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Roda Dos Livros

Ressurgir - Margaret Atwood

Roda Dos Livros, 15.10.14

ressurgirPenso que todos criamos a imagem de que há autores que não podem desiludir. Criamos um espaço especial para eles na estante e sabemos que é garantido. Mas não é. E Margaret Atwood é tão completa que até escreveu Ressurgir, um livro que, infelizmente, me desiludiu e ficou muito aquém das expectativas.

Os elementos principais da sua escrita estão lá, assim como, as suas ideias e filosofia de vida. O que é fantástico tendo em conta que este é o seu segundo romance, escrito em 1972. Mas senti falta do empolgamento a que me habituei ao ler Atwood. Ressurgir é morno se comparado com Orix e Crex ou o Ano do Dilúvio. É necessariamente mais simplista e embrionário, afinal são trinta anos de diferença.

Encontrei uma Atwood emergente, com ideias bem claras sobre o lugar da mulher na sociedade e o papel do Homem na natureza. A igualdade de sexos e de espécies. O caminhar ao lado e não à frente. A procura de respostas para perguntas diferentes e inovadoras na década de setenta. Confirma-se uma mulher muito à frente do seu tempo mas que, quanto a mim, ainda estava a aprender a utilizar tais armas.

Este livro é, por isso, bastante experimental. Por querer tanto demonstrar uma filosofia e modo de vida inovador arrasta-se e repete-se, o que me dificultou a leitura. O prazer das primeiras páginas foi sendo anulado pois senti que a forma de transmitir ideias se limitou à mera insistência. O tempo corre de forma lenta, numa ilha com um lago, em que um grupo de quatro amigos procura alguém desaparecido. Essa busca transforma-se num viver em harmonia com a natureza, num conjunto de rituais repetitivos e francamente chatos. Às tantas fui perdendo o fio condutor, pois não consegui evitar saltar páginas. Posso ter perdido desenvolvimentos importantes e ter deixado escapar a “chave” que me iria fazer olhar para este livro de forma completamente diferente, mas a verdade é que, a certa altura, deixou de me apetecer lê-lo.

Atwood aprendeu, com o tempo, a levar o leitor de outras maneiras e ainda bem.

Irei certamente continuar a descobrir a sua obra.

“Eles devem achar estranho um homem com a idade dele passar o inverno sozinho numa cabana, a quinze quilómetros de nenhures; eu nunca questionei essa opção, para mim era lógica. Eles sempre desejaram mudar-se para aqui logo que pudessem, depois da reforma: ele amava a solidão. Não é que não gostasse das pessoas, achava-as apenas irracionais; os bichos dizia ele, eram mais consistentes, pelo menos comportavam-se de um modo previsível.” (Pág. 59)

Sinopse

“"Ressurgir" é o segundo romance de Margaret Atwood e nele são já visíveis os traços essenciais da sua ficção.Uma jovem mulher viaja até à remota ilha da sua infância, com o companheiro e um casal amigo, para investigar o misterioso desaparecimento do seu pai. Após a chegada à ilha, antigos segredos afloram à superfície do lago que os rodeia, com objetos nele afundados.Imersa nas suas memórias, a narradora compreende que regressar a casa é não apenas voltar a outro lugar, mas também a outro tempo. E depois de descobrir uma caverna submersa com pinturas rupestres, imagina-se em fusão anímica com a natureza."Ressurgir" é um romance preocupado com as fronteiras da língua, da identidade nacional, da família, do sexo e dos corpos, tendo como pano de fundo um Canadá rural, transformado pelo comércio, a construção, o turismo e a engrenagem dos média.”

Relógio d’Água, 2014

"A peregrinação do rapaz sem cor" de Haruki Murakami

Roda Dos Livros, 12.10.14

 

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A beleza delicada da borboleta presente na capa deste romance reflecte, com elegância e perfeição, o seu conteúdo. É comovente o percurso de Tsukuru Tazaki, construtor de estações de comboios, o rapaz desprovido de cor, cuja vida sofre um enorme abalo ao ver-se votado ao ostracismo pelos seus melhores amigos. Incapaz de compreender as razões desta situação, uma vez que as mesmas lhe são escondidas, Tsukuru vive numa espécie de limbo emocional, sentindo-se vazio por dentro e impossibilitado de estabelecer relações interpessoais profundas. Determinado a descobrir os motivos do comportamento dos seus amigos dos tempos da adolescência, empreende então uma viagem para conversar pessoalmente com cada um deles, a fim de esclarecer o enigma do passado. Ao longo deste seu percurso e, ao mesmo tempo que vai descobrindo, a pouco e pouco, a verdade sobre o comportamento dos antigos amigos, Tsukuru reencontra a sua capacidade plena de sentir, preenchendo assim o vazio que o habitava. Esta “Peregrinação do rapaz sem cor” é relativamente parca em elementos fantásticos/surreais comparativamente a outras obras do autor como, por exemplo, “Kafka à beira-mar”, “1Q84” e “Crónica do pássaro de corda”, parecendo, à primeira vista, mais simples e menos brilhante do que estes outros livros. No entanto, ao terminar a leitura, apercebi-me que, na sua aparente simplicidade, esta história contém em si, não apenas uma enorme riqueza emocional, como também vários convites à reflexão sobre o modo como vivemos actualmente e como nos relacionamos uns com os outros. Nesta era das tecnologias de informação, criadas para facilitar a aproximação e a comunicação entre as pessoas, parece que, estranhamente, nunca estivemos tão longe uns dos outros, tão sós dentro de nós mesmos. Talvez estejamos apenas em presença de novas variações acerca da vivência deste velho paradoxo chamado ser humano.

