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Roda Dos Livros

A andar à Roda até ao Natal

Roda Dos Livros, 30.12.23

O ano está a chegar ao fim e os Rodistas celebram o Natal, que é como quem diz, encontraram mais um motivo para celebrar os livros, os beberetes e a amizade e como quem come junto, fica junto, enchemos mais uma mesa de coisas boas (figurativamente falando, é claro!) que mal cabiam os livros.

Melhor que descrever é deixar as imagens revelarem a abastança que felizmente tivemos.

Casa cheia. Mesa farta. Pilhas e pilhas de livros. Muitos sorrisos e claro, os habituais atropelos, pois quando a azáfama é muita reaviva a criança que há em nós.

E festa que é festa, tem presentes e a nossa teve, como de costume, um livrinho oferecido por um tal de amigo secreto que se revela em postais assinados e outras ofertas paralelas. Ou então, apenas por o sorriso que revela tudo, do gosto que foi andar à busca da oferta certa para aquela pessoa.

Mas antes de mais um vídeo com as prendinhas e as pilhas de sugestões em jeito de resumo do nosso encontro, fica sim um resumo das nossas escolhas em Dezembro, mas sem um verter do que foi a nossa alongada conversa, pois destas vez fomos tantos que não há apontamentos que me valham 🤣🤭😇 tanto que a certa parte anotei: "numa roda multitasking com tanta coisa a acontecer que parece que queremos viver 12 meses numa tarde só." Vejam bem como me senti uma escriba assoberbada.

A nossa Joana andou entre A cidade e as Serras do seu acarinhado Eça de Queiroz.

A Sofia Castro gostou muito de andar em investigações com O Clube das Quintas-feiras

A Ana Borges, valha-me a fotografia e por exclusão de partes, caso contrário só tinha conseguido anotar: "abaixo das expectativas" sobre um outro que eu não anotei, mas a sua sugestão é o Greenwich Park (é não é Ana? 🙃)

A Sofia Antunes regressou a Maggie O'Farrell e o seu Instructions for a Heatwave e a conversa alargou-se (só podia!) sobre os vários livros da autora que têm conquistado os rodistas.

A Cristina Matos trouxe-nos um livro que revela um pouco da história da sua família, Nos confins da morte, num tributo que o seu tio faz ao filho.

A Márcia revelou o requinte e brilhantismo que sentiu ao ler Deixa-te de mentiras de Philippe Besson e trouxe um autor novo para dentro do nosso círculo.

A Isabel conseguiu afoguear ainda mais os ânimos, abrindo até uma votação - vejam bem - perante o eterno As velas ardem até ao fim.

A Fernanda desta vez não trouxe as malhas, mas a sua escolha é reveladora, Knitting Yarns. E cheira-me que mais uns anos, temos um clube de discussão de crimes com artefactos peculiares, enquanto nós - com as devidas lentes de aumento - tricotamos umas cenas (logo se vê se no final sai algo usável ou não) e falamos de policiais. Seremos algo como A Roda às Quintas-feiras.

E por falar em policiais, a Vera e a Ana Marques falaram do novo livro de Dolores Redondo e volta na volta, o Revolução surgiu novamente na conversa bem como o último do João Tordo, O nome que a cidade esqueceu, que regressa a Nova Iorque e claro, há uma morte.

Entre agulhas afiadas e opiniões com arestas, entrámos de rompante no hotel e na vida de Um gentleman em Moscovo que foi a sugestão do José, abrindo a discussão: afinal um enredo claustrofóbico dá uma boa história?

Polémicas à parte, a Ana acrescenta que o tédio pode ser material muito interessante, veja-se o caso de A viagem à volta do meu quarto, mas o remate da Patrícia... "ler um livro de que não se gosta até ao final é doentio, mas muito útil para falar mal." Nada mais há a dizer depois desta tirada, especialmente se lhe juntarmos o conde russo e a sua observação (sua, da Patrícia) sobre vinhos.

Adiante que a sugestão da Patrícia são os livros da Isabela Figueiredo, mas especialmente O caderno de memórias coloniais.

Embora noutro tom, a Rússia continuou presente no nosso encontro, com a recomendação do Jorge para o livro de ficção de Montefiore, Saschenka. E muita pena tiveram os Rodistas já que ninguém conseguiu marcar presença na palestra que o autor deu em Lisboa este mês, para trocarmos uns comentários sobre o acontecimento 🤷‍♀️

A Célia destacou a personagem garrida que é Violette e o quanto isso a fez gostar de A breve vida das flores. E por falar em personagens que nos fazem gostar de um livro, as cidades também o são e é o caso de Lisboa em A cidade do medo que foi a escolha da Isaura que muito apreciou o ambiente ali criado por Pedro Garcia Rosado.

A Cristina Delgado sugeriu Acolher de Klaire Kegan que tem sido por várias vezes destacada nos nossos encontros, tanto, que já pensámos em pedir-lhe, por petição, mais 200 páginas em cada livro e isso abre lugar a umas risadas soltas e a mais um debate: há livros que estão feitos para serem lidos e relidos? É essa a vida eterna dos livros?

Entre os eternos andou a Cristiana (ou seja, eu) enquanto lia e desconfiava de tudo o que lia em Pedro Páramo e a culpa foi de Alberto Manguel quando referiu que Baiôa sem data para morrer lhe fez lembrar a incontornável obra de Juan Rulfo. As semelhanças são bastantes, mas o além em que se passa esta novela mexicana causa um assombro diferente, porém o nosso Alentejo tem um lado humorístico, mesmo que trágico que elevam o livro de Rui Couceiro.

Ainda entre o que é eterno e diríamos até obrigatório são as RAZÕES PARA VIVER que captaram a atenção de todos, talvez essencialmente por serem um elenco de pequenas coisas que nos fazem falta e nos fazem bem e por trazer uma mensagem de esperança que vem mesmo a calhar para a época de recta final de mais uma volta ao sol. Obrigada Renata pela sugestão e pela leitura.

E sem mais demoras, as ofertas de natal que só por si acrescem mais capítulos a esta conversa, mas agora só anda à Roda em Janeiro. Em festa, outra vez!