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Roda Dos Livros

O Último Paraíso - Antonio Garrido

Roda Dos Livros, 15.02.17

oultimoparaiso Como o título sugere, neste livro temos uma história de esperança de desesperados que na década de 1930 emigraram para a Rússia com a promessa de um futuro melhor. Este facto, que eu desconhecia, em que milhares de emigrantes como técnicos e operários especializados, idealistas e desesmpregados partiram em resposta ao apelo de prosperidade, mas muitos foram vitimas da Grande Purga Estalinista.

Registo com apreço o intenso trabalho de investigação que o autor teve que fazer para chegar a uma história inspirada em factos e pessoas reais numa intriga bem elaborada e verossimel, procurando transmitir sentimentos como o medo, ambição e ira.

Jack Beilis é o protagonista que me conquistou, mas todos os outros dão brilho a esta narrativa.

Há livros que são suscetiveis de nos passarem despercebidos, o que é uma pena considerando o imensurável prazer que nos podem proporcionar. Entre as páginas deste romance percebi que perdia a noção do tempo e do espaço, o que raramente me acontece, inclusive porque leio em espaços públicos.

Desnecessário acrescentar, mas ainda assim vou fazê-lo. Adorei e recomendo vivamente este romance.

Sinopse:  Em 1929, o jovem e experiente Jack Beilis tinha o seu próprio carro, usava fatos feitos à medida e frequentava os melhores clubes de Detroit. Mas a crise brutal que nesse ano atingiu a América atirou-o, como a milhares de compatriotas, para os braços da fome e do desespero. Forçado a sair do país após cometer um crime, foge para a União Soviética, o império idílico onde a todos era igualmente garantido o direito à felicidade, sem suspeitar dos insólitos incidentes que o destino ainda lhe reserva. Inspirado em acontecimentos reais, este thriller combina magistralmente factos históricos, suspense e romance, resultando numa extraordinária reinvenção do mito do sonho americano.

O Leitor de Cadáveres - Antonio Garrido

Roda Dos Livros, 28.07.13

OLeitordeCadáveres_19-02-2013A capa e o título de um livro não são o mais importante. Contudo, tendo em consideração a “crise” de capas de livros que atravessamos, e a colecção de títulos enfadonhos que nos impingem todos os dias, tenho de mencionar que “O Leitor de Cadáveres” tem, para mim, uma capa excepcional e um título muito bem conseguido. Sabemos que não é o mais importante mas é inegável que é a primeira comunicação que um livro faz com o (futuro) leitor.

Mas o meu interesse neste livro ultrapassa o aspeto visual. E foi na verdade o conhecimento do seu conteúdo que verdadeiramente me atraiu e incentivou a esta leitura fabulosa de quase 500 páginas.

A medicina legal é dos meus temas favoritos, fonte inesgotável de interesse e curiosidade. Se calhar é por isso que aprecio tanto policiais, pois na grande maioria os casos são resolvidos com base no que os mortos “dizem”. Acho francamente fascinante. Um livro baseado numa personagem histórica real, considerado a primeiro médico legista da História, só podia ser alvo de todo o meu interesse.

“O Leitor de Cadáveres” é uma espécie de policial, tem mistério, intriga e crimes para solucionar. Mas considero que o melhor deste livro é o relato da vida de Cí Song, que viveu na China medieval e pautou toda a sua existência pela busca do conhecimento, uma vontade constante de aprender e, acima de tudo, o desejo de inovar na sua “arte”, criar métodos e técnicas que marcaram os primeiros passos numa ciência preponderante na actualidade.

Dificuldades, crises familiares, perseguições, fome e pobreza são algumas das dificuldades que Cí enfrenta na sua vida. Apesar de muitas vezes desmotivar e se sentir impotente perante as adversidades, a sua necessidade de aprender mais e de colocar em prática as suas ideias e técnicas, pautam o seu assombroso percurso.