Gostei muito e recomendo.

Excertos:

“Sobrara apenas uma espécie de resignação mansa. Um sentimento neutro, desprovido de cor, como a calmaria que vem depois da tormenta. Tinha a impressão de estar sentado numa grande casa, velha e abandonada, enquanto o enorme e vetusto relógio de família assinalava pesadamente as horas. De boca fechada, sem desviar os olhos, limitava-se a observar o andamento dos ponteiros. Com os sentimentos protegidos por finas membranas no vazio do seu coração, foi envelhecendo, hora após hora.”

“Vivemos numa época dominada pela apatia generalizada e, ao mesmo tempo, estamos rodeados de uma quantidade absurda de informação sobre os outros. Basta alguém querer para conseguir o que se propõe. No entanto, pouco ou nada sabemos, efetivamente, acerca das pessoas.”

“- Seminário criativo de negócios?- A designação é recente, mas, no fundo, oferecem cursos de personal coaching – afirmou Sara. – Por outras palavras, um curso rápido de desenvolvimento pessoal com lavagem ao cérebro incluída, destinada a formar os típicos guerreiros empresariais. Em vez da Sagrada Escritura, utilizam um manual, e em vez da Iluminação e do Paraíso recebem a promessa de promoção e de salários mais elevados. Trata-se de uma nova crença numa era marcada pelo pragmatismo. Não tem nenhum elemento transcendental próprio das religiões, e é tudo muito concreto, contabilizado ao pormenor. Tudo muito transparente e fácil de aprender. E olha que não poucos os que encontram encorajamento positivo nestes cursos! Basicamente implantam no cérebro das pessoas um sistema de pensamento oportunista.”

“Nesse instante, Tsukuru soube. No mais profundo do seu ser, compreendeu por fim. O que une o coração das pessoas não é apenas a harmonia. Os corações humanos unem-se através dos desgostos sofridos. Ferida com ferida. Dor com dor. Fragilidade com fragilidade. Não existe silêncio sem um grito de dor, não existe perdão sem derramamento de sangue, não existe aceitação sem a passagem pelo inevitável sentimento de perda. É aqui que se encontram as raízes verdadeira harmonia.”

 

 

Madre Paula de Patrícia Müller

Roda Dos Livros, 11.10.14

É muito bom poder apreciar um romance e com ele ficar a conhecer melhor a nossa História! História que foi fértil em amores entre os nossos reis e plebeias. D. João V ficou conhecido pelos seus inúmeros "casos" breves e ligeiros mas sobretudo pelos amores com Soror Paula que se prolongou por treze anos.

Amor carregado episódios de raiva por parte de Paula mas também de uma forte entrega física e possuidor de uma inquietação permanente, por ambas as partes, que tinha origem num amor explosivo que só podia ser vivido dentro das portas do Convento de Odivelas.

A autora soube captar muito bem o ambiente da época com uma escrita simples mas intensa, promenorizada q.b. sem ser massuda, transportando-nos facilmente para a época, fazendo-nos visualizar muito bem com as suas descrições, os locais, as personagens e, principalmente, os seus sentimentos.

"Apaixonei-me pelo poder, amei o homem por detrás dele." Num tom intimista ficamos a conhecer, através do relado de Madre Paula, tanto o seu amor desmedido pelo rei e mais tarde por José, filho desse amor, como a sua imensa sede de poder. Filha de um ourives pobre que se viu obrigado a colocar duas das filhas num convento por não ter condições de as sustentar, Madre Paula sentiu-se excluída e maltratada por suas companheiras de convento, muito ricas. Poder vingar-se estava nos seus sonhos, esteve posteriormente nas suas mãos...

Gostei muito deste romance histórico sobretudo porque Patrícia Müller soube com mestria fazer-me recuar no tempo e participar, qual personagem escondido, em todos os episódios deste amor arrojado e proibido!

