A Mulher Silenciosa - A. S. A. Harrison

Há livros que nos perseguem. E não sossegamos enquanto não estão na nossa posse. Com este romance foi assim, e esta obsessão disparatada revelou-se acertada logo nas primeiras páginas.
Duas personagens e dois narradores que alternadamente contam a sua versão dos factos. Ele (Todd), Ela (Jodi) na primeira parte e na segunda parte apenas Ela, depois de ele já não a poder contar.
Uma existência aprazível e luxuosa numa relação confortável que durava há vinte e dois anos, sem filhos, que se desmorona sem que nenhum deles o deseje. A leviandade dele com inúmeras traições inconsequentes, que ela procura ignorar neste homem de meia idade, que procura ultrapassar uma depressão com uma relação mais séria com a filha do melhor amigo de infância e os catapulta para o abismo com uma gravidez.A autora, já desaparecida, conseguiu capturar nesta narrativa muitas das vicissitudes de uma relação longa e assente em silêncios, em que as personagens têm um passado perturbador mal resolvido.
O que distingue este romance dos demais, é a proximidade com o real, ao dissecar o comportamento de um casal por detrás da fachada. Uma análise psicológica num crescendo de ansiedade para uma leitura participativa, com a empatia ou aversão do leitor. Ambas as personagens são censuráveis e ambos são perceptíveis. A tolerância e passividade de Jodi e a fraqueza e cobardia de Todd na dinâmica do casal.
Bem conseguido primeiro romance, que inquieta e instiga a ler até ao desfecho, tal a intensidade da narrativa.
Sinopse: