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Roda Dos Livros

“Uma dor tão desigual” – Vários autores

Roda Dos Livros, 30.10.16

   contos 

“Só sobrevivemos numa corda muito fina estendida sobre um abismo. Todo o ser vivo é um equilibrista.”

Afonso Cruz in “O pintor debaixo do lava-loiças”

 

Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença.

Definição de saúde de acordo com a OMS

 Há livros de apreciável valor literário, capazes de proporcionar momentos de leitura de grande prazer, cuja relevância transcende os limites da literatura. Este “Uma dor tão desigual” é um deles. Reúne contos desiguais, únicos na forma e no conteúdo, todos interessantes, tendo em comum a temática da saúde mental.Realidades dentro do real convencional, daquele percepcionado como tal pela grande maioria das pessoas; daquele considerado, sem sombra de dúvida, como verdadeiro e objectivo. As dores destas histórias evocam universos múltiplos que podem existir dentro daquele aspecto esquivo, ainda incompletamente explicado ou não conhecido na sua totalidade, ao qual chamamos consciência. Tal como a Márcia (
podem ler o texto dela aqui ), gostei deste conjunto de contos e hesito em destacar uns em detrimento de outros. Todos nos colocam perante pessoas fictícias habilmente construídas e confinadas às suas solidões únicas, aos seus traumas (não o estaremos todos?) e às fracturas das profundezas das suas mentes, perdidas nos seus labirintos mentais e , umas mais do que outras, incapazes de reconhecer e habitar a realidade como aqueles ditos “normais”. Um dos contos evoca as figuras mitológicas de Ariadne e Cassandra as quais não poderiam ser mais apropriadas neste contexto. Cada protagonista destas histórias precisa desesperadamente do seu fio de Ariadne, pessoal e intransmissível, para  ajudar a encontrar o equilíbrio no centro de si próprios. Por outro lado, quantos pedidos de ajuda, mais ou menos discretos, mais ou menos histriónicos, tal como as profecias de Cassandra, são desconsiderados, não são escutados, sendo remetidos para a prateleira das “fraquezas de espírito” de alguém aparentemente “bem na vida”?As vidas que povoam estes contos poderiam muito bem ser as dos nossos amigos e conhecidos, as dos nossos vizinhos, as nossas. O estigma e o preconceito são fronteiras quase inultrapassáveis mas aquela que separa o território do equilíbrio mental, ainda que relativo, do da doença poderá não ser mais do que um véu fino e frágil, facilmente rasgável. Um dia poderá ser o meu ou o teu a rasgar-se. Também por isso, este é um livro que merece ser lido.Sinopse: Este livro resulta de um desafio feito a oito autores portugueses para que explorassem as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica e o que dela nos afasta. Em estilos muito diferentes, um leque extraordinário de escritores brinda-nos com textos que mostram como qualquer um de nós pode viver momentos difíceis e precisar de ajuda. Estas são histórias de perda, solidão, fraqueza e delírio, mas também de esperança e humanidade. São relatos de gente que podíamos conhecer e talvez conheçamos, histórias íntimas e ricas de homens e mulheres como nós. A área da saúde psicológica está ainda sujeita a muitos preconceitos, que dificultam a procura de ajuda profissional e estigmatizam quem sofre. Pretende-se com este livro combater esses preconceitos, despertar consciências e ajudar a encontrar uma saída 

A Gramática do Medo, de Maria Manuel Viana e Patrícia Reis

Roda Dos Livros, 09.08.16

gramática

"esta semana trocamos, fazes de mim e eu de ti"

Sara Santiago e Mariana Sampedro. Mariana e Sara. Duas mulheres que são o avesso uma da outra, a metade uma da outra. Iguais e diferentes. Tão diferentes quanto duas pessoas podem ser sendo iguais.

