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Roda Dos Livros

Encontro de Março

Roda Dos Livros, 29.03.18

«Depois do prazer de possuir livros, não há outro que seja mais doce do que falar deles.». A afirmação é de Charles Nodier, citado por Jacques Bonnet no livro «Bibliotecas Cheias de Fantasmas», uma preciosidade para amantes de livros, leituras e claro, clubes de leitores.E como é hábito, mas também cada vez mais por necessidade, a Roda reuniu mais uma vez, em alegre e doce ajuntamento.

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As trocas de sugestões e de ideias são constantes. As novidades estão facilmente em cima da mesa, mas os clássicos e os autores de renome também marcam presença assídua. Os contos ganham mais e mais espaço, as biografias, as novelas gráficas e nesta reunião até um dicionário queirosiano e uma revista, para nos dar a conhecer o conceito de Slow Jornalism. A Roda está cada vez mais cheia de vida.

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SUGESTÕES DE LEITURA * MARÇO

Catarina Graça - "The Delayed Gratification" de Julho, Agosto e Setembro de 2017Ana Borges - "A praia dos afogados" de Domingo Villar e "A árvore das palavras" de Teolinda GersãoPatrícia Cavaco - "Jane Eyre" de Charlotte BrontëCélia Marteniano - "A revelação de Sobo" de Robin HobbCris Rodrigues - "Todos os dias são meus" de Ana Saragoça e "Viagem ao sonho americano" de Isabel LucasRui Gonçalves - "O Livro do Desassossego" de Fernando PessoasSónia Maia - "Estado de Guerra" de Clara Ferreira AlvesCris Delgado - "Dei o teu nome às estrelas" de Rui Conceição SilvaJorge Galvão - "A última viúva de África" de Carlos Vale FerrazVera Sopa - "Perdido e Achado" de Stephen KingMárcia Balsas - "Cavalo pálido, pálido cavaleiro" de Catherine Anne PorterPaula Dias - "Bom Dia, Tristeza" de Françoise SaganRenata Carvalho - "Pescadores" de Raul Brandão

«A fé de um escritor» de Joyce Carol Oates :: Opinião

Roda Dos Livros, 22.03.18

«Uma afinidade com o riso, o perigo, o mistério, uma certa inquietude da alma; uma ânsia de desassossego... estes são alguns dos ingredientes da personalidade dos escritores... mas, neste magnífico livro, Oates dá-nos algo maior, muito mais próximo da fé.»Los Angeles Times

Oates dá-nos a vontade de sair a correr em busca de inspiração ou aguardando que o resultado do esforço nos dê o encaixe certos das ideias. Oates dá-nos também a certeza de que a secretária está bem posicionada e que parte da meditação à janela é a melhor forma de encetar uma tarde entre livros e a escrita. Oates dá-nos ainda mais quando esmiuça o génio, a arte, a técnica, a resiliência e a solidão que o ofício da escrita e até da leitura exige.Numa análise que se expande desde a infância à idade adulta, Oates recorda a doentia inspiração vinda de Poe, o imaginário mundo de Lewis Carol, a importância de aceitar os impulsos que desde cedo formatam o escritor. É importante seguir imaginando, sonhando e idolatrando tantos outros escritores; mestres desse ofício solitário e tantas vezes incompreendido. Um ofício romântico, podendo estar condenado ao fracasso e certamente condenado à revisão constante e ao escrutínio da avaliação alheia."Todos os escritores - todos os artistas - podem ser classificados como românticos, atendendo a que o próprio acto de criar, e se importar o suficiente a fim de criar, é um gesto romântico. O que começa por ser uma brincadeira de criança acaba, (...) maravilhosamente, como uma «vocação», um «chamamento», um «destino» (...) Contudo, as origens da pulsão permanecem tentadoramente misteriosas, e nós não as compreendemos melhor do que compreendemos os nossos sonhos."Esta «vocação» precisa contudo de percorrer o íngreme calvário da criação. Alertando Oates para o facto de o fracasso e o sucesso caminharem muito próximos e facilmente entrarem em conflito. O escritor entrega-se a décadas de esforço, ao serviço de um ideal «transcendental» evasivo, que, em todo o caso, o mais certo é ser mal compreendido ou dificilmente apreciado!?É capaz. Mesmo sendo apreciado nada garante que o tão desejado «ideal transcendental» é atingido e reconhecido, mas a fé de um escritor é essa mesmo, a de seguir acreditando e aprendendo a aceitar os contornos do fracasso, amadurecendo ideias, personalidade e inspirações, até ao ponto de ser capaz de dar corpo à visão."A própria escrita torna-se então o difícil esforço para conseguir sopesar a «importância» - fazendo com que as palavras correspondam à visão. (...) o amadurecimento de qualquer obra de arte não pode ser controlada, excepto nos seus aspectos mais pormenorizados. Quando encontramos a «voz» de um romance, essa voz torna-se hipnótica, violentadora, absolutamente inexplicável."Sopesar o poder dessa «voz» nem sempre é fácil e Oates partilha dessa dificuldade, dessa pulsão com outros autores que são para ela de destaque e estudo."Porquê a necessidade, nalguns levada quase ao nível da compulsão, de confirmar a experiência através da linguagem? (...) Para Nabokov, (...) Proust, Woolf, Flaubert; sem sombra de dúvida James Jayce - a experiência em si só é autêntica a partir do momento em que foi transcrita para a linguagem: o escritor concede o imprimátur ao seu (histórico) eu através da escrita."Chegar à decisão do que é que pode ser impresso é prova vida da personalidade (vagamente!?) conflituosa que habita o «eu» e o «escritor», num complexo processo de vozes e num complexo maior ainda de desespero e vaidade, exigência e perfeição, no qual o escritor incorre no risco de paralisia: "O próprio fenómeno psicológico da paralisia pode no entanto conhecer, em teoria, uma reviravolta graças ao engenho; quando uma pessoa se confronta com as dificuldades da escrita, confronta-se ao mesmo tempo com as condições humanas universais (...)"Difícil, mas tão humano e necessário é o sentimento de compaixão para que o escritor não perca a sua fé!"Tenho de contar é o primeiro pensamento do escritor; o segundo pensamento é: Como é que vou contar isto? Através das nossas leituras, descobrimos como são variadas as respostas a essas questões; como têm a marca da personalidade de um indivíduo. Porque é na relação que se estabelece entre a visão pessoal e o desejo de criar uma visão comum pública que a arte e a técnica se confundem"

Roda dos Livros - sugestões de Fevereiro de 2018

Roda Dos Livros, 06.03.18

 

 

 

IMG_20180224_171602Depois de mais uma tarde bem passada à volta de uma mesa cheia de livros aqui ficam as sugestões de Fevereiro:

Cristiana - "O Diário Secreto de Hendryk Groen aos 83 anos e 1/4

Ana M. da Silva - "A praia dos afogados" - Domingo Villar

Jorge T. - "O livro do riso e do esquecimento" - Milan Kundera

Jorge G. - "O último dos nossos" - Adelaide de Clermont-Tonnerre

Vera - "Louca" - Chloé Esposito

Cristina - "Nem um som" - Heather Gudenkauf

Célia - "Manual para mulheres de limpeza" - Lucia Berlin

Renata - "O eco das cidades vazias" - Madeleine Thien

Isaura - "Uma mulher desnecessária" - Rabih Alameddine

Ana B. - "A história de uma serva" - Margaret Atwood

Patrícia - "Pecados Santos" - Nuno Nepomuceno