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Roda Dos Livros

A Cifra, de Mai Jia

Roda Dos Livros, 30.06.15

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Há poucos livros com uma capa mais fantástica do que esta. Infelizmente é enganadora. Há poucas sinopses tão interessantes quanto esta. Infelizmente é enganadora. Tirando isso gostei bastante do livro.

Comprei-o pela capa. E pela sinopse.

Gostei pela escrita.  Pelas palavras, pelos personagens. Apesar destes serem pouco explorados. Na realidade e por conhecermos o personagem central (o único que realmente interessa) apenas pelas palavras de terceiros quando ele é, nitidamente, alguém que não é passível de ser atingido por quem quer que seja, rapidamente percebemos que afinal temos que tentar decifrar o próprio livro.

Rong Jinzhen é um miúdo estranho (é inclusive levantada a hipótese de sofrer de uma ligeira forma de autismo) que é educado num amaldiçoado jardim de pereiras por um estrangeiro. É aqui, com as flores das pereiras, que aprende a contar. Quando acaba por ocupar o lugar a que tem direito por nascimento é reconhecido pelo seu tutor como um génio da matemática e o lugar passa a ser seu por mérito e talento (e onde está a justiça disso?). Confesso que esta parte do livro me fascinou. O autor consegue fazer-nos acreditar no génio e talento de Jinzhen. A relação deste miúdo autodidata  com um professor universitário, também ele um génio da matemática com aspirações ao estudo da inteligência artificial (estamos nesta altura no final da segunda guerra mundial), é super interessante. A ida de Jinzhen para uma unidade secreta onde se torna um herói como criptoanalista marca a segunda parte deste livro. E é aqui, quando pensava que a ação ia começar, que comecei a ficar um bocadinho desiludida (e a culpa é de ter lido a sinopse). Nem a matemática toma um lugar de destaque, nem as cifras o fazem. Mas não deixa de ser interessante acompanhar o destino de Jinzhen, a sua luta contra a Negra, o valor da amizade e da traição e a proximidade entre a loucura e o génio.

E é inevitável referir que, apesar de não considerar este um romance tipicamente Chinês (até porque, para ser sincera, não faço a menor ideia do que é isso), é possível aprender um pouco sobre a China do pós-segunda guerra mundial, da cultura que ainda hoje marca este país. Essas marcas estão lá, inevitavelmente.

E apesar de ter ficado um bocadinho desiludida com a história (e continuo a culpar a sinopse, feita apenas para vender) gostei imenso da escrita deste autor. Sem cair no facilitismo e na rapidez dos policiais e thrillers conseguiu manter-me interessada do princípio ao fim. Parece que este é o primeiro livro de uma trilogia. Vou ficar à espera da continuação.

O Caçador do Verão - Hugo Gonçalves

Roda Dos Livros, 28.06.15

o_cacedor_do_veraoBom, muito bom. Como gostamos e queremos que seja. Um romance que nos faça reviver outros tempos e outros lugares de boa memória e sem perder a noção do presente.

Um salto no passado, nomeadamente nos anos 80, para recordar dias marcantes de inocência e de sentido, no contacto com a família e com os outros que chamávamos de amigos, e simultaneamente o regresso ao presente no verão de um caçador que procura a tranquilidade de uma vida aprazível com moderados luxos e confortos, sem que sinta o apelo de agir para se fazer justiça. Um balanço de uma vida longe de terminar, em que a doença rondou os mais chegados e urge recomeçar.

Tempo que passa mas não passa em vão. Emoções à Flor da Pele que perpassa numa escrita enérgica, num crescendo de intensidade a percepcionar o final. Algumas emoções que partilhamos através desta leitura são vivências quotidianas ou exemplos próximos.

José é o narrador e protagonista desta historia onde o Avô tem um importante papel. Depois de um afastamento de anos, o encontro avizinha-se difícil mas uma alteração súbita do estado de saúde do avô adia a comunicação e precipita a reflexão, bem como a deslocação para o sul do País.

