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Roda Dos Livros

Para ver quem é que anda à Roda * Encontro de Agosto

Efeitocris, 28.08.25

Se me dissessem que em Agosto íamos reunir com casa cheia, um clima ameno e a calma doce da Dona Aveia a guiar a reunião, eu não acreditaria. E porquê?

Ora… porque as reuniões de Verão tendem a ter poucos rodistas e a Dona Aveia anda numa de participação esporádica e muito selectiva, só quando mesmo lhe apetece. Já para não falar das temperaturas de canícula que afastam outros participantes.

E além do mais, a reunião de Agosto chegou antecipada, mas felizmente teve como brinde uma leve brisa que aconchegou uma ou outra sesta, porque afinal o membro canino tem alguma idade e as tardes estivais pedem sempre uma power nap. E afinal, aos chefes tudo é permitido! Certo?

Claro que sim!

Aquele riso patudo derrete-nos os corações. Firmou-se no centro da Roda como quem diz: “A reunião começou, pessoal. Quem fala primeiro? Patrícia, és já tu.”

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E assim foi. E a Patrícia falou.

E falou de dramas familiares, sagas que estendem a gerações e aventuras fantásticas em Rio Perdido e mais uma vez Blackwater foi alvo das nossas atenções. Mas antes que a conversa se perdesse, a Don Aveia deu uma rosnadela  diplomática e apontou as orelhas… “Não vamos já começar a desordem, pois não meninas?”

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O que nos faltava mesmo era uma patada destas. Gentil mas determinada. Um convite à ordem pouco regrada que pauta cada Roda.

E mesmo que Blackwater tenha laivos de novela mexicana, não deixamos que os mariachi entrassem e seguimos com uma reunião tranquila e ouvimos a Patrícia nos contar que “Também há rios no céu” e que os livros de Elif Shafak merecem muito ser lidos e aqui a escriba segredou à sua patuda que nunca leu um livro da Shafak… Se calhar devias, disse a Dona Aveia em tom de sugestão, mas para quem a conhece sabe que queria dizer: “Não digas isso a ninguém e vai já corrigir essa lacuna. E no regresso traz biscoitos.”

O inventário podia continuar, mas sorte de um patrão sonolento é que em breve baixa a guarda e deixa a malta em auto-gestão, só assim podemos discutir e afirmar que «O inventário de sonhos» da Chimamanda fica um pouco a dever ao entusiasmo de outrora das suas narrativas africanas e que vamos metendo uns livros pelo meio desta leitura, que é como quem diz que nos sentimos culpadas de o deixar de parte.

A Dona Aveia diminuiu a sua atenção, entrou em modo Pausa e bocejou no colo de recomendações mais serenas… especialmente para ela que não fala russo e quando ouviu a Célia e a Renata discutirem se Tolstoi ou Dostoievski, deu um ar de sua graça com a cauda e fez um arrear estratégico — sinal de que era hora de deixar fluir a conversa sem moderação.

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E lá fomos nós, partilhando sugestões, umas tão desvairadas como um resumo de novela juvenil, outras profundas como se publicássemos um tratado filosófico caseiro.

Entre gargalhadas e lampejos de sabedoria, houve quem trouxesse leituras de autores que brincam com estilos, quem comentasse dramas mais sombrios, e quem citasse frases inspiradoras só para adensar o grau de profundidade literária — tudo isso enquanto a Aveia dormiam, ora na sua varanda privada ora na cama fofa e fazia círculos suaves ao nosso redor, passeando-se entre nós como quem garante que é visto, sentido e nunca esquecido… como o fazem certos livros e alguns deles tiveram palco nesta reunião, quem é como quem diz: “James”; “Orbital”, “Boulder”, “Túmulo de Areia”, “As malditas”, “melhor não contar”, “O bom mal”, “Triste Tigre”, “O Paradoxo do Cérebro” ou “As crianças adormecidas”

E se todos estes títulos não bastassem, há ainda a apologia de “Mudar de ideias” agora peneirada no crivo de Julian Barnes, entre mais títulos repetidos e tantos outros de policiais sangrentos e uns quantos títulos de livros-piscina que os roditas tanto gostam. Upa, upa, especialmente no verão para ler à sombra e á beira-mar.

Chegou o momento da pilha de sugestões, desta vez digna de fazer sombra a qualquer outra erguida este ano. Com direito a segura e-coisos cristalinos que quase quase não se fazem notar, esquecendo que estes dispositivos que se auto-intitulam de livros não são sequer capazes de se erguer sozinhos, nespecialmente nestas temperaturas. E sem mais demoras ou referindo quem sugeriu o quê e qual (e entretanto acordamos a patuda), fica a nossa bonita pilha de sugestões para lerem até ao Natal que deve ser quando voltamos duas mãos cheias de gente a animar as tardes da nossa Aveia.

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