Antonio Garrido oferece-nos uma leitura simples, sem artifícios nem complicações, que permite uma viagem fluída e única. Impossível não tecer algumas comparações com o brilhante “O Físico” de Noah Gordon, contudo “O Leitor de Cadáveres” tem o seu espaço e atua em palco próprio.

Recomendo sem qualquer reserva.

Sinopse

“Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro.Inspirado numa personagem real, O Leitor de Cadáveres conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial.Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.”

Porto Editora, 2013

O leitor de cadáveres - António Garrido

Roda Dos Livros, 12.05.13

15Emocionante romance histórico. Uma epopeia empolgante e arrebatadora na antiga e exótica China. Uma complexa trama. Muito bom.Provocou-me alguma ansiedade, o que diz muito sobre um livro porque não o conseguia parar de ler.O título e as dimensões deste romance auguram que seja mórbido ou maçador, mas tal não se verifica e para mais parte de uma premissa que muito me agrada. Inspirado numa personagem que existiu e integrado num ambiente que foi alvo de investigação e estudo pelo autor para recriar um contexto fiel ao real.

O protagonista é fascinante. Um homem da Idade Média Asiática. A sua personalidade que tanto tem de racional como emocional e daí a sua sagacidade mental e a impetuosidade permitiram-lhe resolver casos forenses que deixaram obra numa história apaixonante.Mas há todo um enquadramento sucintamente exposto no quotidiano do protagonista que cativa igualmente o leitor. A sociedade, a intriga e o devir da época. Assombra-nos as estritas normas de comportamento familiar onde além do respeito aos mais velhos havia uma obediência inquestionável, os rituais e a omnipresença dos castigos físicos de uma extrema violência e tantos outros aspectos que surgem neste romance.Uma característica ficcional do protagonista é a sua estranha doença, desde cedo revelada na trama.  Uma patologia real de insensibilidade à dor, frio e calor que dá mais intensidade ao protagonista que se vê pelos olhos dos outros como grotesco. Escrita fluída e ritmada numa sucessão trepidante de acontecimentos que prendem pelo talento criativo do autor. Um romance a não perder! Thriller histórico. 

Sinopse:Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro.Inspirado numa personagem real, O Leitor de Cadáveres conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial.Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.

O leitor de cadáveres de António Garrido

Roda Dos Livros, 15.04.13

15Verdadeiramente surpreendente, este livro! Nem tenho palavras para descrever o quanto ele me prendeu.

Na capa surgem estes dizeres: "Um romance fascinante sobre o primeiro médico-legista da História." Pode parecer um pouco macabro mas não o é de todo. Mal lemos as primeiras páginas damos uma cambalhota no tempo e voamos para a China por volta de 1200. Tempos e costumes diferentes, e por vezes difíceis de aceitarmos, fazem com que permaneçamos numa outra época com os olhos e os sentidos pregados ao livro.

Esta obra é um desenrolar de mistérios diferentes e percebe-se nesta leitura que os factos descritos para os resolver têm por base uma pesquisa profunda, sendo verídicas muitas das situações apresentadas. O personagem principal, um jovem estudante de medicina com uma imensa sede de saber sempre mais e mais, considerado o primeiro médico-legista, existiu de facto e foi através do estudo da obra escrita e por ele deixada, que o autor desenvolveu o enredo. E que enredo! Mistérios, crimes por resolver que o jovem Ci, através das suas brilhantes deduções, resolve analisando os cadáveres. Mas a sua vida não é fácil e vê-se acusado de ter praticado um assassínio...

Fez-me lembrar muito a leitura de O Físico de N. Gordon.

A última escriba, o livro anterior do autor, descansa na minha estante. Precisa de ser limpo do pó (já o tenho há algum tempo!) e posto na pilha dos que pretendo ler em breve! Nota máxima para O último leitor de cadáveres. Brilhante!

Sinopse

Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro.

Inspirado numa personagem real, O Leitor de Cadáveres conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial.

Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.