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Roda Dos Livros

Encontro de Outubro

Roda Dos Livros, 28.10.23

Afinal o Verão só termina quando a hora muda. Tá dito! Mas mesmo assim, já existem uns lencitos pelo pescoço, uma ou outra manga a tapar o braço e as encaloradas do costume ;) Ainda assim já tivemos uns dias de chuva e por isso mesmo abriu a época dos livros de colorir.

A Roda de Outubro não se ficou só por maratonas feitas com lápis de cor, fez-se de leituras com temáticas bem menos coloridas: suicídio, depressão, eutanásia, tortura, perseguições e homicídios, guerra, religião, revoluções e geografia, doenças mentais e segregação, linchamentos, invasões, feminicídio, racismo e infância perdidas. Violência!

Como não! Temas como estes são o roteiro do dia a dia de mais de metade da Humanidade. Outros são preocupações actuais de todos. Por isso, enquanto agradecemos a liberdade, a estabilidade, a saúde, a amizade e a alegria, entre tantas coisas mais - privilégios, que ditos dessa forma já parecem soar a clichê, mas que nos dão pelo menos a hipótese de nos sensibilizarmos e tentarmos compreender melhor. Por isso, certas temáticas persistem e são transversais a muitas das leituras discutidas nesta tarde.

Com um certo calor e impetuosidade a Cristiana e a Vera debatiam se O Regresso dos Andorinhões tinha ou não um personagem entediante e cansativo. Repetitivo. A Vera entendia-o, justificava-o apontando à maioria, a Cristiana acusava cansaço dos relatos ácidos, embora porventura com algumas confissões e passagens muito boas, mas... mas são 800 páginas e é uma saga muito grande. A discussão valeu à Sofia ficar curiosa com o personagem e achar de antemão que vai ficar fã do mesmo.

A Cristiana torceu o nariz, confirmou que ia dar uma pausa e trocou umas ideias de estratégias de colorir com a Célia 😇🙃 e rapidamente mergulharam entre desertos e piscinas (juntamente com a Joana) concordando com outras sugestões. Como foi o caso de A Piscina que continua a reunir recomendações. Ou o clássico de Dino Buzzati, O Deserto dos Tártaros que, quer se gosto muito, se fique arrebatado ou entediado, o certo é que não deixa ninguém indiferente. Tal como o Coisas de Loucos, novamente referido e o livro póstumo de Lara Vaz Pato, Uma Mulher com Cancro, um Psicólogo e uma Virgem Entram num Death Café, que tem rodado bastante e sido repetidamente recomendado e trazendo outros livros associados como é o caso de Amor e Perda de Amy Bloom.

Camilla Grebe e Andrea Abreu com, O diário do meu desaparecimento e Pança de burro, respectivamente, começam a ganhar adeptos, bem como As Árvores de Percival Everet. Já para não falar do aclamado livro de Rita Cruz que conquista cada leitor. O mesmo parece vir a acontecer com Revolução, a sugestão da Renata que com muito gosto e leu e apreciou o roteiro musical que Hugo Gonçalves conseguiu no seu último livro.

Entre sugestões de livros surgem algumas opiniões e dúvidas o papel da lentidão na leitura, aquela que se pretende por estarmos a saborear o livro, a querer que o enredo dure e nos acompanhe ou mesmo quando o livro exige por ser denso e complexo por contraponto à lentidão provocada por um livro que nos cansa e entedia.

Não há consenso e as sensações e efeitos da leitura são díspares e cada rodista tem lá as suas ideias. Entretanto já as conversas dispersaram e umas falam de maratonas, das de correr mesmo 😇🤣, enquanto outras voltam ao arreliante tema das traduções, pior ainda, do aportuguesamento do PT do Brasil e do quanto é descabido e fala-se em soluções, em micro dicionários em formato marcador.

Como se já não estivessem suficientes temas em aberto, a Ana Borges ainda pergunta: quais são as melhores autoras para entrar no universo da literatura nipónica. E puff, saltam nomes como pipocas, aquelas que teimam em resvalar do topo da pirâmide que sai fora do balde, já por si enorme e nós - sem vergonha nenhuma - caminhamos de cabeça erguida a largar pipocas corredor afora.

E deixamos caídos alguns nomes: Yoko Ogawa, Hiromi Kawakami, Mieko Kawakami, Han Kang, Sayaka Murata ou Xiaolu Guo.

Saltando de roda em roda é o caso de Claire Keegan seja com Acolher ou Pequenas Coisas como Estas.

Ainda houve tempo para mais umas pipocas, desta feita com novidades policiais onde os nórdicos sabem fazer magia e outro tipo de page turners com a Ana Borges a dizer-nos o quanto gosta da capacidade de Fredrik Backman se reinventar a cada livro e há sempre uma rodista ou outra que gostou de um livro dele.

Ainda houve tempo para voltarmos a Um Detalhe Menor pelos mais variados motivos e entre a Cristina, a Patrícia e a Cristiana termos dado atenção a detalhes tão diferentes aquando da leitura e que nos sensibilizou com tantas nuances. E a Cristina pergunta: é possível lermos um livro que está preso a detalhes políticos e mesmo assim não pensarmos nesse lado?