Estrelas: 5*

Sinopse

Lisboa, início do século XVIII da Graça de El Rei D. João V. Paula, a filha pobre de um ourives, deixa a azáfama das ruas de Lisboa para ingressar no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas. Não é Deus quem a chama, mas sim a necessidade de um pai que já não a pode sustentar. Quis o destino, porém, que aquela rapariga de pé descalço se viesse a tornar na mais conhecida freira da nossa história. E numa das mulheres mais poderosas de um reino que vivia no extravagante esplendor pago com os escravos de África, com o ouro do Brasil…

Madre Paula é a história desse amor proibido, entre o Rei-Sol português, D. João V, e a famigerada freira de Odivelas. Um amor intenso, maior que tudo, que levou o rei a ignorar o bom senso e a tomar a freira como amante, confidente e conselheira.

D. João V sempre teve uma predileção por mulheres bonitas, mas Paula foi o seu grande amor. Permaneceram juntos, secretamente, mais de uma década, e chegaram a ter um filho. A história entre um dos homens mais poderosos do mundo e a plebeia que a Deus traiu inscreve-se na categoria de mito, mas é bem real, nas páginas do romance de estreia de Patrícia Müller. Juntos enfrentaram intrigas palacianas, a ameaça do castigo divino, o ciúme e os jogos de poder. E a quase tudo resistiram - pois durante uma década, para D. João V, Madre Paula foi a sua única e verdadeira rainha.

 

Serpentina de Mário Zambujal

Roda Dos Livros, 11.10.14

Quando leio um livro de Mário Zambujal sei o que espero e tenho-o como garantido! Um livro com uma história divertida, cheio de humor e pequenos detalhes que me fazer sorrir amiúde!

Foi assim com "Histórias do Fim da Rua" e "Cafuné".

Foi assim com "Serpentina" também! Bruno D. L. Bracelim é o personagem principal e narrador desta divertida história. Criança enferma e débil, foi criada com a madrinha, senhora rica e de posses. Os pais emigraram para um tal de estrangeiro com o irmão. As peripécias por que passa posteriormente e o discurso muito sui generis adotado pelo autor fazem-nos encarar esta divertida história de uma forma leve mas, ao mesmo tempo, surpreendente, transformando uma história simples em algo especial.

Creio que fica demonstrado, mais uma vez, que as palavras possuem um poder inaudito. É a forma de as colocar no papel que estabelece a diferença entre um romance banal e um especial. Mário Zambujal escolhe-as com mestria, revelando um humor subtil que me encantou verdadeiramente.

Escrevendo estrangeirismos em português, como é o caso de "pê-jota", "imeile", "tualete", "pê-esse-pê", Mário Zambujal faz-nos sorrir frequentemente. A boa disposição é uma constante neste livro!

Estrelas: 5*

Sinopse

Para Mário Zambujal, o mais importante é saber que os leitores se divertem com os seus livros. É nisso que se concentra quando agarra na caneta e se põe a imaginar peripécias, enredos e personagens. Serpentina não fugiu à regra e arrisca-se a ser o romance mais divertido do ano.

Nele acompanhamos as reviravoltas na vida de Bruno Bracelim - primeiro a partida da família para o Canadá, quando ainda menino, e depois um acidente de trânsito, já em adulto - e divertimo-nos com as situações armadilhadas de um destino tão imprevisível quanto animado.

Num estilo inconfundível, eis um supremo divertimento em que a imaginação e o humor se entrelaçam com a reflexão e a emoção.

 

A Mulher de Cabelos Loiros e o Homem do Chapéu - Deborah McKinlay

Roda Dos Livros, 05.10.14

amulherdecabelosloiroseohomemdochapeuUma história que nos é contada com tal delicadeza, que damos por nós atentos a duas personagens em dois pontos distintos do globo terreste com uma atração comum... por comida. Não por gula, mas requinte e sofisticação, de duas almas gémeas que nada sabem uma da outra, e retiram prazer no ato de preparar saborosos pratos que degustam deliciados e partilham um com o outro.

O tipo de envolvência que confundimos com ligeireza ou leveza, num enredo que convida a uma leitura serena.

"Uma leitura que se abranda, de propósito, para apreciar a escrita, o humor nas frases breves, as descrições evocativas das refeições e dos cenários. (...) Um livro que nos faz sentir a solidão que estava subjacente na história que saía das páginas." 

O título intriga por parecer inusitado e nada revelar. A imagem da dama na capa transporta-nos para o passado e a sinopse convida à leitura para quem tem esse vício. Quem resiste a um platónico contacto com o seu escritor favorito iniciado por carta?! As palavras certas para um escritor bloqueado e desencantado, de uma admiradora com um outro tipo de bloqueio, resultado de carregar um fardo demasiado pesado durante muito tempo. Um fardo que a progenitora lhe colocara em cima sem contemplações. Um ímpeto de momento de profundo prazer, levaram-na a escrever uma breve missiva, que desencadeou uma intensa correspondência entre eles.

