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Roda Dos Livros

The Blue Between Sky and Water, de Susan Abulhawa

Patrícia, 12.04.25

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Tenho a mania de comprar livros em todas as viagens que faço. E tendo a comprar livros de escritores locais ou, pelo menos, de escritores que não conheço. Foi assim, que numa livraria do Dubai, encontrei este livro. Não conhecia a Susan Abulhawa mas posso garantir que este não vai ser o último livro dela que vou ler. E tenho imensa pena que não esteja publicado em Portugal, é um livro magnifico. A literatura é uma das formas de combatermos a desumanização. Não a única, nem a melhor, é certo, mas permite-nos vislumbrar outras vidas e treinar a empatia . E hoje em dia precisamos urgentemente disso. Ler este livro enquanto Gaza está a ser terraplanada, enquanto os palestinianos estão a ser dizimados, enquanto crianças morrem sob escombros é de uma tristeza imensa, mas é importante.

Este livro não é sobre a guerra Israel-Palestiniana mas mostra também como estas pessoas foram moldadas por este conflito. Apesar disso, este é um livro lindíssimo, cheio de esperança. 

The blue between sky and water é um livro sobre mulheres, uma saga familiar que acompanha várias gerações de mulheres palestinianas.

These were the women of my live, the songs of my soul. The man they loved were lost in one way or aother, except me. I stayed as long as I could.

E é um livro sobre o amor. O amor salvador de vidas, o amor que se nos entranha na pele, que cruza tempos. O amor entre mães e filhos, entre irmãos, os de sangue e os outros.

The beekeeper’s widow was related to us only by love

A linda e corajosa Nazmiyeh é o fio condutor.  Filha de Um Mahmoud (they called her the crazy lady, but she was all love), que é possuída pelo djinn Sulaymani, irmã de Marion, que coleciona cores, ama com corpo e alma. Com uma resiliência típica das mulheres, Nazmiyeh consegue reconstruir a sua família após a trágica fuga de Beit Daras.

A vida não é fácil no exílio, seja em Gaza seja na América e Nur, sobrinha-neta de Nazmiyeh, vive o seu próprio pesadelo após a morte do seu avô, antes de encontrar o caminho de regresso a casa.

Nas margens de um rio, in the blue between sky and water, um menino de 10 anos ensina uma menina de olhos de cor diferentes a ler. E segredos ficam guardados numa caixa de lápis de cor.

But maybe you can believe, as I do, that are truths that defy other truths, where time folds on itself

 

Não estarei na próxima reunião da roda dos livros pelo vos deixo a minha sugestão em forma de post.

Boas leituras, 

Patrícia

A primeira pilha de livros da casa nova

Patrícia, 03.04.25

Mudança de casa, vizinhança nova. Apresentemo-nos, portanto. Somos muitos, nem sei bem quantos, porque para além dos residentes habituais temos aqueles que às vezes dão um ar de sua graça e regressam a casa. Somos um grupo de leitores que reúne mensalmente, à volta de uma mesa cheia de gordices, para partilhar leituras e muitas gargalhadas, especialmente quando as opiniões sobre determinado livro são diametralmente opostas, coisa que acontece regularmente. 

Criámos o blog da Roda há muitos anos, documentámos encontros, reuniões mais ou menos especiais e partilhámos as opiniões sobre os livros que vamos lendo. Nos últimos tempos tem sido mais difícil manter o blog actualizado e, por isso, achámos que mudar para o Sapo era uma boa ideia. A mudança não foi fácil mas contámos com a ajuda da malta do SAPO Blogs a quem agradecemos (sem vocês não estaríamos aqui). 

Março não nos trouxe apenas a nova casa do blog como novidade. De não somenos importância foram as pétalas crocantes de caramelo salgado que a Ana Marques da Silva nos trouxe. Ficámos (demasiado) fãs.

Quanto a livros, há uma bela pilha de sugestões a comprovar que se lê de tudo por aqui.

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A Fernanda, enquanto as agulhas da malha marcavam o compasso, sugeriu a leitura de Vermelho delicado, de Teresa Veiga e As palavras do Corpo de Maria Teresa Horta.

A Isa, que "não leu nada este mês" sacou da lista e entre outros destacou o Bear Town, de Frederik Backman.

A Célia ficou impressionada com o As vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich mas sugeriu também uma saga familiar, o Olá Linda, de Ann Nepolitano.

A Sofia  depois de nos ter indicado o A mulher do meio, de Ivone Mendes como o melhor do mês e de nos ter falado de outras boas leituras perguntou-nos "querem que agora vos fale daqueles de que não gostei?" (e é sempre dos momentos mais divertidos, um dia fazemos uma pilha dos livros de que não gostamos). 

A Sónia C.trouxe-nos Uma história de violência, de Édouard Louis e Boulder, de Eva Baltasar.

A Cristina sugeriu o Para Acabar de Vez com Eddy Bellegueule, de Édouard Louis, Tese sobre uma domesticação, de Camila Sosa Villada e Vamos Fazer Melhor! de Gidon Lev

A Cristiana diz que há livros de leitura obrigatória e trouxe-nos dois desses: Triste Tigre, de Neige Sinno e As malditas, de Camila Sosa Villada. Mas pôs também na pilha o Hotel Irís de Yoko Ogawa. 

É tão difícil é escolher os melhores dos melhores que, às páginas tantas, vai tudo para a pilha. 

A Ana MS passou o mês a ler novelas gráficas e destacou o Regresso ao Éden, de Paco Roca

A Sónia M. sugeriu-nos o "Nem todas as árvores morrem de pé" da Luísa Sobral

E eu, Patrícia, sugeri o O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout, livro que, para não variar, não reúne consenso neste grupo.

Foram umas horas de boas sugestões literárias e boa conversa com a lista de "Livros que quero ler" de cada uma de nós a aumentar e com "emprestas-me esse?". Afinal, somo A Roda dos Livros e o nosso lema é "Livros em movimento".

Boas leituras