subiu à cara a expressão de egoísmo teimoso. – Pois, magoo-te. E vou magoar-te assim durante toda a vida e não posso evitá-lo. Não o sabia, mas já sei. Não tenho culpa. Aquela mesma mão que me privou da vista ainda antes de nascer, meteu em mim esta raiva...Nós, cegos de nascença, somos todos assim. Deixa-me...que toda a gente me deixe, porque só posso dar sofrimento em vez de amor...Quero ver...percebes?”

“Mas três palavras – “A criança vê!” – inverteram o seu estado de ânimo. O medo desapareceu de vez, a esperança transformou-se, num instante, em segurança, iluminando a sensível compleição do cego. (...) Foi uma faísca que se acendeu dentro dele, iluminando os últimos escaninhos secretos do seu organismo...Tudo nele estremeceu, e ele próprio tremeu, como treme uma corda esticada sob um súbito golpe.

E, a seguir a este relâmpago, estranhos fantasmas se acenderam de repente diante dos seus olhos já apagados antes de ter nascido. Não percebia se eram raios ou se eram sons. Eram sons que ganhavam vida, tomavam formas e se moviam como raios.(...) Tudo isso se passou apenas no primeiro instante, e só as sensações mistas deste instante se fixaram na sua memória. Esqueceu, mais tarde, tudo o resto. Apenas afirmava persistentemente que, nesses instantes, ele via.”

O Último Livro - Zoran Živković (Cavalo de Ferro)

Roda Dos Livros, 19.03.13
cf-livro

Uma livraria é escolhida. Há um livro, O Último Livro, multifacetado, que vai sendo escrito ao longo de uma semana. Não há problema pegar nele desde que não o abra, pois será surpreendido com a morte sem deixar rasto. Que misterioso livro é este que provoca tanta celeuma e morte e mais celeuma ainda? E se...

E se um dos personagens é o prolongamento do autor do livro? E se o livro foi escrito por um dos personagens? E se o autor e um dos personagens é uma e a mesma pessoa? E se a realidade e a ficção se cruzam? Será nesse cruzamento de realidades paralelas o local onde quem quer que abra O Último Livro morre? Sendo O Último Livro de leitura obrigatória, teremos também de nos tornar personagens da obra para estarmos a salvo.

Excertos:

Zoran-Zivkovic

"Nada naquela morte fazia crer que tivesse sido causada por um acto violento, portanto não havia indícios que justificassem a abertura de uma investigação. Mas a proprietária da Livraria Papyrus entrou em pânico. Era a primeira vez que alguém perdia a vida na sua loja. Telefonou em primeiro lugar para a polícia e logo a seguir chamou uma ambulância." (p. 7)

"- À primeira vista poderíamos pensar que tiramos o máximo partido de um paciente, que é exactamente o oposto de um ladrão. Mas ele provoca-nos as maiores dores de cabeça. - O oposto de um ladrão? - É verdade. Ele não rouba livros; trá-los para a loja. Mesmo quando estamos de olho nele, consegue sempre colocar sorrateiramente um dos seus próprios livros na prateleira." (p. 21)