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Roda Dos Livros

três pianos e outros exercícios - Paula Dias

Roda Dos Livros, 26.04.15

trespianosDifícil a tarefa de ler um livro escrito por uma amiga. E manter a distância que a amizade tolda. Desafio é ser imparcial quando, antes de abrir a primeira página, já se quer gostar.

Neste caso, o livro da Paula, já é ela antes de se começar. Elegante e diferente. A suavidade ao toque reflecte bom gosto e cuidado. Tão pequeno e cheio de pormenores, um pequeno caderno intrigante, que apetece folhear e tocar.

A escrita, cuidada nos detalhes, é agradável, ponderada, pensada. Contos que descrevem vidas mundanas, maioritariamente vividos por mulheres livres, sem fronteiras nem nação, mas talvez sempre com a mesma Lisboa no coração. Como um constante regresso. Idas e vindas, amores pelo caminho, objectos que se revelam importantes, detalhes cruciais de espaços que são palcos de amores, desamores, começos e fins. Experiências mais longas, desafios maiores, textos mais curtos mas de grande intensidade. Fácil gostar de um livro perfeito para andar sempre na mala e mergulhar nestas histórias em qualquer local.

Um trabalho revelador do amor à escrita e aos livros, a generosidade não só de mostrar, mas de oferecer, dar, este maravilhoso pedaço de intimidade, do local onde se vai ouvir a voz que dita o que se escreve, obrigada Paula, por me teres escolhido para ler o teu primeiro livro.

Paula Dias, 2015

A Casa das Rosas - Andréa Zamorano

Roda Dos Livros, 25.04.15

planoK_Casa_das_rosas3O titulo e a capa de uma beleza serena sugerem tranquilidade e harmonia. Nada mais ilusório. Uma casa senhorial, algures em S. Paulo, que rosas tinha. Beleza e loucura que ilude os sentidos e a razão numa perdição.

Prosa quase poética com frases curtas e palavras duras, numa trama com três personagens principais, também narradores e três secundarias e um sagui, elo de ligação entre o consciente e inconsciente de uma personagem que tanto sabe sem nada compreender.

Singela e enigmática narrativa que nos leva de pista em pista a compreender o que se esconde por trás daquelas paredes. Nada mais que deva revelar para não se perder o prazer da descoberta que é intemporal e sempre noticia.

Inspirado primeiro romance para quem sabe de letras e usa-as bem. Sem preconceito, gostei muito.

Sinopse:

Esta é a história extraordinária de Eulália, uma jovem da classe média de São Paulo. Os inusitados acontecimentos que marcam a sua vida nesse período épico da vida brasileira, entre 1983 e 1984 (a campanha das eleições diretas, marco no combate pela democracia), vão transportar o leitor para um mundo onde realidade e fantasia coexistem e se entrelaçam.
Ao longo dessa história, haverá uma mãe desaparecida, um vestido de noiva, um detetive solitário, um jardineiro que sabe demais, um deputado poderoso, um perfume de rosas, uma fuga através da cidade em chamas, um animal que fala, um fantasma que aparece e desaparece, um poeta mexicano que só mais tarde irá surgir nos livros de Roberto Bolaño, um português dono de um boteco em São Paulo - e um final empolgante e inesperado. 

O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky - Patrícia Reis

Roda Dos Livros, 25.04.15

O que nos Separa dos Outros por Causa de um Copo de WhiskyCom a sinopse depreende-se o tipo de leitura que iremos ter. Com alguma amargura. Mas por vezes, é preciso encararmos o lado menos bonito e bem sucedido da vida e fazer um balanço. Por opção, temperamento ou sorte, ou talvez um mix de tudo, tanto acontece alheio `a nossa vontade e contrario `as nossas expectativas. Quantas vezes não projetamos filmes sobre a vida alheia ou a nossa, em dialogo imaginário com alguém, mas que se trata apenas de um monólogo  para colocar em melhor perspectiva as nossas ideias ou vivências.

"As historias de cada um são testemunhos irregulares, com arestas e falhas, buracos e acrescentos." (pag. 51)

Por impulso, insanidade momentânea, um homem de meia idade, aceita deslocar-se durante um mês para Macau, para ensinar algo que não se ensina: a escrever. A ser criativo. Pareceu-lhe um lugar para perder a razão, recordar memorias sem interesse e ter fantasias estúpidas. Uma alma solitária no mundo. Como tantos. Nada escapa impunemente ao seu desencanto e desalento ébrio.