Um ir e vir do presente ao passado sem atrito e confusão, que tem algo de autobiográfico, como provavelmente acontece em tantos outros romances. Mais um escritor lusitano a registar para acompanhar. O fragmento que se segue, um tanto revela:

"José não podia deixar de pensar que, no século XXI, num país democrático, sem guerra, sem opressão, homens com mais de quarenta anos ainda lutavam pelo direito de ser outra coisa e buscavam a sua identidade, tal como em crianças combatiam as restrições que os adultos impunham ao movimento e `a velocidade. (...)
Todos faziam parte, mas todos tinham também uma vida contraria, uma força que se opunha ao instituído, uma procura que os desassossegava desde sempre e que jamais encontrava apaziguamento - nem nos casamentos, nem nas contas bancarias ou sequer nas famílias. Uma luta permanente entre a necessidade da ordem e as exigências do ego."          (pag. 86/7)
Sinopse:
Quando José é convocado pelo velho patriarca da família, com quem não fala há anos, a sua perplexidade é enorme e, por isso, inescapável a recordação do verão de 1982, em que o avô – nadador de longas distâncias e anticomunista fanático, a quem o cancro levou todas as mulheres – o foi buscar a uma aldeia algarvia onde a mãe o deixara com uma estranha, decidido a tornar-se o pai que ele nunca tivera.
Foi nesse verão que a perigosa quadrilha de Mancha Negra fugiu da cadeia, provocando uma caça ao homem sem precedentes que deixou o País em sobressalto; que José mergulhou da rocha mais alta e que foi atingido por um raio, julgando assim ganhar os superpoderes necessários para descobrir o paradeiro dos bandidos e resolver o mistério do desaparecimento da mãe; e que, na companhia de um rafeiro chamado Rocky e de três amigos extraordinários, viu nascer dentro de si uma força e uma ferida que, mais tarde, o levariam a tentar corrigir os males do mundo pelas próprias mãos. As memórias da vida numa mansão do Estoril, com o avô austero, uma tia devota e uma prima cúmplice, levam-no a regressar à serra algarvia 30 anos depois, para resgatar o que ficou dessas férias grandes, descobrindo, afinal, o que precisava de saber sobre si próprio.
O Caçador do Verão é um romance fascinante sobre a importância da família e da infância nas nossas vidas, que recupera um tempo em que Portugal se aproximava velozmente da Europa, com tudo o que isso tinha de grato e fatídico.

Roda dos Livros Sugestões de Leitura - Junho 2015

Roda Dos Livros, 28.06.15

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Uma tarde menos concorrida, em que só responderam à chamada Rodistas-mulheres. Num ambiente menos caótico do que o habitual, a proximidade de apenas duas mesas permitiu uma discussão mais intimista, não só sobre livros mas também sobre outros projectos e possibilidades delirantes. Porque a imaginação não tem limites, as nossas gargalhadas também foram ilimitadas. Quem não foi fez muita falta e Julho está aí à porta. É favor não faltar à chamada, boa? É que só dentro daquelas paredes é que poderemos partilhar tudo o que se falou.

Tomem lá notas destas excelentes sugestões.

Ana - O Luto de Elias Gro, de João Tordo;

Márcia - Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho;

Catarina - Lucky Luke;

Cris - Esta Distante Proximidade, de Rebecca Solnit;

Vera - O Caçador do Verão, de Hugo Gonçalves;

Renata - Milagrário Pessoal, de José Eduardo Agualusa;

Se eu fosse chão - Nuno Camarneiro

Roda Dos Livros, 28.06.15

Se Eu Fosse ChãoOs livros fazem-me pensar sobre o que li, sobre os locais onde me levaram, o que senti quando lá cheguei. Penso sobre o que se escreveu e imagino o modo como foi escrito. E, por vezes, leio livros em que o que não se escreve, o que não se diz também conta. Porque me oferece uma viagem diferente, em que participo, à boleia de tantos inícios e possibilidades.