Um livro a que preciso voltar. Páginas que preciso reler. É demasiado fácil dizer que é um livro sobre o medo, isso é óbvio pelo título. É demasiado redutor dizer que é um livro sobre a amizade ou sobre o amor, apesar de ser isso tudo. É óbvio que é um livro que enaltece as palavras, a literatura, que joga com a realidade e ficção (e como se diz às páginas tantas "cabe ao leitor e espectador a terrível tarefa de discernir ficção e história").

Acho que é o tipo de livro que terá um significado diferente para cada leitor. Para mim é um livro sobre o auto-conhecimento. A procura e luta para nos (re)conhecermos. O quão nos castigamos por vezes e como nos iludimos. Sobre as várias partes de nós. A necessidade de morrer e voltar a nascer. A vida como circunferência e não como linha recta.

 Arrisquem. Leiam este livro. Falem sobre ele. Discutam as vossas interpretações do que aqui se conta. Há tanto para falar. Quando (antes da página 50) comecei a desenvolver uma teoria sobre o final, achei que me ia desiludir se "acertasse" mas a verdade é que, apesar de achar que acertei em cheio, não me desiludi nem um bocadinho, adorei todo este puzzle. E se já tinha decidido que queria ler tudo o que a Maria Manuel Viana escreveu, agora tenho que ler também tudo o que a Patrícia Reis escreveu. A  expectativa de ter tantos livros bons para ler é maravilhosa.Em Português e no Feminino escreve-se muito bem*."...agora sou eu quem te pede para de encontrares, se me encontrares, como eu preciso, posso salvar-nos e seremos um, entendes?* não por aqui, claro. Fico sempre com a sensação de que quanto mais gosto de um livro menos consigo transmitir isso. Por isso deixem-me resumir: Este livro é brutal (em vários sentidos). Leiam.

Gramática do Medo - Maria Manuel Viana e Patrícia Reis

Roda Dos Livros, 01.05.16

Gramática do MedoMais um para o grupo dos livros que me deixa no vazio das palavras. Contudo os sentimentos que vivi ao lê-lo são reais, e é através deles que espero chegar às palavras.

Senti muito amor e muito medo. O amor de Sara e Mariana enche todas as páginas, um amor sincero e familiar, da família que a vida oferece, normalmente de forma casual, como aconteceu com elas. Um amor que escolhe e acolhe, e que as fez escolher uma à outra.

E depois o medo. O medo começa na capa, como um aviso de sombras, um alerta aos sentimentos mais belos, pois nem esses dão imunidade ao sofrimento. Mesmo sem saber do que havia de ter medo, já tinha, porque ele está sempre lá, até nas descrições dos sorrisos e confidências das amigas, esperamos que chegue, o medo, se calhar já na próxima página.

Por vezes deixava o marcador do livro, esquecido, ao meu lado. Imagem da capa focada na intensidade dos olhares de duas mulheres. São parecidas. Talvez como Sara e Mariana, que se misturam, e confundem, passando uma pela outra devido, possivelmente, a uma parecença feita do conhecimento mútuo e profundo. A força da imagem fazia-me virar o marcador ao contrário. É uma capa extraordinariamente bem conseguida, a arte tem de incomodar.

Mariana desaparece. Depressa chega a prometida página do medo.

A história tem de ser lida, por isso não me alongo por aqui com ela. Comigo ficou a força de um livro escrito de forma hábil por duas mulheres que admiro e de quem acompanho o trabalho. Maria Manuel Viana e Patrícia Reis não desiludem, escrevem com a força das mulheres que sabem o que querem, sobre mulheres que assumem o medo, sabendo que não havendo medo (mesmo que só um pouco) não haveria coragem.

“Só que o elemento primordial, o que aqui está em causa, não é tanto o ser e a sua essência, o ente e a existência, a radicalidade da questão ontológica, o jogo de linguagem, mas a palavra fundamental, medo, o medo que tudo cobre, porque ela sabe que no princípio está o medo e no fim, quem poderá sabê-lo?” Pág. 113.