Um livro sério e lúcido.  Uma leitura breve e introspetiva. Bem escrito e bem estruturado, como seria de se esperar.

Sinopse:

Trata-se de um monólogo de um homem que está num bar em Macau. As memórias vão derretendo como o gelo no fundo do copo. A sua interlocutora imaginária é a mulher estranha que está do outro lado do balcão. Alguém que é apenas, como o personagem principal, um acumular de histórias ou de banalidades. Como tudo na vida.

Esta novela, vencedora do Prémio Nacional de Literatura 2013-2014 da Fundação Lions Portugal, é uma nova forma de trabalhar o discurso interno, as memórias, sempre com a indicação de uma certa polifonia, já habitual nos livros da autora.

Hotel Sunrise - Victoria Hislop

Roda Dos Livros, 25.04.15

hotelsunriseDeveria ter publicado o meu comentário há alguns dias. O livro em causa merecia. Contudo, o cansaço do fim do dia de expediente e´ tal, que leio compulsivamente, mas não consigo ordenar ideias para exprimir com justiça a minha opinião sobre um livro. Provavelmente, um problema comum a muitos que gostam de partilhar o que de bom e de mau sabem sobre o ultimo livro que leram.

Victoria Hislop já provou ser uma boa contadora de historias com "A Ilha" e "A Arca", dois dos seus romances que li. Não desilude e justamente por isso, sempre que um dos seus romances sai procuro lê-lo. Com um bom tema de fundo, apoiada na Historia que tanto material dispõe, faz uma boa investigação e compõe um enredo maravilhoso com personagens com toda a panóplia de emoções para enfrentar as adversidades da vida. Mais do que um romance ficcional, uma incursão pelo passado recente com um aperto no peito.

"Hotel Sunrise", o lugar onde boa parte da acção se passa. Um luxuoso hotel num paraíso terrestre, que a ganancia e a cupidez deitaram a perder. Os homens na sua ânsia de poder e separando etnias que tinham tudo para se dar bem, iniciaram uma revolta que culminou num trágico desfecho que a ninguém beneficiou. As mulheres na sua infinita sabedoria compreenderam que os afectos superam mesquinharias, e assumiram responsabilidades, em vez de atribuir culpas e alimentar um ódio sem sentido.

Mais um do que um romance, uma lição que nunca aprendemos.

Leitura empolgante que se torna imparável nas primeiras paginas com o glamour e o sucesso, para depois nos inquietarmos com a destruição e decadência que os membros de duas famílias valentes testemunharam ocultos nas sombras. O desfecho que procuramos saber e´bem conseguido.

Sinopse:

Famagusta, no Chipre, é uma cidade dourada pelo calor e pela sorte, o resort mais requisitado do Mediterrâneo. Um casal ambicioso decide abrir um hotel que prime pela sua exclusividade, onde gregos e cipriotas turcos trabalhem em harmonia.
Duas famílias vizinhas, os Georgious e os Özkans, encontram-se entre os muitos que se radicaram em Famagusta para fugir aos anos de inquietação e violência étnica que proliferam na ilha. No entanto, sob a fachada de glamour e riqueza da cidade, a tensão ferve em lume brando…
Quando um golpe dos gregos lança a cidade no caos, o Chipre vê-se a braços com um conflito de proporções dramáticas. A Turquia avança para proteger a minoria cipriota turca e Famagusta sucumbe sob os bombardeamentos. Quarenta mil pessoas fogem dos avanços das tropas.
Na cidade deserta, restam apenas duas famílias. Esta é a sua história.

O que não pode ser salvo - Pedro Vieira

Roda Dos Livros, 19.04.15

o quenaopodesersalvoAberta a primeira página começa a viagem. Sem volta. Que o caminho é em frente, sempre e até ao fim. A leitura não é compulsiva mas é obrigatória, impõe o seu ritmo e arrastou-me numa batida sem regras. Não há gramática que nos salve, pelos vistos não há coisa nenhuma que nos salve, segundo o autor. E eu concordo, infelizmente.

Gostei muito. Mas cheguei ao fim sem perceber como se escreve assim, tão fora das linhas, será isto escrever certo por linhas tortas? Escrever como quem abre uma torneira que não se fecha mais, e sai tudo, cru e duro, escrever como se fala agora, e fala-se tão mal, usando calão, abreviaturas e tudo o que mais literariamente devia fazer arrepiar os cabelos, e depois é algo assim tão profundo e verdadeiro, que mete respeito, e um bocadito de inveja, vá, da boa, pronto.

A cada capítulo uma dose de realidade, igual à que levamos todos os dias, mas à qual nos habituámos, criaturas acomodadas mas com a revolta a crescer no peito, mais um dia ou menos um na selva controladora do emprego, em que não vence o mais forte mas o mais fraco, o mais submisso e baixo, na prostituição da alma, nas lágrimas que guardamos para chorar em casa, sós na era da comunicação, cercados pelas redes sociais e pelos nossos mais de quinhentos amigos. Mas sós, pelo prazer parvo do individualismo, essa entrada para o buraco da solidão.

A história é muito boa mas não me apetece falar nela. Leiam a sinopse e leiam o livro. O que me encheu as medidas foi a escrita-torrente que me arrastou com força direita a doses de realidade que reconheço, infelizmente, reconheço. Muito original e inesquecível. Marcante. Brilhante. Talvez, no futuro, um documento social dos dias de hoje.

“Amílcar e Neda aterram numa das europas possíveis, aquela onde se comunica melhor, onde se pressentem raízes, o passado em comum e a saudade a fazer de elo import-export, Amílcar e Neda aterram naquela onde se vive pior, não há sequer pequenos-almoços grátis quando os aviões chegam em simultâneo à Portela, carregados de imigrantes uns, carregados de senhores do Fundo outros, é a segunda vez que cá chegam com licença para matar, 1983 e o devir feito negrume, porque andaram a viver em cima das nossas possibilidades, mote recuperado tantos anos depois. À época, para vidas a prazo, contratos a condizer. Cintos apertados, cinturas de vespa vincadas à força, uma elegância. Das quatro operações aritméticas só duas estavam em vigor, subtrair e dividir por quantas bocas houvesse. E no que toca aos transladados das ilhas, outro tanto de mau viver, mas com direito àquela cantilena da luz ao fundo do túnel e as bocas abertas de espanto por parte dos que vêem os outros chegar” (Pág.63.64)

“este caldo de cultura que é um achado, um país pobre com uma boa rede de fibra, ouro sobre azul do Atlântico, cheio de gente em desespero mas sem vontade de partir a loiça, de partir a fibra, no lugar da tal primavera dos árabes o outono dos orgulhosamente sós, mesmo numa época de fronteiras-fantasma, nota 10 para este fio da navalha que vai permitir que muitas empresas do ramos do costumer, ao client, com sotaque francês, ganhem raízes e dêem emprego a dezenas de milhares de pessoas interessadas em desenvolver as suas capacidades e em progredir na carreira e em abraçar o empowerment ao serviço de uma subcontratada, que no fundo faz parte da mesma casa-mãe, em cada corporação um édipo que distribui flexibilidade, salários baixos, rigor e crescimento económico, oportunidades e um cheirinho de chicote” (Pág. 76, 77)

Sinopse

“Um triângulo amoroso que liga França, o Norte rural português, Lisboa e a margem sul. Uma jovem francesa, filha de emigrantes portugueses, que vem viver para a terra a que não pertence; um rapaz que luta para sair do meio devorador em que nasceu; um miúdo burguês, canhestro, com uma família de fachada; e um quarto elemento que completa o elenco de uma tragédia contemporânea de ressonâncias clássicas: história de amor, racismo, ciúme, traição, vingança e inquietação, qual Otelo de Shakespeare e de fancaria na era do rap, do Facebook e do call center.”O Que Não Pode Ser Salvo” é também o retrato dos males sociais e culturais que afligem um país enfraquecido pela crise económica e a falência dos valores.”

Quetzal, 2015

Um Aprazível Suicídio em Grupo - Arto Paasilinna

Roda Dos Livros, 19.04.15

00000230500Na Finlândia, um empresário falido e um coronel viúvo conhecem-se em condições extremas por altura do S. João, onde a esperança e a alegria reinam no País. Eles estão cansados de existir e planeiam a morte. Contudo, depois de reflectirem sobre a situação, consideram que não serão os únicos finlandeses a desejarem o suicídio. Decidem redigir um anúncio e enviá-lo para um dos jornais da Finlândia: "Está a pensar suicidar-se?". O número de respostas é imenso, vários homens e mulheres narram as suas miseráveis e desesperadas vivas. Querem ajuda para pôr termo às suas ridículas existências.

