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Roda Dos Livros

Legion, the many lives of Stephen Leeds, de Brandon Sanderson

Roda Dos Livros, 24.11.18

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Este livro (que ouvi em audiobook) começa mais ou menos desta maneira (tradução livre)

"O meu nome é Stephen Leeds e sou perfeitamente são. Já as minhas alucinações são completamente loucas"

Este é o primeiro livro do Sanderson fora do universo de Cosmere que leio. E digo-vos já que gostei. Gostei, apesar de não ser do universo Cosmere, apesar de não ser do género fantástico (isto é mais Ficção Cientifica que outra coisa qualquer) e apesar de serem contos/novelas.  Não é nem será nunca um dos meus preferidos mas é bastante interessante. Este audiobook contém as 3 novelas desta série: LegionLegion: Skin Deep e Lies of the Beholder.

Stephan Leeds é um génio com capacidade para aprender tudo, de uma forma rápida e eficaz... com a particularidade de o fazer através de uma das suas alucinações (para os devidos efeitos, daqui para a frente passarei a usar a palavra "aspecto" quando me referir a cada uma dessas alucinações). Assim, e para vos dar um exemplo, quando precisa de ir a Jerusalém, ele "imagina" Kayani (não faço ideia como isto se escreve), multilingue, que vai funcionar como tradutora.

A primeira novela Legion, apresenta-nos Stephen, alguns dos seus aspectos (Tobias, Ivy e JC, por exemplo), a Wilson (o mordomo, muito ao estilo Batman) e ao seu modo de vida... é que, apesar dos aspectos serem uma espécie de alucinações, precisam de espaço físico pelo que Stephen precisa de muito dinheiro para ter, por exemplo, uma casa enorme (e vazia), comprar bilhetes de avião para que haja lugares vazios para os aspectos que o acompanham ou taxis para levar o JC a qualquer lado (é que como o JC tem problemas com o facto de não ser real, em vez de apanhar um uber imaginado, acaba por entrar num uber de qualquer pessoa real e ir parar onde não deve!

Pronto já afugentei 99% das pessoas que começaram a ler este post e para ti, que ainda cá estás, deixa-me que te diga: isto só é estranho no início, o BS tem a maravilhosa capacidade de nos fazer acreditar nisto tudo por um momento.

Os personagens (e aqui incluo todos os seus aspectos) são maravilhosos. É impossível não gostar do Stephen (e ter alguma pena dele - aquele cérebro é uma loucura), não querer um amigos como o Tobias (que, só por acaso é esquizofrénico), não revirar os olhos à Ivy e não rir com o JC. O resto da história não é tão interessante assim mas ouve-se bem. Ah, pelo resto da história refiro-me aos "casos" que Legion (por esta altura já perceberam o título, certo?) aceita resolver. Na primeira novela há uma câmara fotográfica que desaparece... uma câmara que tira fotos do passado.

Na segunda História, estamos perante o desaparecimento de um corpo e na terceira percebemos finalmente para onde o autor nos queria levar deste o início.

Isto é ficção cientifica e Brandon Sanderson, por isso não é novidade que há nestas páginas muitas questões para reflectir. Os limites da ciência, ética, possibilidades, religião.

É inegável que um dos temas centrais é a realidade virtual, as suas potencialidades, os seus problemas, os seus limites.

Para quem gosta de ficção cientifica fica aqui uma boa sugestão de um livro (não acho que ler os 3 contos em separado seja uma boa ideia) que pode permitir uma boa discussão para lá da história.

O poço da ascensão (Nascidos nas Brumas #2), de Brandon Sanderson

Roda Dos Livros, 22.08.15

o poço da ascensão

Kel, Vin e companhia venceram a batalha mas o custo pago pela derrota do senhor supremo deixou-lhes (e a nós) um gosto amargo e uma enorme incerteza acerca do futuro. A responsabilidade de manter a salvo a cidade de Luthadel recai nos ombros dos (previsíveis e imprevisíveis) sobreviventes.

Neste segundo volume da saga dos Nascidos nas Brumas Vin e Elend assumem o protagonismo dividindo-se entre a luz e as sombras, entre a política e a força.

O grupo de Skaa reunidos por Kel tem agora que provar ser digno o bastante para se manter ao redor de Elend e, mesmo sendo este a mais imprevisível escolha para suceder ao senhor supremo, apoiá-lo na que parece ser a missão mais impossível de todos os tempos. Depois da vitória inicial tudo se torna mais difícil. Luthadel é cobiçada por muitos e Vin, a mais talentosa dos nascidos nas brumas, encontra adversários à altura e terá que, vezes sem conta, contrariar a sua própria natureza e relembrar a mais importante lição que Kel lhe ensinou: a confiar.