“Se eu fosse chão” é o meu livro preferido do Nuno. Chegada ao fim quis voltar ao início e experimentar todas as novas possibilidades de cada capítulo. Um livro pequeno, mas que na verdade nunca acaba.

“Se Deus pudesse ser chão, pensa o terceiro homem. Um chão de palavras fortes e seguras, onde os pés não se afundem e ganhem forças. Mas talvez o nosso Deus seja caminho, e não lugar.” (Pág. 28);

“Não devíamos ter voltado. Os lugares que não mudam deixam-nos com a certeza de que estamos diferentes.” (Pág.61);

“A literatura é a mais horrenda das artes, porque é feita da mesma matéria com que falamos e nos enganamos a nós e aos outros. “Quero-a”, “quero-te”, “podes confiar em mim”. Lemos o que queremos ou precisamos de ler, lemos como amamos e caímos.” (Pág. 94);

Sinopse

“Num grande hotel, as paredes têm ouvidos e os espelhos já viram muitos rostos ao longo dos anos: homens e mulheres de passagem, buscando ou fugindo de alguma coisa, que procuram um sentido para os dias. Num quarto pode começar uma história de amor ou terminar um casamento, pode inventar-se uma utopia ou lembrar-se a perna perdida numa guerra, pode investigar-se um caso de adultério ou cometer-se um crime de sangue. Em três épocas diferentes, entre guerras que passaram e outras que hão-de vir, as personagens de Se Eu Fosse Chão - diplomatas, políticos, viúvos, recém-casados, crianças, actores, prostitutas, assassinos e até alguns fantasmas - contam histórias a quem as queira escutar.”

D. Quixote, 2015

A Catedral do Mar – Ildefonso Falcones

Roda Dos Livros, 26.06.15

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É por livros como este que eu leio. Sentimos cada injustiça, cada maldade, cada traição mas também cada gesto de amor, cada amizade. Viajamos até Barcelona medieval mas temos o privilégio de não sermos torturados pela inquisição e de não apanharmos a peste negra.

A história é a de Arnau mas também a de seu pai, Bernat Estanyol. Os dois, quando Arnau é ainda bebé, fogem na tentativa de escapar à crueldade do senhor de Navarcles, “dono” dos Estanyol, servos da gleba. A cidade escolhida para se esconderem é Barcelona: “Se se conseguir viver lá durante um ano e um dia sem ser detido pelo senhor ganha-se a carta de vizinhança e alcança-se a liberdade.”

Temos ainda o irmão adoptivo de Arnau, frade Joan. Um atormentado que deixou a sua alma ser comida pela religião fanática, o que é pena, porque foi uma personagem que gostei logo que começou a ler livros mas que se transformou num – e vou usar aqui uma das minhas palavras preferidas em espanhol – gilipollas.

No entanto, a cidade de Barcelona é uma das minhas personagens preferidas, orgulhosa, guerreira, livre e corajosa. O facto de reconhecer os locais mencionados só ajudou mais a ter adorado esta história em que ouvimos, vemos e sentimos a Catedral a crescer e a fazer parte da cidade e da vida das pessoas.

Todo o cenário histórico da história me pareceu bastante assertivo, no fim do romance o autor explica que se baseou em crónicas da altura, não sei se está correcto mas, eu, em altura alguma duvidei da autenticidade histórica.

Quero voltar a Barcelona, já sei de cor o caminho para a Catedral de Santa María del Mar.

