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Roda Dos Livros

O Livro da Alegria – Dalai Lama, Desmond Tutu com Douglas Abrams

Roda Dos Livros, 30.04.17

9789898855107Na Roda temos, vários de nós, um hábito curioso... assinalar as passagens preferidas com post-its... e, por graça, acabamos muitas vezes a “medir” o quanto gostamos de um livro pela quantidade de post-its que dão cor às margens das folhas...

E há livros sobre os quais é muito difícil opinar...

“O Livro da Alegria” é, para mim, paradigmático das duas situações... é um livro cheio de cor, tantas as passagens que assinalei, e é um livro sobre o qual estou com séria dificuldade de passar a escrito a minha opinião...

Quase poderia ter selecionado o livro de fio a pavio em passagens e frases que destacaria.

Este é, facilmente, um livro que não hesito recomendar a todos sem exceção. Um livro sobre crescimento interior, sem fórmulas mágicas, que responde a muitas das questões que me coloco. Um livro que não versa sobre nenhuma religião, mas antes sobre filosofia de vida e sobre a alegria, na certeza de que a tristeza e as dificuldades fazem parte da vida e não há como fugir-lhes, a forma como as encaramos e enfrentamos e que faz a diferença.

Um livro que pode inspirar se nos quisermos deixar inspirar por ele. Tudo está apenas e só nas nossas mãos.

 

Excertos

“A dor é inevitável; o sofrimento é opcional” (p. 48)

“Existem quatro circuitos cerebrais independentes que influenciam o nosso bem-estar duradouro, explicou Richard Davidson (neurocientista). O primeiro é ‘a nossa capacidade para manter estados positivos’. (...) O segundo circuito é responsável pela ‘nossa capacidade para recuperar de estados negativos’. (...) O terceiro circuito, também independente mas essencial para os outros, é a ‘nossa capacidade para nos focarmos e evitarmos a divagação da mente’. O quarto e último circuito é ‘a nossa capacidade para sermos generosos’. (...)” (p.65)

“(...) Shantideva: se existir uma forma de ultrapassar uma situação, então, em vez de sentirem demasiada tristeza, demasido medo, ou demasiada raiva, façam um esforço para mudar a situação. Se não houver nada que possam fazer para mudar a situação, então não há necessidade de medo, nem de tristeza, nem de raiva. (...)” (p. 162)

“(...) nas nossas vidas baseadas em ter coisas e em gastar dinheiro, a compaixão é, no melhor dos casos, um luxo e, no pior, uma parvoíce contraproducente dos fracos. Contudo, a ciência da evolução vê hoje a cooperação e as suas emoções essenciais da empatia, da compaixão e da generosidade como fundamentais para a sobrevivência da nossa espécie. (...)” (p. 242)

 

Sinopse

Como encontrar alegria num mundo em constante sofrimento?

Esta é a questão intemporal a que se propuseram responder dois grandes mestres espirituais do nosso tempo: Sua Santidade o Dalai Lama e o Arcebispo Desmond Tutu. Ambos viveram vidas tumultuosas e repletas de sofrimento, mas foram capazes de descobrir a paz, a coragem e a alegria a que todos podemos aspirar. A sua coragem, resiliência e esperança inabalável na humanidade inspiram milhões de pessoas em todo o mundo.

Por ocasião do aniversário de Sua Santidade, estes dois grandes amigos encontraram-se na Índia. Durante uma semana marcada pela boa disposição, refletiram sobre as suas experiências e partilharam a sua sabedoria sobre como viver com alegria perante todas as adversidades que se nos colocam. São estes ensinamentos que agora podemos encontrar nesta obra inédita, assim como um conjunto de exercícios práticos que visam ajudar os leitores a superar os obstáculos à alegria e a alcançar uma felicidade duradoura. Alguns desses exercícios são práticas que o Dalai Lama e o Arcebispo Tutu usam diariamente e que constituem âncoras das suas vidas emocionais e espirituais.

Um livro único em que dois galardoados com o Prémio Nobel da Paz partilham com o mundo os seus pensamentos, crenças e espiritualidade.

 

Nascente, 2017

Livro da Alegria

Roda dos Livros - sugestões de Abril de 2017

Roda Dos Livros, 23.04.17

Pilha_livros_22.04.17

Numa tarde de Primavera que mais parecia de Verão, a Roda dos Livros voltou a encontrar-se para uma sessão de conversa animada em redor dos livros. O resultado foi esta pilha, muito variada, de sugestões interessantes :

Márcia: "Rapariga em guerra" de Sara Novic e "Persépolis de Marjane Satrapi

Rui: "A trégua" de Mário Benedetti

Ana: "A vida em surdina" de David Lodge e "Manual para mulheres de limpeza" de Lucia Berlin

Célia: "O poder das pequenas coisas" de Jodi Picoult

Isabel: "A arte da alegria" de Goliarda Sapienza

Sónia: "A construção do vazio" de Patrícia Reis

Vera: "Deus não mora em Havana" de Yasmina Khadra e "O leitor do comboio" de Jean-Paul Didierlaurent

Renata: "Reino do Amanhã" de J.G. Ballard e "O livro de areia" de Jorge Luis Borges

Cris: "A escada de Istambul" de Tiago Salazar e "O paraíso segundo Lars D." de João Tordo

O Leitor do Comboio - Jean-Paul Didierlaurent

Roda Dos Livros, 14.04.17

Ler no comboio (ou em qualquer local) é perfeitamente normal, na verdade é essencial, para quem gosta de livros.

