«As longas noites de Caxias» de Ana Cristina Silva - Opinião

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Carol, nascida em Cabo Verde, forma a sua identidade política, de ideais comunistas, enquanto estuda e vive a sua juventude em Lisboa, algum tempo depois já mãe, vê-se obrigada a deixar a filha num colégio russo para levar a cabo as suas missões partidárias. Os anos decorrem, os amores chegam e partem e a militância comanda-lhe os sonhos e a vida. Agora é tempo de reencontro, mas já passaram mais de 20 anos.
"O meu propósito não era modificar o passado, tão-pouco configurá-lo numa versão benigna, favorecendo-me através da descrição das circunstâncias que limitaram as minhas escolhas. No fundo, apenas desejava que reconhecesses como eu fora arrojada nesse tempo em que imaginava um novo mundo onde a felicidade dos homens viesse a ser saciada."
"Só a paixão detém poderes para anular as distâncias. Só esse estado fulminante faz com que o amor se perca de toda a racionalidade."
Sem modificações ou versão benigna, viajamos com Carol pelo seu passado, relatado através da sua memória, não para trazer de volta os anos que se perderam entre mãe e filha, mas para relatar o que foi a sua vida nos cerca de 20 anos de ausência na vida uma da outra. Desde a infância em Cabo Verde, até aos anos em Lisboa, e às missões pelo estrangeiro, tudo vai sendo relatado ao longe de capítulos que demonstram a escrita cuidada e equilibrada de Ana Cristina Silva.
"O povo de Cabo Verde não era formado por gente, mas por silhuetas famintas que se moviam lentamente. Mas os miseráveis da Cidade da Praia (...) em vez de chorarem lágrimas crepusculares, quando a luminosidade do dia declinava, preferiam entoar cânticos festivos na praia, ao som de tambores."
Do amor a um povo e a uma cultura que sempre desinquietou Carol, rapidamente passamos à admiração pelas palavras visionárias que a fizeram abraçar a causa comunista. E também abrir espaço a novas aventuras e amores que a consumiam com o fogo da paixão, mas também a lucidez de uma mulher que se desejava independente.
"O discurso dele ia ao encontro do que sempre procurara em Cabo Verde e nunca descobrira. A justiça da doutrina inspirava-a. Ele não se exprimia como quem dá lições, mas como um verdadeiro visionário."
"Aquele beijo constituiu para Carol a verdadeira origem da autoconsciência do seu poder de mulher. Apesar da inexperiência, intuíra que, como em certos livros, no amor há sempre um que ama e outro que é amado..."
Avançamos enredo adentro com as várias identidades que Carol assumiu, mas aceitamos desde logo que a política e as suas aventuras e desventuras são o foco central do livro, as paixões, os homens, os amigos, os militantes, os destinos, são meros veículos para conhecermos esta mulher que agora se apresenta, por via da ficção, à filha Helena. A narrativa espelha uma certa angústia e um tom distante, mas, a meu ver, em busca de reconhecimento pelo percurso que traçou.
"Ao relembrar o que aconteceu, puxa-se o fio de um novelo cuidadosamente enrolado. Um romance favorece uma história coerente, conseguindo atenuar a incongruência de certas acções, abrindo caminho para escolhas plausíveis que ficam bem numa narrativa, mas que na vida real revelam consequências devastadoras. Se confiarmos no texto, fico mais parecida com uma criatura mais fiável e corajosa."
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Um livro dividido em dois. Não sei o levou a escritora a uni-los mas essa ligação ténue não foi para mim suficiente. Mais que um livro, foram dois contos que li.
A primeira parte conta-nos a história de Rodrigo, um oficial Português na primeira grande guerra. As cartas que Rodrigo escreve a Eduardo e que este deixa no seu túmulo revelam um homem que poucos conheceram, revelam a verdade da mentira que este homem viveu. Por outro lado são um testemunho da presença Portuguesa na 1º Guerra Mundial, coisa que tantas vezes temos tendência a esquecer.