Sinopse

“Amigas inseparáveis, Mariana e Sara partilham tudo desde que se conhecem (um curso de teatro e cinema, uma carreira difícil, amigos, ex-namorados, dinheiro e um quotidiano nem sempre fácil), até ao dia em que uma delas desaparece, misteriosamente, durante um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Poucas são as pistas que deixa atrás de si mas, numa demanda que a irá levar a correr mais de metade da Europa, Sara tenta encontrá-la. O que vai descobrindo leva-a a perceber que, afinal, há muita coisa na vida da amiga que desconhece. Porque desapareceu Mariana, que fantasmas a perseguiam, do que quis fugir? Numa viagem simultaneamente interior e geográfica, esta é também a história do desaparecimento do sujeito na civilização actual, da dissociação da vida comum, da fragmentação da memória e da ténue fronteira entre ficção e realidade.”

D. Quixote, 2016

Conheçam aqui o trabalho de Dino Valls, autor da imagem da capa.

O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky - Patrícia Reis

Roda Dos Livros, 25.04.15

O que nos Separa dos Outros por Causa de um Copo de WhiskyCom a sinopse depreende-se o tipo de leitura que iremos ter. Com alguma amargura. Mas por vezes, é preciso encararmos o lado menos bonito e bem sucedido da vida e fazer um balanço. Por opção, temperamento ou sorte, ou talvez um mix de tudo, tanto acontece alheio `a nossa vontade e contrario `as nossas expectativas. Quantas vezes não projetamos filmes sobre a vida alheia ou a nossa, em dialogo imaginário com alguém, mas que se trata apenas de um monólogo  para colocar em melhor perspectiva as nossas ideias ou vivências.

"As historias de cada um são testemunhos irregulares, com arestas e falhas, buracos e acrescentos." (pag. 51)

Por impulso, insanidade momentânea, um homem de meia idade, aceita deslocar-se durante um mês para Macau, para ensinar algo que não se ensina: a escrever. A ser criativo. Pareceu-lhe um lugar para perder a razão, recordar memorias sem interesse e ter fantasias estúpidas. Uma alma solitária no mundo. Como tantos. Nada escapa impunemente ao seu desencanto e desalento ébrio.

Um livro sério e lúcido.  Uma leitura breve e introspetiva. Bem escrito e bem estruturado, como seria de se esperar.

Sinopse:

Trata-se de um monólogo de um homem que está num bar em Macau. As memórias vão derretendo como o gelo no fundo do copo. A sua interlocutora imaginária é a mulher estranha que está do outro lado do balcão. Alguém que é apenas, como o personagem principal, um acumular de histórias ou de banalidades. Como tudo na vida.

Esta novela, vencedora do Prémio Nacional de Literatura 2013-2014 da Fundação Lions Portugal, é uma nova forma de trabalhar o discurso interno, as memórias, sempre com a indicação de uma certa polifonia, já habitual nos livros da autora.

Contracorpo de Patrícia Reis

Roda Dos Livros, 24.06.13

ContracorpoGosto de escrita da autora! intimista, clara e simples mas profunda. Consegue que os personagens principais, neste caso uma mãe e um filho adolescente, tenham um discurso próprio e se pareçam com alguém que conhecemos e amamos.

Gostei de ler este livro. Senti-me em casa. Desejei tê-lo escrito e algures, desejei pensar como Maria, a protagonista, quase sempre a narradora. O esforço que faz em querer (re)conhecer o filho leva-a a partir para uma viagem sem destino. A paisagem passa, como passam os dias, repentinamente e em silêncio. Tal como a capa deste livro. Perfeita!

Comunicando vão, aos poucos, mãe e filho. Devagar. Por tentativas. E gostam do silêncio e das palavras que proferem. O amanhã será diferente. Uma família que perdeu o pai mas que reencontrou, nas palavras, o amor.

Pedro, expõe-nos as suas dúvidas e as suas certezas quase nenhumas. Maria sai de si e entra no mundo do filho.

Um livro que se lê rapidamente mas que é para se refletir lentamente. Recomendo porque gostei!

