Encontro (virtual) de Novembro

"Só temos alegrias se as repartirmos: a felicidade nasceu gémea."
George Byron
Gémeo nasceu também o acto de falar sobre livros e partilhar emoções e detalhes sobre as mais recentes leituras, por isso, é imperativo continuar a reunir mesmo que os encontros sejam virtuais.

No passado sábado, alegrando o fim de tarde de mais uns quantos confinados, a Roda dos Livros reuniu, falou, especulou e empilhou, a pilha possível através de um ecrã, deixando mais umas quantas sugestões, entre outras considerações.
A Ana Marques destacou "Isto vai doer", sugestão já anteriormente falada na Roda e sugeriu também, "Estou viva, estou viva, estou viva" e um título infanto-juvenil, "A sopa queima".
A Cris Delgado, entre várias outras leituras, sugeriu «Vardo», um thriller baseado em factos verídicos, sublinhando que deveria ser um livro mais falado, seja pelo conteúdo seja pela forma como está escrito.
A Sofia destacou a estranheza e as dúvidas que ficam após a leitura de "Sempre vivemos num castelo", sendo um dos livros recorrentes nos encontros da Roda e onde a narrativa suscita sempre as mais variadas interpretações, tornando Shirley Jackson uma das nossas favoritas. Mas a sua sugestão deste mês é a novela gráfica de Ana Pessoa, «Mary John», como uma leitura cativante e essencial sobre a adolescência.
A nossa viajante, Ana Borges, andou, como de costume, navegando por páginas que nos levam a outras latitudes, mas também ficou rendida a páginas e páginas de policias. No entanto, o seu destaque teve mesmo de ser para «Escrever» de Stephen King, que para quem já leu é unânime: é um livro que merecer ser lidos, sejamos ou não leitores assíduos deste mestre da literatura do suspense.
A Renata e a Márcia, reforçaram e muito, a necessidade de avançar no «rapariga, mulher, outra» para se descobrir o brilhantismo e tudo o que de importante e bom há na narrativa de Bernardine Evaristo. Ambas, destacaram ainda e em total concordância, a escrita de Paulo José Miranda e o seu mais recente livro, «Aaron Klein». A Márcia deixou ainda a dica para «Impostor» de Javier Cerca, de quem anda a ler, «Terra Alta».
As leituras dos rodistas andam cruzadas e com muitas parecenças e por isso «Apneia» de Tânia Ganho foi outro dos mais lidos e destacados e é a sugestão da Paula Dias, mas também podia ser a da Cris Rodrigues, se não andasse perdida pelos contos, «Quartos de final» de Cláudia Andrade.
Ainda nas leituras repetidas e muito apreciadas, que conquistam cada vez mais leitores, surge «Rebecca» de Daphne du Maurier, que o Jorge Galvão repetiu e que a Cris Rodrigues também leu este verão e se apaixonou, compreendendo finalmente a constante referência a esse livro por rodistas como a Isabel Castelo Branco.
A Vera Sopa trouxe para a discussão «Consentimento» de Vanessa Springora, que vários rodistas leram e destacaram pelas questões que levanta tal narrativa. Ainda assim a sua sugestão é o mais recente título de João Pinto Coelho, «Um tempo a fingir», autor bastante repetido entre as leituras desta comunidade. Com a Vera falou-se ainda de «Olive Kitteridge», e das emoções maiores que os contos unem até nos darem uma caracterização de personagem intensa que Elizabeth Strout construiu. A Vera, a Cris e a Márcia recomendam muito esta leitura, bem como o visionamento da série que lhe é gémea em muito aspectos, mas surpreenderá o espectador em tantos outros.
A Joana Fernandes anda divida entre grandes sagas de não ficção e como tal não podia faltar a referência a «Sapiens» que tem arrecadado tão boas críticas e agarrado tantos leitores.
As sugestões voltam em dezembro para fechar este ano híbrido e atípico.