Das duas partes deste livro esta foi a de que gostei menos. Não gostei especialmente de Rodrigo e o pouco que conheço do início do século XX fez-me ter muitas dúvidas relativamente à possibilidade de alguém “pensar” daquela forma. Parece-me um discurso demasiado atual pontuado por algumas indicações do quão fechada e preconceituosa era a sociedade na época.
A escritora uniu as histórias de Rodrigo e de Violante através de um “pormenor” comum a ambos (convenhamos que serem mãe e filho neste caso é apenas um pormenor de somenos importância) e umas cartas encontradas num túmulo. Ora esta foi a parte que mais me incomodou neste livro: um jazigo de família é aberto inúmeras vezes, é visitado amiúde (naquela época muito mais do que hoje) além de que é referido que o jazigo ainda tem espaço para mais 3 cadáveres, tornando difícil que o caixão esteja de alguma forma num espaço fechado pelo que não me parece que a probabilidade de tais cartas serem encontradas seja pequena. Ora considerando o conteúdo das cartas tudo isto se torna inverosímil e este subterfúgio encontrado pela escritora para unir as cartas torna-se ridículo.
A segunda parte do livro conta-nos a história de Violante, uma atriz fabulosa, uma mulher apaixonada, impetuosa e vibrante. Confesso que adorei Violante. Leria muito mais páginas acerca deste mulher. Gostei do toque final que a escritora deu a esta parte. Li estas páginas quase de uma assentada, achei que o ritmo desta parte foi muito diferente do da primeira parte e muito mais do meu agrado. Contar-vos mais alguma iria estragar a leitura, por isso não o faço.
No geral gostei do livro, mais um que li graças à Roda dos Livros (deixo-vos aqui o link para outras opiniões sobre esta mesma história.
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Páginas: 168
Editor: Oficina do Livro
ISBN: 9789895560042
Li há pouco tempo o último livro desta escritora e, como fã que sou da sua escrita, não podia deixar passar esta obra. Gostei de conhecer um pouco melhor Mouzinho de Albuquerque e o rei moçambicano Gungunhana.
O livro é escrito, maioritariamente, a duas vozes: a de Mouzinho e a do régulo africano, Gungunhana. Contam-nos, ambos, as suas versões dos factos, ao jeito de confidência. As suas (possíveis) memórias quando o tempo se escoa e as suas vidas estão a chegar ao fim.
Não sou adepta, muito sinceramente, de monólogos pois fazem-me dispersar muito rapidamente. Isso aqui não aconteceu talvez porque o que foi narrado, os pensamentos que poderiam pertencer aos protagonistas se misturaram muito bem com os factos históricos. E mais uma vez as barbaridades cometidas, tanto por um como por outro, chocaram-me e fizeram-me pensar nas inúmeras histórias de horror que a História possui!
Para quem nunca leu Ana Cristina não aconselho esta livro para primeira leitura. Adorei "As Fogueiras da Inquisição", as "Cartas Vermelhas" e "A Segunda Morte de Anna Karenina". O meu palpite seria começarem por aí...
Sinopse
Em finais do século XIX, o oficial de cavalaria Joaquim Mouzinho de Albuquerque interna-se, ao serviço do rei D. Carlos, no coração de África com o objectivo de subjugar as tribos à administração colonial portuguesa; para isso, porém, queima aldeias inteiras, mata os insubmissos e, desobedecendo a ordens superiores, captura com espectacularidade o detentor de um império vastíssimo, Gungunhana, que traz para Portugal como troféu e acaba exilado nos Açores até ao fim dos seus dias.
