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Roda Dos Livros

É assim Que A Perdes – Junot Díaz

Roda Dos Livros, 03.10.17

9789896412999Não fosse dar-se o caso de a Márcia ter falado sobre este livro e ter-me-ia, muito provavelmente, passado despercebido.

“É assim Que A Perdes” é um livro único, daqueles que ficará na estante, na memória.

Junot Díaz consegue a magia de transmitir, em 9 contos que se interligam, encontros e desencontros, amores e desamores, encantos e desencantos, perdas “que se querem perder”, perdas de “quem se quer perder” e de “quem não se deixa perder” e de quem (se) perdeu para sempre.

Neste livro acompanhamos os amores e os humores de Yunior... pelas quentes origens dominicanas, no sentido estrito e no sentido figurado... pela gélida América, também em ambos os sentidos... pelo pai, pela mãe, pelo irmão, pelos amigos e, sobretudo, pelas mulheres, as suas e as que habitam o seu mundo, os amores platónicos e os amores vividos e aqueles que sendo uns “deveriam” ter sido outros.

Os sentimentos de euforia e solidão, as emoções, os envolvimentos, e a perda, a perda sempre omnipresente, o peso da perda que só se descobre depois de ter acontecido. Mulheres que se sucedem para fazer esquecer a anterior, ou a primeira, ou a única... Os quês e os porquês, as diferentes razões das perdas de Yunior. As relações de amor/ódio, inveja e o mais puro dos amores.

Um livro extraordinário em que a crueza da linguagem não soa estranha nem desenquadrada. Não será, certamente, um livro de consensos, e poderá ser, até, para algumas pessoas, um livro de choque pelas palavras duras e pelo calão utilizado. Um livro de que gostei muito.

Um livro cuja sinopse descreve na perfeição, talvez a melhor sinopse que já li.

 

Excertos

“ Claro que tu a conhecias; era tua vizinha, dava aulas no liceu de Sayreville. Mas só nos últimos tempos é que tinhas reparado realmente nela. Na vizinhança havia muitas mulheres de meia-idade como a Menina Lora, solitárias e destruídas por todo o tipo de catástrofes, mas ela era uma das poucas que não tinham filhos, que vivia sozinha e que ainda tinha um ar jovem. Alguma coisa devia ter acontecido, especulava a tua mãe. Na cabeça dela, uma mulher sem filhos só se podia justificar por alguma calamidade descomunal.Se calhar não gosta de crianças.Ninguém gosta de crianças, garantiu a mãe. Isso não impede que as pessoas tenham filhos.(...)” (p. 114)

“(...) E depois, numa noite de junho, rabiscas o nome da ex e: A meia-vida do amor é para sempre.Acrescentas duas ou três coisas. (...)É um começo, dizes em voz alta.E é isto. Nos meses seguintes, atiras-te ao trabalho, porque isso infunde uma espécie esperança, uma espécie de graça – e porque no fundo do teu coração de mentiroso infiel sabes que às vezes um começo é tudo o que alguma vez teremos.” (p. 153)

 

Sinopse

O novo livro de Junot Díaz, É assim Que A Perdes, é um conjunto de narrativas ligadas entre si sobre o amor — amor apaixonado, amor ilícito, amor em extinção, amor maternal — e contadas através da vida dos habitantes de New Jersey oriundos da República Dominicana e da sua luta para encontrar um ponto de encontro entre os seus dois mundos.

O livro desvenda a inevitável fragilidade do coração humano. São histórias que nos recordam que a paixão pode triunfar sobre a experiência e que o amor, quando nos atinge, tem sempre algo de eterno.

 

Relógio D’Água, 2013

É assim Que A Perdes - Junot Díaz

Roda Dos Livros, 05.02.17

eassimqueaperdesEu passo, como leitora, muito tempo à espera daquele livro. O tal. O que faz esquecer tudo e preenche os meus pensamentos enquanto houver páginas para ler. Penso que é um desejo comum a todos os leitores, encontrar em todos os livros que lemos essa sensação de entrega e interesse avassaladores. Sabemos que são raros os livros que nos proporcionam tais sensações, e quantos mais livros lemos mais difícil é que um livro nos encha as medidas.

Muitas vezes penso, quando alguém me fala de um livro com grande entusiasmo, que será essa a tal leitura. Persigo, ambiciosa, nas frases do livro sugerido, as mesmas sensações. Quantas desilusões! As altas expectativas, os gostos distintos, tantas coisas que podem fazer um livro perfeito para uns e um leve encolher de ombros para outros.

É assim Que a Perdes é uma dessas extraordinárias surpresas. Uma narrativa que vai de encontro a tudo o que mais me agrada, que me envolveu totalmente pelas horas que as páginas duraram. E que bom que foi. Que frases extraordinárias, que modo de escrever sem medo, parecendo quase fácil deitar para o lado de cá tantos sentimentos. Eu gosto da crueza da escrita de Junot Díaz, das palavras duras, do calão que soa a natural na dor de quem está cheio de frio e solidões.

São nove contos. Todos sobre Yunior ou com ele relacionados. Quase todos sobre o amor, mesmo parecendo ele tão distante dessas coisas, quase imune aos sentimentos, mas fraco à frieza das relações ocasionais. Tem de se ser duro quando se deixa um país quente para o constante inverno, quando se é sempre um estranho, quando não se fala a língua, quando se é só. As mulheres, a mãe sempre triste, o pai ausente, o irmão doente. Crescer com a pressão da adaptação. Querer sempre dizer que não.

Para mim, extraordinário, mas tenho a certeza que não agradará a todos os leitores. Pouco consensual, possivelmente… o que me faz gostar ainda mais deste livro.

“É um começo, dizes em voz alta.

E é isto. Nos meses seguintes, atiras-te ao trabalho, porque isso te infunde uma espécie de esperança, uma espécie de graça – e porque no fundo do teu coração de mentiroso infiel sabes que às vezes um começo é tudo o que alguma vez teremos.” (Pág. 153).

 

Sinopse

“O novo livro de Junot Díaz, É assim Que A Perdes, é um conjunto de narrativas ligadas entre si sobre o amor — amor apaixonado, amor ilícito, amor em extinção, amor maternal — e contadas através da vida dos habitantes de New Jersey oriundos da República Dominicana e da sua luta para encontrar um ponto de encontro entre os seus dois mundos. O livro desvenda a inevitável fragilidade do coração humano. São histórias que nos recordam que a paixão pode triunfar sobre a experiência e que o amor, quando nos atinge, tem sempre algo de eterno.”

«[…]nunca relatos sobre as ruínas da paixão amorosa foram tão honestos, tão brutais, tão no osso, tão na pele.» José Mário Silva, Expresso

 

Relógio D’Água, 2013