"Contracorpo" de Patrícia Reis

Roda Dos Livros, 28.04.13

Uma mãe. Um filho adolescente. Uma enorme perda. Uma guerrilha entre um corpo revestido por uma armadura de resiliência e um "contracorpo" que se esconde atrás de uma inexpugnável muralha de silêncio.

Uma mulher em busca de equilíbrio e de uma nova definição de si mesma e um rapaz a transformar-se num homem, um "quase-homem" na corda bamba da adolescência, um malabarista de raivas, medos e sonhos.

Uma viagem aparentemente sem destino que os conduz ao encontro de si mesmos e um do outro.

Neste romance tudo flui de forma escorreita, ritmada, sensível e impressionantemente verosímil. Muito bem escrito, não é uma história sobre gente invulgar e extraordinária mas sim acerca de pessoas comuns, com qualidades e defeitos iguais aos de toda a gente, cujas vidas foram moldadas indelevelmente por uma perda inesperada.  A autora disseca com uma notável e sensível precisão a montanha-russa emocional vivida por Maria e pelos seus filhos, proporcionando ao leitor uma visão nítida e muito lúcida do seu percurso após a morte de Francisco. Gostei da profundidade que a autora deu às personagens, do tom intimista da sua escrita que as transporta para o mundo real ; Maria, Pedro, Simão e os outros pareciam estar mesmo ali ao nosso lado. A sua família poderia muito bem ser a nossa ou a de algum vizinho.

Em suma: bem escrito, simultâneamente sensível e realista, "Contracorpo" é uma leitura interessante e acutilante sobre o grande tema humano da perda, mediada tanto pela morte quanto pela passagem da infância à adolescência e , consequentemente ao mundo dos adultos.

" Optou por ficar calada. Ficar calada é muitas vezes uma forma de estar. Maria aprendeu a valorizar esse não compromisso com as palavras. A excepção é feita com o filho mais novo que adora histórias de piratas e coisas misteriosas. Robôs e homens do espaço, lagartos com capacidades especiais, poderes e magia. Tudo cabe na gaveta da imaginação e Maria diverte-se com as brincadeiras. Pode deixar de pensar. O cérebro fica dentro da caixa de legos gigantes, sim, porque esses já não precisos, são para meninos mais pequenos."

" Sim, tenho saudades do pai. Não é suposto dizer. Ou melhor, tenho consciência de que não serve de muito, não produz nada em concreto e não resolve nada."

" A psicóloga da escola também me chamara quando começaram os problemas maiores. A senhora queria saber se eu achava que tudo se prendia com o facto de ter perdido o pai. Foi exactamente assim que a psicóloga perguntou. Lembro-me de ter pensado que o pai nem desapareceu, não entrou num avião que foi desviado ou num navio preso por piratas da Somália, no Triângulo das Bermudas ou no topo de uma montanha. O meu pai morreu, estúpida. Não se perdeu. Mantive-me em silêncio. Uma especialidade aqui da casa. A psicóloga tentou outras abordagens e, ao fim de cinquenta minutos, foi com enorme alívio que me disse que podia sair."

"Seria bom se o mundo não parecesse tão difícil. Por mais que faça, há sempre qualquer coisa que não se ajusta, como uma peça com defeito, faz-se um esforço para a encaixar e não é possível. Eu sou essa peça. Outras vezes sou a pessoa a colocar a peça. Depende."

contracorpo - Patrícia Reis

Roda Dos Livros, 26.03.13

ContracorpoMorte. Solidão. Silêncio.

Contracorpo é um livro marcante. Aparentemente sobre a morte mas no fundo sobre a recuperação, sobre quem sobrevive à morte.

Este livro tem uma escrita inesperadamente suave tendo em conta o tema, é algo difícil de explicar mas que me transmitiu calma e alguma serenidade. Li com prazer e apreciei (mais uma vez) a forma como a Patrícia Reis enche as palavras de emoções, cria frases que fazem meditar, com que muitas vezes me identifiquei e levei comigo depois de fechar o livro.