Depois de se juntar à dupla inicial uma vice-reitora deprimida, organizam um primeiro encontro convidando todos os potenciais suicidas. Depois de muita bebida, testemunhos e desabafos, já não é possível voltar atrás. Conseguem arranjar um transporte e definem uma morte colectiva planeando voar dum precipício algures na Europa. Pelo caminho vão encontrando novos candidatos ao suicídio que se juntam ao grupo. Ao mesmo tempo, outros vão encontrando alguma esperança na vida ao participarem nesta excursão mórbida…

Um livro com um sentido de humor brilhante, sórdido, mórbido, irónico. Vários motivos levam as pessoas a porcurarem a morte. Na Finlândia como noutros países, as razões acabam por ser semelhantes. Este livro propõe uma reflexão interessante sobre o suicídio, provocando o leitor, levando-o a rir das situações bizarras mas, ao mesmo tempo, profundamente tristes.

Dramas à parte, a cereja no topo do bolo para uma leitora portuguesa é a escolha do local fatal. Após várias indecisões optam por terminar os seus dias no grande promontório do fim do mundo - o Cabo de S. Vicente em Sagres! (Nota: esta informação vem na contra-capa do livro, não estou a ser desmancha-prazeres).

Viagem ao Coração dos Pássaros - Possidónio Cachapa

Roda Dos Livros, 18.04.15

10923544_10204820467183219_1824910009409859917_nMuito ouvi falar sobre este autor. Bem, muito bem. O nome do autor deixa-me com um sorriso nos lábios. E a escrita deixou-me cativa, de um humor irreverente e certeiro, onde a lucidez impera nesta fantástica narrativa sobre Kika, a menina e mulher, com nome que parece de gato.

 "(...) Acontecimentos menores, passados numa freguesia pequena, onde uma mulher que carrega um Dom, viveu rodeada de seres passados e de coisas que a ultrapassavam, e a quem tinha sido dada a ingrata missão de viver com eles. Que nos interessa que um escritor tenha um dia ouvido falar disto e se tenha aproximado como um insecto nocturno dessa casa onde os raios e os gemidos trovoavam diariamente?"   (pag. 163)

Interessa e muito, porque a breve historia de Maria Joaquina Constança, conhecida por Kika, filha de Evangelina, uma mulher dura e sofrida, e do sonhador e ausente Filipe, temos um retrato da verdadeira e contraditória condição humana. Um Dom de ver e ouvir o que queria e não queria saber, a capacidade de se expressar sem mover os lábios com o alcance da mente, um potencial de curar apenas com as suas mãos e temos uma mulher renegada e amada, que não sabia o que era o amor ate´ ao fim da sua vida.

Criativo e brilhante e mais não escrevo, sobre esta narrativa que nos toca a alma. Leiam! Serão surpreendidos como eu fui.

Sinopse:

Viagem ao Coração dos Pássaros remete-nos para um universo único mas que se repete sempre no tempo dos seres humanos. Fala-nos das contradições e dialética do mundo, do amor, da vida, mas também dos seus opostos. É um livro que se lê num sopro, como se fosse um instante, numa viagem que o leitor faz ao coração, o seu próprio, e o dos protagonistas da história, realista, autêntica e bela.
Possidónio Cachapa conduz-nos através da sua escrita profunda, revelando-nos os dons que todos temos e as nossas virtudes mas também as nossas debilidades e fraquezas, numa simplicidade narrativa que nos prende da primeira à última página.

O Espião Português - Nuno Nepomuceno

Roda Dos Livros, 18.04.15

CAPA_espiao-200x300Lido em dois dias. Há muito que não lia tão compulsivamente, e este “Espião Português” veio mesmo a calhar numa fase em que cada leitura estava a demorar muito tempo. Fases estranhas em que as páginas demoram a passar, em que a concentração é fraca porque há demasiadas coisas em que pensar.

Então nada como um livro envolvente e cheio de acção, absorvente, de modo a sugar toda a atenção, e deixar de parte aquelas chatices do dia-a-dia, que não interessam nada, que não matam mas moem.