Apesar de recebido pelo povo e aclamado pela imprensa como um herói da pátria, a crítica ao comportamento pouco ético de Mouzinho nos corredores do Paço, a indiferença do governo em relação aos seus planos para África e a paixão nunca abertamente confessada por D. Amélia acabam por levá-lo ao suicídio. Mas, se a notícia escandaliza o País, a verdade é que é lida com entusiasmo e sentimento de justiça por um Gungunhana já velho e destroçado, que passa os dias escondido na floresta do Monte Brasil, o local que encontrou na ilha Terceira… que mais se assemelha à terra dos seus antepassados. Com uma alternância de vozes narrativas que nos oferecem duas versões muito distintas do mesmo conflito, O Rei do Monte Brasil explora as memórias dos seus protagonistas às vésperas da morte, ilustrando-nos sobre a sua infância, as suas paixões marcantes, as atrocidades para as quais encontram sempre justificação e, de certa forma, a reflexão sombria sobre a decadência e a glória perdida.
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O último romance lido em 2013. Procuro as palavras certas para definir o tanto que este romance me surpreendeu e agradou. A sinopse é explícita sobre a história mas não sobre o requinte e a eloquência das palavras que a autora consegue utilizar de forma sublime para revelar estados de alma.
Não sou tão hábil no uso das palavras, mas não deixo de me maravilhar quando alguém consegue captar a natureza de sentimentos fortes capazes de mudar o rumo da vida e compor personagens credíveis e sofridas. Intemporais e imutáveis neste romance de época que aborda a questão da homossexualidade, bem como a capacidade de amar incondicionalmente para além de todas as interdições e ainda o cíume, o orgulho e o medo que tudo deita a perder.
Um drama com o muito que é exposto por Rodrigo nas cartas enviadas a Eduardo, e em que visualizamos os portugueses na 1ª Guerra Mundial.
Uma tragédia no reencontro de Violante com o marido Luis Henrique, 25 anos depois de uma dupla traição, infidelidade e tentativa de assassinato, que me recordou vagamente o confronto de dois amigos quarenta anos depois devido a uma paixão pela mesma mulher em "As velas ardem até ao fim" de Sándor Máraí, possívelmente pela intensidade das emoções ainda sentidas e recalcadas e tensão latente nesse reencontro.
O abandono de um filho é devastador para Violante, uma mulher habituada a representar no palco e na vida.
Um bom romance de uma autora a reter. Um prazer de ler!
Sinopse:
Violante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de Luis Henrique, um grande actor com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas actrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a vêem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o jazigo de Rodrigo - um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras em França -, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser, mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão grande ou maior do que o seu. E, com o espectro das recordações que essa revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique, desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde dar. O problema é que, numa conversa entre dois actores de excepção, nunca se sabe exactamente o que é verdade. A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança - e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças - se é que existem - entre o teatro e a vida real.
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“A Segunda Morte de Anna Karénina” agarrou-me nas primeiras páginas. Fiquei presa à narrativa e à história de Rodrigo. Apesar desta ser a história de Violante, foi Rodrigo, o seu filho morto que me conquistou. A voz de Rodrigo chega pelas cartas que escreveu ao amante durante a I Grande Guerra. A dor e o conflito interior de ser homossexual no início do século XX em Portugal é um tema extremamente bem exposto e explorado, para mim, sem dúvida o ponto forte deste livro.
Com Rodrigo a autora aborda dois grandes temas. Um deles é a homossexualidade no contexto familiar, o preconceito, o medo e a vergonha de assumir, bem como as formas de encobrir a verdade através de um casamento dito normal e de uma vida conjugal de fachada. O outro é a participação de Portugal na I Guerra Mundial. Uma participação tão sofrida quanto esquecida, a que Ana Cristina Silva deu a devida importância e soube conjugar com a luta interior de Rodrigo. A solidão e mágoa de Rodrigo por ser abandonado por Eduardo, desiludido por sentir que não é correspondido na vontade de aceitar e viver este amor, conciliado com o pavor da guerra e as descrições das condições nas trincheiras, compõem um cenário de horror físico e mental muito bem conseguido.
Para mim, a partir deste ponto, foi como se o livro fosse perdendo força. A vida de Violante é deveras interessante mas banal quando comparada com a dor e a força de Rodrigo. Não me lembro nunca de me acontecer gostar de tal modo de uma personagem secundária, que a personagem principal e todo o propósito do livro fossem para mim perdendo o interesse até ao final. Mas assim aconteceu. Depois de Rodrigo a história da menina de província que se torna a diva do teatro em Lisboa pareceu-me banal. O decrescente interesse dissipou a minha atenção, o que nitidamente se notou no final, que sinceramente não estou certa de ter percebido.
