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Para abrir a época de reuniões em 2026 acendemos catorze velas que representam muitas e muitas páginas viradas, alguns regressos e despedidas, discussões e clube de fãs de autores e títulos que nos ficam a ecoar entre reuniões. Por isso para acompanhar a gulodice desta reunião juntámos todos os livros que tínhamos em mãos, porque todos podem ser sugestões de leitura, pois verdade seja dita os livros apanham-nos por fases e épocas muito diferentes, podendo trazer-nos sensações tão diferentes como opiniões que nos fazem (ou não!) regressar a certos autores.
As lombadas desalinhadas são um excelente retrato deste colectivo. Raramente são uma imagem de total consenso, são antes contornos da convivência e da partilha. Ler juntos ao longo de tantos anos têm-nos mostrado que vamos mudando com o mundo e com os livros, mas também vamos debobrando os contornos que nos definem desde o 1º dia.
As sugestões
Vinte anos de manicómio é uma sugestão para os leitores que se questionam sobre a memória de um país e de um sistema que quis silenciar quem escolheu fugir à norma. Um livro outrora banido que expõe questões incómodas que podem mexer com algumas feridas.
Hamnet, de Maggie O’Farrell, é uma lição sobre como a literatura pode transformar luto em algo belo e por isso é uma sugestão para um leitor sensível e dedicado, com atenção ao detalhe da linguagem, que lê sem pressas e aprecia os silêncios em acompanham cada descrição.
Em Candeia Coração, Banu Mushtaq, a leitura de cada pequena história renova a vontade de recomendá-lo a outros leitores. Mushtaq escreve com precisão e poder, traz para cada história humanidade e dignidade para as vozes menos ouvidas.
Um pouco como O Jardineiro e a Morte, de Georgi Gospodinov, que da intimidade, da perda e do luto, filosofa em excertos que têm tanto de belo como de triste, ajudando o leitor a dizer adeus. Recomendado para quem não se incomoda com a partilha de vulnerabilidades e ler com os olhos rasos d’água.
E na mesma senda podemos fazer a leitura d’A Montanha. José Luís Peixoto tece um fio que une histórias que nunca se esgotam nas pessoas que as contam, insistindo na beleza da subida.
Outros títulos chegam como longas cartas e pergunta-nos como se cuida do caos e da desorganização que de repente nos embrulha a vida. Nesse desarranjo cabe Autismo de Valério Romão e Não Fossem as Sílabas do Sábado de Mariana Salomão Carrara que na imprevisibilidade do que narram, chegam a preocupações transversais a tantas vidas.
Mas talvez a melhor sugestão nesse registo de autenticidade e espanto, seja Pergunta 7 de Richard Flanagan, que podemos dizer que celebrar a curiosidade e brinda o leitor com um livro inclassificável. Portanto, é melhor lê-lo!
Continuando nos livros difíceis de definir é impossível não incluir aqui A Chuva que Lança a Areia do Saara, de Ana Margarida de Carvalho; dizer que é uma narrativa intrincada das vidas rudes, mas caricatas e peculiares, das suas mais recentes personagens é dizer pouco, portanto o melhor é lê-lo com a curiosidade de quem gosta de ser surpreendido.
Para pensar o presente e ser confrontado com a nossa tolerância para com a violência, devemos ler Um dia, todos teremos sido contra isto, de Omar El Akkad. Uma verdadeira chapada de empatia e uma convocatória para a responsabilidade do leitor para se posicionar.
Trilhando um objectivo semelhante, o de alimentar a consciência política e histórica de cada leitor, mas no registo de romance temos A Herança do silêncio, de Gina B. Nahai narrando a consciência histórica do Irão, antes e durante a revolução islâmica. A voz aparentemente silenciada narra um legado poderoso sobre a opressão das mulheres iranianas.
A lista é sempre longa se falarmos de livros que descrevem opressões, Pão Seco de Muhammad Chukri é um deles e traz-nos a miséria de uma infância perdida entre a fome, a droga e o analfabetismo do próprio autor.
E quando A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, volta à mesa, percebemos que alguns debates nunca se esgotam e que este é um livro para ler e reler. Ou melhor dizendo: reler-se!
E relemo-nos muitas vezes uns aos outros nesta quase década e meia de convivência literária.
Que venham mais, mais anos e mais livros e livros, bons e maus… todos ajudam a definir o grupo.
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Pst pst… Nunca Te Esqueças de procurar a beleza e as coisas pequenas que abrilhantam e completam o dia