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Roda Dos Livros

Encontro de Dezembro

Roda Dos Livros, 23.12.20

A Roda dos Livros reuniu mais uma vez em formato virtual e fez os possíveis para juntar a habitual pilha de sugestões, entre outras recomendações.

Márcia Balsas terminou «Terra Alta» do qual destaca a eterna luta do bem e do mal, vivida num personagem inquietante e que a fez gostar muito deste mais recente livro de Javier Cercas. Livro esse que para quem leu é unanime e uma sugestão já repetida.

A Isaura destaca «Apneia» de Tânia Ganho, sublinhando o que já foi dito por outros rodistas: uma leitura intensa tanto pelo tema que aborda, como pelo modo como a autora encontrou para o descrever. E destaca também um romance com contornos de thriller, «Jantar secreto», macabro e viciante como o anterior livro de Raphael Montes. Leu também «Uma pequena sorte» que salienta ter sido uma boa surpresa, por o enredo se encaminhar numa direcção que o leitor não espera.

Ana Marques recomenda Katrine Engberg e o seu «A Inquilina», marcando um bom registo dentro do género do policial, bem como «O Intruso» do mestre Stephen King e deve ter sido aqui que também se falou de série, filmes e outras recomendações. Ainda assim a sua sugestão não podia deixar de ser o novíssimo livro de um dos nossos escritores favoritos, João Tordo. «A Felicidade» traz novamente e ainda mais: a tristeza, a melancolia e a neurose em todo o seu esplendor, regressando assim ao universo tão negro (mas apreciado) do autor, equiparando-a à negritude de «O luto de Elias Gro»

A Vera e a Cristina fizeram um constante baile de referências, recordando uma à outra vários títulos lidos e de onde destacam a escrita de Ana Cristina Silva e João Pinto Coelho e Norberto Morais, cada um com o seu registo bem demarcado e de onde destacam vários livros. A Vera recomenda assim a leitura de «A Balada do medo» e voltou a recomendar «Um Tempo a Fingir» e a Cristina optou por uma das suas temáticas predilectas, os testemunhos reais da segunda Grande Guerra, desta vez com o livro «Nevoeiro em Agosto».

A Paula Dias, a Célia e a Sofia, voltaram a trazer à conversa o quão delicioso e bem conseguido é o livro «Mary John», como quase um tratado sobre a adolescência.
A Célia destaca ainda «Manuel de sobrevivência de um escritor» considerando assim que Tordo a conquistou e que irá ler alguns livros deles. Está actualmente a ler e a ser surpreendida, novamente, por James Baldwin e o seu «O quarto de Giovanni». Já a Paula dá como sugestão o incontornável «Sempre vivemos num castelo»

A Sofia como maratonista que é, leu imenso e andou muito entretida com contos de todos os géneros e feitios e por isso destaca João Tordo, Isabela Figueiredo, Nuno Camarneiro e o Afonso Reis Cabral. E ainda, o conjunto brutal de contos que é o «Estou viva, estou viva, estou viva», de Maggie O'Farell que funcionam como uma chamada de atenção e um alerta para a gratidão e o dar valor a pequenos momentos.
Outro livro que poderá funcionar como uma compilação de contos são as narrativas que descrevem «Olive Kitteridge» de Elizabeth Strout, no entanto, os anteriores livros da autores cativaram-na mais. A sua sugestão é mesmo a poesia de André Tecedeiro que com poemas curtos, mas muito incisivos lhe têm captado a atenção.

A Fernanda no seu habitual multitasking que entre malhas e agulhas, dá destaque à biografia de Laura Esquivel e uma outra de Isabel Allende, afirmando que a não ficção a tem agarrado mais, nestes tempos em que todos acusamos alguma falta de foco e concentração para continuar certas leituras.
A sua sugestão é já repetida, mas que lhe faz todo o sentido pelos ensinamentos e dinâmicas de relamento, reflexão e meditação que integram "Pensa como um monge" de Jey Shetty.

A Patrícia falou de Rodrigo Guedes de Carvalho, outro repetente dos nossos encontros, mas assume que teve alguma dificuldade em avançar num dos primeiros romances do autor, «A Casa Quieta».
Um dos seus destaques foi «O Espião Israelita», mas a sua sugestão é mesmo uma das últimas novidades no mundo do fantástico, com mais um livro da saga criada por Brandon Sanderson de quem também a Célia é uma fã dedicada.

A Cris Rodrigues destacou a magia e a delícia que é «O menino, a toupeira, a raposa e o cavalo» que já a Cris Delgado, a Vera ou a Célia tinham referido. É um livro cheio de frases simples que apelam a uma pausa e reflexão, podendo e devendo ser lido por miúdos e graúdos.
Rachel Cusk podia ser a sugestão deste mês, seja pelo início da trilogia com «A Contraluz» seja pelo anterior «Arlington Park», a escrita escorreita e viciante de Cusk celebram uma forma peculiar de apresentar e descrever personagens e situações.
No entanto, a sugestão deste mês é o caótico e insólito «Sempre estrangeira» de Claúdia Durastanti pela forma desapegada com que narra fragmentos de vidas também elas fragmentadas pela violência e o desenraizamento familiar, tendo sido a maior surpresa a par com os contos de Cláudia Andrade.

BOAS LEITURAS & BOAS FESTAS