 

 

Coisas Que Uma Mãe Descobre (e de que ninguem fala) - Filipa Fonseca Silva

Roda Dos Livros, 21.06.15

coisasqueumamaedescobre É inexplicável e quiçá absurdo o apelo que certos livros exercem sobre nós, que assim que nos acercamos deles, abrimos e lemos sem parar, para mais adiando outras leituras. Esta escritora - Filipa Fonseca Silva, que não conheço excepto pela escrita e com a qual tenho uma afinidade empática, tem esse efeito. Coisas que uma mãe descobre, proporcionou-me uma deliciosa vertigem de reconhecimento com o que sei e não esqueci sobre a experiência da maternidade (que repeti). O sentido de humor e sentido critico, bem como a lucidez, estão bem presentes nesta narrativa que nos faz encarar o bom e o difícil desta viagem de emoções e sentimentos quando um novo ser invade a nossa vida. Tudo muda na nossa rotina e hábitos, na relação com os outros, sejam eles próximos e íntimos ou mais afastados, o que não é necessariamente mau mas diferente. Um novo ciclo que podemos relativizar nos dramas quotidianos com humor. Nem todos conseguem.

Cada vez mais, gosto de ler livros de autores portugueses, que nos "falam" ao coração. Alguns, não dispenso e é tão gratificante ler uma narrativa bem escrita e sentida. Para mais, só lendo. E não se esqueçam de reparar nas imagens e nos espaços de notas que podemos tornar tão pessoal.

Sinopse:

Cheio de humor e algum sarcasmo, este é um livro indispensável para pais recentes, que descobrem algumas dicas de como lidar com as situações mais inesperadas, para pais experientes, que se vão rever em muitas das peripécias descritas, para pais grávidos, que vão poder preparar-se para o que os espera, e ainda para todos aqueles que nunca quiseram ser pais e que precisavam de novas razões para continuarem a não querer.

Uma compilação de crónicas em que Filipa Fonseca Silva partilha a sua experiência na grande aventura da gravidez e maternidade e que, graças às ilustrações da talentosa Sofia Silva, pode ser completado com fotografias e notas de quem o lê, tornando-se, no final, um divertido álbum de recordações sobre o incrível mundo das mães.

Este é o meu corpo - Filipa Melo

Roda Dos Livros, 10.06.15

esteeomeucorpo“Hoje sei que quando os corto, os peso, os viro do avesso, são eles que me usam, e não ao contrário. São eles que me chamam para falarem através de mim. É para isso que os mortos usam os corpos. Oferecem-mos, exibem-nos como prova. Deixam-nos ficar para trás para colocarem um ponto final na sua história. Para partirem vingados, limpos e em paz. (…) Uma autópsia é como um nascimento. Nunca se repete. Tal como nunca se descasca pela segunda vez uma laranja.” Páginas 20 e 21.

Mais um livro que li como se fosse uma corrida. Não por ter vontade de chegar ao fim, mas por não conseguir parar. Soube que tinha de o ler quando a Cris falou dele a primeira vez. Que tinha de o ter, pronto. Que o leria avidamente da primeira vez, que marcaria as melhores passagens para reler diversas vezes, e que, provavelmente, haveria uma segunda leitura. Tudo verdade excepto a segunda leitura. Ainda.

Um livro sobre o corpo. O corpo inteiro. Mesmo quando é analisado em pedaços na mesa de autópsia. Não é mórbido, eu não acho, gosto de ler sobre a morte. E tenho, desde há muito tempo, um enorme (e muito pouco mórbido) interesse sobre Medicina Legal.

Há um crime mas não é um policial. Não é um jogo que nos entretém à procura do assassino. Não há pistas ocultas nem jogos com o leitor. Há um cadáver que revela a verdade mediante a perícia de quem o estuda. Órgão a órgão. Detalhe a detalhe. Bastante detalhe mas não suficiente pormenor. Quem deseja saber quer sempre mais. Contudo, é bastante elucidativo desde a primeira incisão para levantar a pele do crânio, até ao corpo novamente fechado findo o trabalho.

As pistas da morte intervaladas em capítulos de vida. Vidas comuns, histórias fora da sala de autópsia que através da relação vida/morte vão montando o mosaico deste romance, mostrando o caminho para as respostas às perguntas “quem matou” e “como matou”. O Médico Legista, romântico solitário, cujo trabalho é uma declaração de amor ao corpo e à morte como informação preciosa sobre a vida, e que, enquanto fala com os mortos oferece tantos pedaços de si, pedaços vivos, que compõem uma personagem muito especial.

