10 miúdas e dois cães


O tempo é relativo e foi numa tarde de Outubro que se deu o encontro de... Setembro. A verdade é que o formalismo não é uma característica nossa o que, aliás, se vê nos posts que não publicamos neste blog, pelo que fazer um encontro de Setembro em Outubro é absolutamente aceitável. O que nos falta em formalismo e perseverança na escrita de posts, sobra-nos na vontade de ler e o tempo reservado para os encontros mensais parece sempre pouco para o entusiasmo com que partilhamos leituras. Claro que os primeiros minutos do encontro são sempre reservados à nobre arte do "pôr a conversa em dia", fundamental num grupo que já se conhece há muito. Para além dos livros, também nos une o amor pelos animais e a Dona Aveia e o Nero são mais que membros honorários deste grupo, são membros de pleno direito, tenho a certeza que, à sua maneira, são tão amantes de literatura como qualquer uma de nós.
Os primeiros livros que a Sofia nos trouxe foram o Eve, How the female body drove 200 million years of human evolution, de Cat Bohannon e o Matrescence, da Lucy James, que marcaram o ritmo de uma roda onde a mulher foi um tema transversal, com o Útero, da Leah Hazard, o Os rostos, de Tove Ditlevsen (sugestão da Cristiana), Histórias de Mulheres casadas, de Cristina Campos, as Serviçais, de Kathryn Stockett (trazidos pela Isa) ou o A mulher-casa de Tânia Ganho (Patrícia) que voltou a estar numa pilha de sugestões.
Quando alguém diz que leu o livro do mês, do ano, quiçá da vida toda a gente arrebita a orelha. Desta vez coube ao maravilhoso Os miseráveis, de Victor Hugo a distinção e toda a gente concordou com a Célia, que também nos falou de outros livros, como o Atos humanos, de Han Kang ( o que nos levou a uma discussão sobre tradução e revisão), O meu pai voava, de Tânia Ganho (ou como por vezes encontramos os nossos sentimentos escritos por outras mãos) e o O caderno de memórias coloniais, da Isabela Figueiredo. E aproveitou para sugerir a todos o Apologia do Ócio, de Robert Louis Stevenson.
A Márcia trouxe-nos YOGA, de Emmanuel Carrère, uma oportunidade para reflectir sobre saúde mental, a crise dos refugiados ou, por exemplo, suícidio. Ainda leu Friends, Lovers, and the Big terrible Thing, a Biografia De Matthew Perry, que tem sido lida e elogiada por várias pessoas deste grupo.
A Sónia elegeu o A Educação dos Gafanhotos, de David Machado, como sugestão mas trouxe também os livros de Rui Cardoso Martins, E se eu gostasse muito de morrer e As melhoras da Morte que, à boa maneira deste grupo, deslizaram pela mesa para rodar para outra leitora que os quer ler nos próximos tempos.
A Renata anda em releituras de uma das grandes séries de Fantasia dos últimos tempos (afinal o próximo volume do Stormlight Archives sairá no original ainda este ano) mas teve tempo para se deliciar com o Planície, de Jhumpa Lahiri, livro que há muito estava na sua lista de desejos e falar um pouco de O Messias de Duna, de Frank Herbert, a sua leitura actual. Tenho para mim que despertou curiosidades.
A Ana CB dedicou-se às séries policiais este mês com o Ponto Zero e Cortina de Fumo, da dupla Jørn Lier Horst e Thomas Enger e A Consequência, de Yrsa Sigurdardóttire, o livro que está na pilha para representar a série DNA, a sugestão desta leitura. Mas nas leituras da Ana, ainda constam O Vício dos livros de Afonso Cruz e A Guardiã de Yael Van Der Wouden.
As sagas familiares também estiveram em destaque neste sábado com o Do not say we have nothing, de Madeleine Thien (Sofia) e O Pacto da Água, de Abraham Verghese (Patrícia).
Por aqui não partilhamos só livros mas amigos e foi por isso que a Raquel nos fez companhia nesta tarde. A sua primeira sugestão na Roda dos livros foi o Os vencedores, de Fredrik Backman. Na verdade ela quis mesmo sugerir toda a série que culmina neste livro.
A Isa, enquanto nos falava das suas leituras que incluem os A rede Púrpura e Nina de Carmen Mola, Um Animal Selvagem de Joel Dicker e A livraria da Colina, de Alba Donati é a autora da frase do dia. Sobre um livro que não consigo nomear disse, com muita graça, ser "genial ou idiota". Quem nunca se deparou com um livro desses só pode andar a ler pouco, ali, naquela mesa toda a gente se identificou.
Cruzámos livros com livros (A mal Nascida, de Batrice Salviori (Cris) com o Amiga Genial, de Elena Ferrante) e livros com filmes (Os rostos com Camille Claudel, interpretado pela Binoche). Fizemos apostas para o nobel que está quase a ser anunciado e algumas de nós concordámos que a grande probabilidade é ser nomeado alguém de quem nunca ouvimos falar. E que gostávamos que um/a escritor/a de fantasia ou novela gráfica ganhasse mas que isso não vai acontecer.
Boas leituras, voltamos daqui a pouco.

