Num volume muito mais lento que o primeiro (o que é inevitável uma vez que o mundo e sociedade estão já devidamente apresentados – e essa é sempre a melhor parte quando lemos fantasia, a surpresa da novidade) assistimos ao crescimento de Vin e Elend enquanto pessoas e líderes.

Grande parte do livro é bastante lento, debruçando-se sobre as dúvidas de Vin, acerca do passado, do futuro, das suas capacidades e da relação com os outros.

Personagens incontornáveis como Sazed ou o Coxo e o Ham continuam a ser parte importante desta história - afinal serão sempre o grande suporte de Vin- mas alguns perdem protagonismo para novos personagens que chegam para surpreender. Alguns até ficam um bocadinho esquecidos – mas ou muito me engano ou serão importantes no próximo volume.

Na verdade prefiro não falar sobre a história – surpreendam-se como eu – mas tenho que admitir que adorei mergulhar no fantástico mundo criado por Brandon Sanderson, que a Vin entrou direta e destacadamente para o top das minhas personagens femininas favoritas e que espero ansiosamente pela continuação (é já no dia 04 de Setembro) desta história.

Se gostam de fantasia não hesitem: leiam a saga Nascidos nas Brumas, os dois primeiros volumes não vos irão desiludir.

O império Final, de Brandon Sanderson

Roda Dos Livros, 22.08.15

o imperério final

Chegar a casa e ter um presente é óptimo. O presente ser um livro é Fantástico. Esse livro ser uma “novidade” do meu género (not, que não estou para isso) "guilty pleasure” é perfeito.

Por isso, numa semana em que o trabalho me estava a matar estive a ler este livro. E entre as muitas horas de trabalho a minha forma de “desanuviar” foi ler. Claro que me estiquei e roubei horas ao sono. Mas é tão bom ler até à exaustão. Ler pelo prazer de ler, mesmo quando essa leitura não nos ensina nada de mais, mesmo quando o livro não é assim TÃO bom. Ler até às 3h da manhã (a loucura para quem tem que estar a trabalhar no topo da forma às 8h do dia seguinte – as saudades de ser jovem e inconsciente!!!) .

O Império Final é o primeiro volume da saga Mistborn – Nascida das Brumas. Já li algures que a série será interminável (tudo o que tenha mais de 5 volumes é-o) mas para já estão escritos 4 volumes, 2 dos quais publicados em Português. Há em ebook (weee) mas também são caríssimos tal como o livro físico.

O mundo que Brandon Sanderson nos apresenta é “ligeiramente” diferente do nosso. Uma sociedade extremamente estratificada, com diferentes povos/raças (para já conhecemos os Terrisanos, os Skaa e os outros, os nobres mas tenho a impressão que ainda podemos vir a conhecer muitos mais) com diferentes poderes/funções. Para já sabemos que no poder absoluto está o Senhor Supremo um alomante poderoso.

A alomância é a capacidade de retirar poder da manipulação (queima) de determinados metais (há 10 conhecidos) que permitem aumentar certas capacidades (capacidades sensoriais, força, manipulação de emoções, etc) e é exclusiva da raça dos Nobres. Os terrisanos (habitantes de Terris) são Guardiões e têm a capacidade de armazenar capacidades. Os Skaa, até ver, não têm nenhuma capacidade especial (para além da capacidade de sofrimento) e acabam por ser escravizados com relativa facilidade. Mas podem facilmente imaginar o que acontece com alguém descendente de duas raças, certo?

Como habitualmente nestes livros a injustiça desta sociedade é imensa e é a história da resistência a este império que começamos a conhecer nesta livro.

Kelsier é o único sobrevivente dos “poços” e tem a audácia de tentar o impossível: reúne um grupo de ladrões Skaa  para tentar derrubar o império final. No meio desse grupo de especialistas está Vin, uma miúda com enorme talento e descendente de um nobre e que é “nascida das Brumas”. E mais não conto, se quiserem saber vão ler o livro.

Uma das coisas que mais me agradou neste livro foi a ausência de romance. Ok, a Vin tem uma paixoneta mas nada de especial. Foram a amizade e a confiança os sentimentos protagonistas do livro e isso é refrescante.

Nalgumas críticas que li por aí mencionavam a ausência de referências à existência de "classe média/operária" mas, apesar de serem breves e raras, há referências a actividades comerciais (de famílias de nobres) e à existência de artesãos (nomeadamente a loja do Coxo) pelo que se intui a existência de uma classe (transversal) de trabalhadores especializados mesmo que esses não sejam protagonistas nesta história.

Fiquei com vontade de ler mais e gostei imenso de voltar a ler algo (bom) de um dos meus géneros favoritos: Fantasia.