Um livro que vale pelo seu início. Um começo brilhante que infelizmente o final não acompanhou.
“Nas trincheiras os homens andam sempre enregelados e sujos. Não há sujidade mais impertinente do que a lama que transforma a pele e os uniformes numa massa castanha e enrugada. Os soldados nunca levantam a cabeça nestas geleiras sombrias, inclinam-na apenas, embrulhados em mantas encharcadas. O tamanho do mundo está assim reduzido aos túneis escavados nas entranhas da terra, nos quais mal se respira e cujas fronteiras são definidas por sacos de areia. A vida prossegue dentro destas tocas. Ninguém precisa que lhes digam quem são, nestas circunstâncias, os animais acossados.” (Pág. 79)
“Voltava para o meu quarto muito tarde. Os meus pensamentos desenvolviam-se na penumbra até o fogo arrefecer na lareira. Lisboa inteira já dormia, enquanto eu recordava como sentira um arrepio de excitação perante este ou aquele cavalheiro. Lembrava-me da forma como dançavam e tentava imaginar motivos que os fizessem mover-se na minha direcção. De seguida, recuava, horrorizado. Em vez de me tentar libertar pela força da renúncia e da fé, consolava-me a ideia do suicídio como um sedativo acalma um homem atormentado pela insónia. De pé, dava voltas e mais voltas, abria a janela, suportando a nortada gélida que soprava das profundezas da noite.” (Pág. 82)
Sinopse
“Violante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de Luís Henrique, um grande actor com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas actrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a vêem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o jazigo de Rodrigo - um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras em França -, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser, mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão grande ou maior do que o seu. E, com o espectro das recordações que essa revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique, desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde dar. O problema é que, numa conversa entre dois actores de excepção, nunca se sabe exactamente o que é verdade.A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança - e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças - se é que existem - entre o teatro e a vida real.”
Oficina do Livro, 2013
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Edição/reimpressão:
2013
Páginas:
224
Editor:
Oficina do Livro
Fui à apresentação do livro de Ana Cristina na Livraria Barata. Estava gente em pé. Gostei de ver a casa cheia. Como gosto de ler os livros desta escritora.
Todos eles, talvez devido à sua formação em Psicologia, possuem personagens com um carisma próprio, uma força interior que nos impele a tomar o seu partido ou, pelo contrário, a odiá-los, quase. São detentores de variadíssimos sentimentos que expõem sem pejo e nos quais nos revimos. Amor, ódio, angústia, alegria, descontentamento. Os personagens entregam-se a nós, confessam-se e partilhamos, eles e nós leitores, tanto as suas alegrias como as tristezas que frequentam os seus corações.Este livro senti-o como um desabafo de Violante, a personagem principal. É, também, um hino ao amor. Em qualquer dos sexos, sem falsos preconceitos. A guerra, ela sim, é suja e dura. Essa sim deve ser considerada como algo aberrante e fora do normal.Ana Cristina sabe expressar-se através dos personagens que cria de uma forma que nos deixa rendidos. A história é construída para depois, no final, a pormos em causa, a reformularmo-la completamente. Isso agrada-me. Os fins felizes e "certinhos" deixar-me-iam insatisfeita se existissem nos livros desta autora. Ela quer-nos dar mais que isso. Devemos aproveitar, portanto!SinopseViolante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de Luis Henrique, um grande actor com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas actrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a vêem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o jazigo de Rodrigo - um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras em França -, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser, mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão grande ou maior do que o seu. E, com o espectro das recordações que essa revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique, desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde dar. O problema é que, numa conversa entre dois actores de excepção, nunca se sabe exactamente o que é verdade.A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança - e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças - se é que existem - entre o teatro e a vida real.Mais para ler