No sábado abri a primeira página e entrei na vida do André. Ou ele entrou na minha, não sei, porque enquanto a leitura durou, ou estava a ler ou a pensar no que iria passar-se a seguir. Queria sempre saber mais. O livro está bem pensado e bem estruturado, cumpre o seu objectivo, é um claro “page-turner”, e mesmo nos capítulos mais longos o entusiasmo não esmorece, até porque é nesses que se passam os momentos mais empolgantes, são picos em que me deixei levar completamente pela história e repetia para mim mesma: “só mais uma página”!

E, página após página, cheguei rapidamente ao final (segunda-feira), por um lado pensando porque ainda não tinha lido este livro, mas ao mesmo tempo concluindo que foi melhor assim, já que no dia 6 de Maio a leitura pode seguir para o segundo volume, “A Espia do Oriente”.

É difícil escrever sobre este livro. Não porque não tenha muito a dizer, mas porque corro o risco de revelar demais, o que é muito pouco conveniente para um livro de mistério, em que se deseja, pelo menos eu desejo, ser surpreendida. Acima de tudo senti um grande cuidado na construção da personagem do André, foi criado para que gostem dele, sofram por ele, é um tipo bem-parecido, inteligente, atlético, com excelentes princípios, apesar de enfim, ser espião e poder matar e magoar pessoas. Mas isso interessa pouco quando há a dita empatia, o André é o herói e não há mais conversa, principalmente, desconfio eu, para as leitoras femininas mas sensíveis, enfim, aos encantos descritos. Bem jogado e bem conseguido por parte do autor, fica tudo em brasa depois deste final em que…pois… é melhor não contar.

Eu gostei de muitas coisas neste livro, se calhar até gostei de tudo, que é uma coisa muito rara, mas o que gostei mesmo foi de ler um livro de espionagem e mistério de alto nível escrito por um autor português. É de apreciar, apoiar e, acima de tudo, ler. Ler com prazer na nossa língua linda, tantas vezes maltratada, subestimada e rejeitada para o que vem de fora. Preconceitos parvos de quem vai atrás da fama e dos números. E querem mesmo saber porque é que há tanto tempo não escrevia uma opinião sobre um livro de policial/mistério/espionagem? Porque em todos os que peguei recentemente não me dei ao trabalho de chegar ao fim. É pena. Mas o entusiasmo de uma leitura como esta acaba por compensar e apagar essas páginas perdidas.

E pronto, leiam lá que se não fosse bom eu não vinha para aqui dizer, já sabem do que a casa gasta.

Sinopse

“E se toda a sua vida, tudo aquilo em que acredita, não passar de uma mentira? O que faria?

Quando André Marques-Smith, o jovem director do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português é enviado à capital sueca, está longe de imaginar que aquele será um ponto de viragem na sua vida.Ao serviço da Cadmo, a agência de espionagem semigovernamental para a qual secretamente trabalha, recupera a primeira parte de um grupo de documentos pertencentes a um cientista russo já falecido. Mas quando regressa a Portugal, tudo muda. Uma nova força obteve a segunda parte do projecto e, de uma forma violenta e aterrorizadora, resolveu mostrar ao mundo que está na corrida pelos estudos do cientista.Por entre cenários reais de cidades como Estocolmo, Roma, Viena, Londres e Lisboa, a luta pelo inovador projecto começa, os disfarces sucedem-se, as missões multiplicam-se. E, enquanto é forçado a lidar com os condicionalismos de uma vida dupla, André vê-se inesperadamente envolvido num mundo de mentiras e traições, o mesmo que o levará a fazer uma descoberta que poderá mudar toda a Humanidade.Vencedor do Prémio Literário Note 2012, O Espião Português funde elementos tradicionais da ficção de espionagem com uma abordagem inovadora, intimista e sofisticada. Thriller intenso e vertiginoso, ode à família, amizade e amor, este é um romance imprevisível e contemporâneo ao qual não conseguirá ficar indiferente.”