Não vivi a experiência de perder o pai ou o marido mas é-me muito próxima uma história de um pai que parte deixando mulher e dois filhos, um deles ainda criança e outro pré-adolescente. Tentamos entender e apoiar aqueles que amamos e eu pensei que talvez pudesse compreender e aceitar que acontecem coisas más a pessoas boas, que basta um instante para tudo mudar radicalmente. Continuo sem entender a morte. A dor da morte. A estupidez de interromper uma vida, deixando marcas profundas que os anos não aliviam.

Perder o pai na juventude/infância condiciona todo o futuro. Significa uma perda irrecuperável e incompreensível, que gera revolta e faz um filho perder o chão, desinteressar-se, desintegrar-se, nunca mais aceitar…a morte.

É aqui que Maria marca a diferença da história que eu conheço. A mãe salva ao filho e, ao mesmo tempo, procura a sua salvação. Quer encontrar de novo o eixo da sua vida, não sabe como mas parte até descobrir.

Partem os dois, mãe e filho, Maria e Pedro, numa viagem que é uma fuga e uma busca, um deixar cair e um correr atrás. Não sei onde encontra Maria vontade de viver ou se simplesmente inventa essa vontade para se convencer que a tem. Mas sabe que já perdeu o marido e não quer perder o filho, não quer que o silêncio lhe ganhe terreno e lhe leve Pedro para longe, mesmo estando ao seu lado.

Sabemos o que importa na vida. Sabemos defender valores supremos. Mas conseguiremos realmente discernir o que importa nas alturas mais duras? Saberemos escolher? Deixar para trás materialismos, dinheiro, emprego, correndo o risco de regressar e não ter nada mas apostar tudo em não perder um filho?

Maria arriscou.

“Maria hesita em continuar a falar. Cala-se. De repente sente medo. O filho despe a camisola, as calças, vai à casa de banho. Ouve-o, os tais gestos que adivinha, todos os detalhes, mesmo os mais pequenos, como se os estivesse a ver. Era tão pequeno. E agora? Quase um homem. Quando Pedro regressa ao quarto, deita-se a medo. A cama é curta. E estreita. Maria sorri e fecha o livro.

Dorme bem.

Boa noite mãe.

Na escuridão do quarto, Pedro continua de olhos abertos. Há uma luz que vem da janela, por vezes passa um carro e o barulho vem de longe, aproxima-se afasta-se. De repente pergunta

Tens medo de quê mãe?

Ah, do escuro, de aranhas, que vos aconteça alguma coisa. Não sei. E tu, Pedro?

Às vezes acho que não tenho medo de nada, tento não pensar nisso. Outras vezes tenho medo dos dias a seguir. Do futuro.

Sabes, uma das coisas que aprendi é que não vale a pena pensar no futuro. A vida troca-nos as voltas.

Pois. Boa noite mãe.

Boa noite.” (pág. 106)

Recomendo sem qualquer reserva.

Sinopse

“Uma mulher fica viúva com dois filhos. Alguns anos depois da morte do marido, a vida não se refez e o filho mais velho, agora adolescente, cresce contra a mãe, num silêncio obstinado que só quebra nas histórias que se conta para adormecer e nos desenhos que faz de forma compulsiva. Com o anúncio do chumbo escolar, a mãe decide, sem grandes reflexões, fazer uma viagem com este filho, deixando o pequeno com os avós. Não se trata de uma viagem com destino, mas antes uma procura. Contracorpo é um livro contra o silêncio e sobre o silêncio. É uma história de procura de identidades distintas - da mulher e do quase- homem -  e ainda de descobertas. Uma mãe nunca é o que se espera. Um filho é sempre uma surpresa. O encontro dá-se enquanto procuram caminhos, de Lisboa a Roma, num jogo de claro escuro. Como se tudo fosse uma imagem.”

D. Quixote, 2013