Guylain Vignolles lê em voz alta, todos os dias, durante o percurso de comboio. As suas leituras têm a particularidade de não terem qualquer seguimento, são textos avulsos sem ligação que vai lendo sentado sempre no mesmo lugar, o banco solitário e desdobrável no fim dos outros lugares. Guylain foi-se tornando, à medida que eu avançava na leitura, uma espécie de herói. Talvez pela sua simplicidade ou pela forma como encara o dia a dia, ou ainda pelos motivos das suas atitudes. São muitas as analogias que esta narrativa tece com a realidade profissional de uma grande maioria das pessoas, desde a sensação de vazio, passando pela falta de realização profissional e, claro, a dificuldade de se relacionar com as chefias e com os colegas de trabalho, devido ao constante acotovelar para se ser o melhor (mesmo que isso signifique ser muito pior pessoa) aos olhos de quem manda.

Uma escrita simples, mas que toca no cerne das questões, que me deliciou ao mesmo tempo que me ía acordando para os sentimentos mais pessoais de Guylain, tantas vezes semelhantes aos meus, na verdade penso que semelhantes a qualquer um de nós.

Guylain trabalha numa fábrica que destrói livros. O seu acto de rebeldia é salvar algumas páginas por dia, que lê em voz alta no comboio. Essas leituras proporcionam-lhe um caminho novo na sua vida solitária, que, até então apenas partilhava com um peixinho de aquário. E um dia (porque há sempre um dia que na vida e nas histórias muda tudo) encontra um objecto que lhe proporciona outras leituras, outras descobertas, e um caminho sem volta na solidão. Porque a verdade é que estamos todos cada vez mais sós, e parece que é preciso que aconteça algo inesperado ou surpreendente para encarreirarmos no caminho essencial das ligações humanas.

O Leitor do Comboio mostra, com ternura e simplicidade, que, se calhar, não estamos no caminho certo.

Gostei bastante.

Sinopse

“O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.O Leitor do Comboio revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que as personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia quotidiana. Herdeiro da escrita do japonês Haruki Murakami, dotado de uma fina ironia que faz lembrar Boris Vian, Jean-Paul Didierlaurent demonstra ser um contador de histórias nato.”

Clube do Autor, 2017

Tradução de Inês Castro

O Czar do Amor e do Tecno

Roda Dos Livros, 01.04.17

Francamente, não percebo, como livros menores são amplamente divulgados, enquanto um livro excelente não há um maior cuidado com a imagem e é quase inexistente.Não gosto da capa. Mas gosto cada vez mais de ler contos e este é talvez o meu preferido.

O livro tem um lado A, com quatro contos, e um lado B com mais quatro, e no meio um intervalo preenchido pelo conto que dá nome ao livro. Várias personagens são comuns e as tramas cruzam-se e completam a panorâmica que vai desde a Rússia Estalinista até aos nossos dias, com foco na  Chechénia. Não são contos "bonitos". As vidas que retratam são de um sensibilidade e beleza diferente que nos marca. Que incomodam mas convencem. Não estão muito longe do que sabemos mas não queremos ler, ou sequer pensar.

Começa com o artista corretor, um oficial da propaganda, um cidadão soviético que introduz o rosto do traidor Vaska, seu irmão, em segundo plano porque "o mal nunca será remediado e os Vaskas acrescentados à arte nunca compensarão o Vaska subtraído à vida". (pag. 43) Ficou conhecida como a assinatura do censor anónimo que mais tarde uma talentosa restauradora de arte chechena persegue num outro conto. Uma bailarina espantosa com quem foi acusado de conspirar foi a queda deste artista e das vidas que lhes sucederam num paisagem pós-apocalíptica e tóxica, porque lhes foi ensinado que "Estaline foi um gestor eficaz que agiu de maneira completamente racional" e que os campos de trabalhos forçados no Ártico constituiram "uma parte crucial do projeto de Estaline para fazer do país uma grande nação". (pag.96).

Tanto para descobrir nestes contos, como o que se passa no metro, ou melhor, no Palácio do Povo, como lhe chamavam, poque se destinava não a czares ou princípes mas a pessoas comuns. Mas o melhor mesmo, é ler sem nada perder.

Sinopse:

Em 1937, um promissor pintor de Leninegrado vê-se reduzido à tarefa ingrata de "apagar", de pinturas e fotografias, os dissidentes do regime soviético. Entre os inúmeros rostos que faz desaparecer, está o do seu próprio irmão, condenado à morte.

Na atualidade, uma historiadora de arte dedica-se a estudar o mistério que se esconde na obra desse censor. Nas centenas de imagens que alterou, ele introduziu obsessivamente um rosto. Quem foi essa figura anónima, a um tempo dissimulada e omnipresente na História da Rússia?O segredo do criador de rostos atravessa décadas e fronteiras e confunde-se com a memória do país. Cruza as trajectórias de uma bailarina caída em desgraça, espiões polacos, mercenários, um aprendiz de mendigo, uma beldade siberiana, e até um lobo. E como pano de fundo, uma cidade com um lago de mercúrio, um céu sem estrelas e uma floresta de plástico.Um livro profundamente original, que nos leva de S. Petersburgo aos confins da Sibéria e à Chechénia, e consolida Anthony Marra como um dos jovens escritores americanos mais aclamados da atualidade.