“Eu gosto dos mortos. Dos meus mortos. Daqueles com quem converso enquanto os descasco e lhes peço que me contem as suas circunstâncias. Vou perguntando porquê, quem, onde, como, quando. E eles respondem, nunca se fazem rogados. Renascem à minha frente em peças separadas que eu peso com cuidado. Deixam-se abrir sem um lamento. A vida vai-lhes saindo aos pedaços do corpo e, quando se consuma, leva consigo a voragem da morte. Fica só uma paz que os envolve com suavidade. Uma paz-mortalha.” Página 23.

Um livro brilhante. Uma escrita envolvente, inteligente, elegante e madura. Raro e difícil de encontrar como todas as obras de arte. Mas quando um livro tem tanto para oferecer a quem ama a leitura e a escrita, esquecê-lo e remetê-lo a edições únicas é criminoso e tem pouco de artístico. Procurem-no.

Sinopse

“Um corpo desfigurado de mulher aparece na margem de um rio. Pelas mãos de um médico legista, que pouco a pouco se apropria do cadáver, dialogando com ele, mergulhamos na história das personagens que contribuíram para esta tragédia. A autópsia deste corpo, que é também a autópsia de um crime, revela-nos os meandros da nossa fragilidade física e os reflexos da morte sobre os que continuam vivos.”

Sudoeste Editora, 2007

DESAMPARO - Inês Pedrosa

Roda Dos Livros, 07.06.15

Desamparo Suponho que este seja o segundo livro que leio de Inês Pedrosa. Do primeiro, nada recordo. Este, dificilmente esquecerei.

Desamparo parece-me o titulo adequado. Um estado de espírito presente na sociedade. Solidão e medo grassam em pessoas de diferentes condições por diferentes motivos. Os afectos substituídos por exibicionismo virtual com valores materiais pouco compensadores. Mas, apesar de tudo isto, não é um romance cinzentão e amargurado como a capa o demonstra, com o vivo amarelo a iluminar a imagem.

A acção passa-se num meio rural  - aldeia de Arrifes, no turístico Lagar, onde o imaginário atribui algumas características como a bonomia e a qualidade de vida. Tantas são as vicissitudes como se percebe neste romance.

A proximidade através do meio ambiente que reconheço e a empatia por personagens como Jacinta e o filho Raul, em contrapartida `a aversão por outras personagens menos dignas que consideram apenas os seus interesses pessoais, tornam este romance marcante e até divertido.

"Jacinta era uma mulher do mundo, observadora e arguta" com muitas memorias para contar. Raul era um arquitecto de meia idade e sem amor, num país que não premeia o mérito. Estas duas personagens são elo de ligação com outras na pequena comunidade, que dão vida a este romance. Passado e presente, porque todos trazem "bagagem". Uns que chegam e outros que partem, uns que regressam e outros não.

Despretensioso e bem escrito, como eu gosto. Visualizo os lugares e as pessoas nas palavras de Inês Pedrosa. Reencontrei o que sei em parcas palavras. Com um sorriso nos lábios e sem muitas delongas.

Sinopse:

A saga de uma mulher, Jacinta Sousa, que foi levada do colo da mãe para o Brasil aos três anos e regressa para a conhecer mais de cinquenta anos depois é o ponto de partida deste extraordinário romance de Inês Pedrosa. “No Brasil eu sempre fui a Portuguesa; em Portugal, passei a ser a Brasileira".
Numa escrita inteligente, límpida e plena de humor, a autora cria um universo singular, uma aldeia em que se cruzam personagens e histórias de vários continentes.
Emigrações e imigrações de ontem e de hoje, seres solitários e escorraçados que procuram novas formas de vida, enquanto tentam sobreviver à maior depressão económica das últimas décadas.
O amor, a traição, o poder, a inveja, o ciúme, a amizade, o crime, o medo, a vingança e sobretudo a morte atravessam este livro que faz a radiografia do Portugal contemporâneo, num enredo cheio de força e originalidade.