Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Roda Dos Livros

Lobos, de Tânia Ganho

Patrícia, 22.07.25

lobos.jpg 

Ler Tânia Ganho é sempre bom. E ler o livro certo na altura certa ainda é melhor.
Lobos agarrou-me nas primeiras páginas e, como vocês caros leitores bem sabem, é isso que procuramos leitura atrás de leitura.
Fiquei um pouco de pé atrás quando me apercebi que também neste livro a doença de Alzheimer ia ser um dos temas focados. Mas, como sempre, há um cuidado na forma como a autora aborda os temas mais sensíveis e aqui vai ao cerne da questão: esta é uma doença que tem um peso enorme em todos, doentes e familiares. Em Helena, o cansaço do cuidador é explícito, em Fedra o medo de ter em si as raízes desta cruel doença é paralisante. E fica um louvor para a forma como são abordadas as várias escolhas que os familiares têm que fazer e as possíveis abordagens à coisa. (tanto para dizer, mas não é o sítio nem a forma).
Três mulheres, Fedra, Helena, Leonor, todas em fuga da sua própria vida encontram-se neste livro para, mais ou menos juntas, recuperarem o controlo e se reinventarem. Também o mundo está em mudança, a viver tempos novos e extraordinários, em plena pandemia. Fedra mergulhou demasiado fundo na miséria humana e precisa de paz e tempo. Helena quase se auto destrói sob o peso das expectativas, suas e dos outros, Leonor, uma menina, descobre da pior forma como a maldade dos outros é capaz de nos destruir a vida.
Mas nem só de mulheres é feito este livro. Stefan é um antigo fotógrafo de guerra que troca o horror da guerra e das pessoas (como o compreendo neste ponto) pela solidão de um centro de recuperação de lobos. Bem, talvez deva dizer que é um centro de recuperação de pessoas, na verdade. E também ele anda à procura de redenção e do seu lugar no mundo.
E depois há os lobos e a forma realista (e maravilhosa) como Tânia Ganho os apresenta. Sem domesticação nem humanização.
Além da história ficam questões que nos fazem pensar e que vão ficando connosco. Eu, como sempre, fico sensível às questões da memória, da doença mental, da depressão, do stress pós-traumático, do medo, da ansiedade. Interessa-me aquilo que as pessoas são, a forma como reagem às situações, o que sentem, como se reinventam. E a autora é muito boa a pôr-nos a pensar.


Este será, certamente, um dos (meus) livros do ano. E foi a minha sugestão na roda dos livros de Junho.


Boas leituras.

1 comentário

Comentar post