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Roda Dos Livros

Frente a frente 😊 1º Encontro presencial de 2022

Roda Dos Livros, 18.09.22

"O normal é um conceito ilusório", a frase não nos pertence mas foi o que melhor que se retirou de um policial badalado e assenta que nem uma luva ao hiato pandémico que nos afastou. Mas, e felizmente há sempre um "mas", os encontros presenciais ganharam lugar na agenda e um novo poiso.

2022 arrancou tarde, mas arrancou. É isso que importa!

Entre o último encontro presencial e este - os pequenos encontros na Feira não contam ;) foram mais para gordices que para falar de livros - distam mais de dois anos e embora tenham existido vários encontros online, foi unânime: uma Roda assim já nos fazia falta. Muita falta. Por isso, passados os preâmbulos iniciais e algumas ideias para encontros futuros, foi uma tarde como tantas outras, uma Roda à antiga: rir, rodar livros e fazer sugestões.

Algumas leituras tocaram nos temas da actualidade pela forma como a política está presente na literatura, como apelam à memória e nos pedem reflexão. Outras fugiram para universos alternativos e fantásticos ou enredos mais psicológicos e detectivescos, mas prevalece a ficção e alguns autores mais estimados. E uma ou outra novidade incontornável. Sem esquecer, é claro, as criticas aos diversos livros começados... apenas começados ;()

A Ana deu destaque ao "O ano do pensamento mágico", mas a novela gráfica, «A Casa» de Paco Roca, «Daisy Jones & The Six» de Taylor Jenkins Reid ou «A Pediatra» de Andrea del Fuego são também boas apostas.

A Sofia destacou a construção das personagens conseguida por Sally Rooney nos seus romances, explicou-nos algumas teorias associados ao livro de Nella Larsen que regressa à segregação racial no Harlem de 1920, mas a sua escolha recaiu, e tinha que recair, na obra de Richard Zenith, elevando mais ainda o estatuto de incontornável de Fernando Pessoa.

«A breve vida das flores» promete pôr-nos a todos a olhar para os cemitérios (e se calhar para os vizinhos) com outro olhar e foi a escolha da Isa juntamente com «Canção Doce», trazendo Leila Slimani novamente à discussão, já que é um livro bastante recorrente. Tal como aconteceu com o Jorge ao recordar a leitura de «Os últimos dias dos nossos pais» que para alguns de nós é o melhor livro do aclamado Joël Dicker. Entre as últimas descobertas e que também já reúne consenso está Paulina Chiziane, a quem se atribui uma escrita crua mas tocante, revelando África e a mulher como força motriz, a escolha do Jorge foi «Niketche».

Mais focados na reflexão e na denúncia, na critica social, política e económica, temos diferentes tons de análise ao que nos rodeia nas escolhas da Fernanda, da Renata e da Márcia com «O Bom Fascista», as crónicas de Eduardo Galeano e o relato cru e vívido de Jack London, respectivamente.

A Vera deu destaque a «Bolo Negro», mas comentou diversas das outras sugestões e tem sido recorrente surgir a recomendação de «Em todos os momentos estamos vivos» também referido pela Ana. Neste caso, o luto também surgiu em outras leituras e a discussão caiu precisamente sobre as diferentes abordagens e a forma como são (ou não) capazes de nos emocionar. E um livro com essa capacidade que suscitou debate foi «Cadernos da Água» de João Reis que nem sempre tem conseguido reunir consenso entre os rodistas, no entanto, este está a ser uma recomendação recorrente.

A Cris regressou a Millás e a Kundera, gostando da forma como os autores revisitam temas e revelam preocupações. Destacou ainda «O meu nome é Eilleen» de Otessa Moshfegh que cruza uma solidão angustiante. E as solidões cruzam-se, como se os livros se ouvissem: Elena Rincón a mulher que se persegue e vigia a ela mesma, é uma personagem deliciosa de Juan José Millás em «Assim era a solidão». E não se inibiu de recomendar (já nem sabe quantas vezes) a leitura de «Gente Ansiosa» de Frederick Bachman, salientando que evitem a série.

A velha questão das adaptações também costuma ser assunto e neste encontro não foi excepção, mas sem dúvida que o destaque, seja em livro ou em filme, foi «A balada de Adam Henry» do brilhante Ian McEwan.

Foi um bom regresso!