Topbooks, 2015

Roda dos Livros Sugestões de Leitura - Abril 2015

Roda Dos Livros, 12.04.15

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A última sessão foi das mais concorridas e bem dispostas de sempre. Nuno Nepomuceno foi o nosso convidado que, além de participar nas sugestões do mês, falou sobre o seu livro "O Espião Português". Pela primeira vez recebemos a Sofia e o Gonçalo. Todas as tardes de Roda são caóticas, mas esta assumiu contornos de um caos animado e organizado, como alguém me disse, em relação à parte do organizado. :)

Ora tomem nota destas sugestões tão boas:

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Ana - Verão sem Homens, de Siri Hustvedt;

Márcia - Elegia para um americano, de Siri Hustvedt;

Paula - O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky, de Patrícia Reis;

Sónia - Intervalo às onze da tarde, de Nuno Baptista Coelho;

Catarina - A Feira dos Assombrados e outras estórias verdadeiras e inverosímeis, de José Eduardo Agualusa;

Sofia - Samarkanda, de Amin Maalouf;

Sara - A curva de estrada, de Ferreira de Castro:

Gonçalo - As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin;

Fernanda - O Último Papa, de Luís Miguel Rocha;

Patrícia - Praça da Canção, de Manuel Alegre;

Vera - Aberto toda a noite, de David Trueba;

Nuno - O Bicho-da-Seda, de Robert Galbraith;

Cris - Teoria dos Limites, de Maria Manuel Viana;

Renata - O que não pode ser salvo, de Pedro Vieira;

Isabel - A duas vozes, de William Golding;

A Vida Quando era Nossa - Marian Izaguirre

Roda Dos Livros, 12.04.15

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A Vida Quando era Nossa, um titulo que adorei. Uma frase tão simples mas com tanto significado.

A sinopse fez o resto, e ler este romance era uma prioridade, quase uma obsessão, que tive que gerir ate surgir o momento certo. Quando este chegou, não poderia ser mais prazeroso.

Vários são os fragmentos desta narrativa que nos tocam como leitores compulsivos, mas não apenas, porque ficção e realidade aproximam-se quando nos reconhecemos nas paginas do livro e ainda descobrimos coisas que não sabíamos, como só os bons autores o conseguem. Toca-nos de um modo muito especial e quando assim acontece, compreendemos quase intuitivamente tudo o que nos e´ contado como se estivéssemos a partilhar confidencias, em cumplicidade com as personagens. Neste livro, vamos partilhar o mundo secreto de Rose Tomlin, enquanto Alice e Lola lêem "A Rapariga dos Cabelos de Linho" e acompanhamos a amizade e apreço mutuo. Tanto para descobrir sobre uma fascinante mulher, filha bastarda de um conde e de uma arrojada mãe que apenas reconhece depois da sua morte.

Atravessamos a I Guerra Mundial e as suas consequências ligeiras para esta privilegiada personagem, para terminarmos na Guerra Civil Espanhola com a sua terrível perda. Lola e Matias são mais do que personagens secundarias, também eles com um difícil percurso que se altera quando Alice se cruza nos seus caminhos.

"Quando te sentires sozinha, lê um livro. Isso vai salvar-te..." Um bom conselho que Rose aceitou do seu primeiro amor. "Historias nas quais se refugiar, historias pelas quais fugir. Livros."

"O tato das folhas, o calor seco do papel, livros com as suas lombadas arredondadas, de meia encadernação, brocados, de tecido, livros com nervos, com etiquetas, sem elas, escritos há cem anos, onde o calor das mãos alheias deixou uma historia feita de tempo" (pag.93)

Sinopse:

A Vida Quando era Nossa é um tributo à literatura, mas é sobretudo uma história de amizade entre duas mulheres. Uma história que começa quando se abre um livro e que só termina quando todas as pontas da narrativa se unem.«Tenho saudades do tempo em que a vida era nossa», diz Lola, a protagonista do romance. Sente falta da sua vida, tão cheia de esperança, feita de livros e conversas ao café, sestas ociosas e projetos de construir um país. A Espanha que, passo a passo, aprendia as regras da democracia.

Mas, em 1936, chega um dia em que a vida se transforma em sobrevivência e agora, passados quinze anos, a única coisa que sobra é uma pequena livraria, meio escondida num dos bairros de Madrid, onde Lola e Matías, o marido, vendem romances e clássicos esquecidos.É nesse lugar modesto que, em 1951, Lola conhece Alice, uma mulher que encontrou nos livros uma razão para viver. Acompanhamos a amizade entre as duas, atrás do balcão a lerem o mesmo livro juntas, e isso leva-nos atrás no tempo, à Londres do início do século XX, para conhecermos uma menina que se perguntava quem seriam os seus pais…

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