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Roda Dos Livros

Apontamentos de leitura – II – Emily St. John Mandel

Ana CB, 20.08.25

 

O primeiro livro que li de Emily St. John Mandel, há cerca de um ano, foi “Estação Onze”. Gostei da escrita e da história, e ficou imediatamente na minha lista de autoras a seguir de perto. Os seus dois livros mais recentes encheram-me ainda mais as medidas, confirmando a minha impressão inicial. Está definitivamente incluída no grupo das minhas escritoras favoritas.

 

ESTAÇÃO ONZE

Estação Onze - 1

 

As relações humanas antes e depois de uma pandemia apocalíptica. A arte como necessária à sobrevivência. Um tema ousado e bem desenvolvido. Escrita fluida e motivadora. O enredo anda para trás e para a frente, estabelecendo aos poucos uma teia de relações entre as personagens principais. Nada está ali por acaso, e não há facilitismos no enredo. Muito bom.

 

O HOTEL DE VIDRO

O Hotel de Vidro - 1

 

Uma história circular sobre várias pessoas envolvidas e/ou afectadas por um esquema Ponzi (inspirado no caso de Bernard Madoff). Um leque de personalidades que se cruzam, cada uma com as suas motivações e angústias. Os acasos que levam a mudanças radicais de vida, ou por vezes a tragédia. As fragilidades humanas. Uma escrita limpa mas cheia de subtilezas, que projecta imagens na nossa mente, sem ser vulgar nem cansativa. Muito bom.

 

MAR DA TRANQUILIDADE

Mar da Tranquilidade - 1

 

Excelente. Uma história tecida de viagens no tempo e interrogações: somos reais ou apenas uma simulação, num mundo virtual gerido por um software? E isso terá de facto alguma importância para nós? Se viajássemos no tempo, seríamos capazes de resistir a não o alterar? O enredo é-nos dado aos pedaços, que são sendo unidos pouco a pouco por uma linha condutora, e o fim consegue surpreender. Tem em comum com “Estação Onze” a ideia de errância, de história que é um patchwork, de inevitabilidade – a interligação entre as personagens explora a perspectiva de que nada acontece por acaso. Curiosamente, numa espécie de spin-off de “O Hotel de Vidro”, envolve algumas personagens secundárias deste livro. Contudo, o pano de fundo da história é completamente diferente, pese embora tudo gire sempre à volta dos sentimentos que nos tornam realmente humanos. Entre estes três livros da autora, é o meu preferido.