Um livro que consegue fazer o que as boas histórias sempre conseguem: fazer-nos esquecer de nós. 

Sinopse:

Tudo começa com uma carta.

Eve Petworth escreve-a com o objetivo de felicitar um dos seus escritores favoritos. 
Jackson Cooper lê-a e, embora tenha tudo o que um escritor de fama mundial possa desejar, sente uma ligação imediata com a sua autora. Algo que, percebe então, o sucesso e o dinheiro não compram. 
Não se conhecem pessoalmente e têm pouco – ou mesmo nada – em comum.
Eve é inglesa e vive voluntariamente enclausurada em casa. O mundo fora de portas angustia-a. As relações sociais paralisam-na. É uma romântica que se condenou à solidão. 
Jackson é americano e vive rodeado de pessoas, principalmente mulheres. Mas ninguém consegue ajudá-lo a ultrapassar o bloqueio criativo que o atormenta secretamente. É um artista sem rumo. 
Em jeito de evasão, Jackson transfere o seu impulso criativo para a cozinha. Infelizmente, a sua nova namorada é vegetariana e pouco dada a devaneios gastronómicos. Essa é uma lacuna que Eve está mais do que habilitada a preencher, dada a energia que dedica às mais delicadas e complexas iguarias. E quando trocam receitas e segredos culinários, a distância entre ambos quase se extingue. Uma distância que é simultaneamente reconfortante (para Eve) e tentadora (para Jackson). 
O escritor está disposto a arriscar quebrar a magia que esta improvável amizade trouxe à sua vida e propõe um encontro na cidade mais gourmet do mundo: Paris.
Não podia saber que a ansiedade patológica de Eve torna esse sonho impossível...

No Limiar da Eternidade - Ken Follett

Roda Dos Livros, 05.10.14

nolimiardaeternidadeVirei a página 1020. Está concluída a leitura da trilogia “O Século”. Quatro anos depois do primeiro volume, e quase três mil páginas lidas, estou francamente feliz por o Sr. Follett ter escrito uma saga histórica do passado recente da Humanidade, de forma simples e acessível a todos. Talvez comercial seja palavra adequada, não sei. Que certamente é de arrepiar o cabelo aos eruditos críticos, não há grandes dúvidas. Mas que oferece o que de mais importante um livro pode ter para dar, horas de leitura interessante e empolgante, com o entusiasmo de chegar ao fim, e a tristeza de fechar a última página. Um livro escrito para os leitores.

Não vou descrever personagens ou acontecimentos. São tantas personagens. Históricas e de ficção, envolvidas de forma bem pensada para tornar mais próximos os factos históricos, mais reais, fazendo as personagens participar em momentos cruciais de mudança, alterando não só o percurso das suas vidas, mas também das vidas de todos.

“No Limiar da Eternidade” é sem dúvida o meu favorito dos três. Talvez por o passado mais recente aguçar o meu interesse de outra forma, por não ser tão frequentemente palco de livros de ficção histórica, por me lembrar, ainda que observadora infantil, de uma parte do que aconteceu.

Aprendi algumas coisas. Nunca sabendo muito bem se a captar a essência da verdade ou a verdade para o Sr. Follett. Quando se escreve sobre política é-se isento? Quer ser-se isento? Não sei. Cada um sabe no que acredita. A mim convenceu-me.

Aguardei por esta leitura com ansiedade e expectativa e não me senti defraudada, o que é excelente. Foi de encontro ao que desejava, o que não é pouco. Envolvi-me de forma intensa e viciante. Triste sempre que tinha de fechar o livro, e constantemente a pensar na próxima vez que poderia ler uma quantidade decente de páginas de seguida.

Há, quanto a mim, um elemento principal. Não poderei referir-me como personagem, mas é em seu redor que é alimentada uma parte significativa da trama. Ou pelo menos a parte que mais me envolveu. É o Muro. De Berlim. É construído na primeira parte e marca o final do livro. E marca profundamente as vidas que separou. Li o final acompanhada pelas memórias das imagens televisivas da queda do muro. Dos trechos mais emocionantes e reais que li, assim o senti, e uma ou duas lágrimas não mo permitiram esconder.

Nunca ou raramente choro. O livro deve ser bom.

Sinopse

“Enquanto as decisões tomadas nos corredores do poder ameaçam extremar os antagonismos e originar uma guerra nuclear, as cinco famílias de diferentes nacionalidades que têm estado no centro desta trilogia O Século voltam a entrecruzar-se numa inesquecível narrativa de paixões e conflitos durante a Guerra Fria.Quando Rebecca Hoffmann, uma professora que vive na Alemanha de Leste, descobre que anda a ser seguida pela polícia secreta, conclui que toda a sua vida é uma mentira. O seu irmão mais novo, Walli, entretanto, anseia por conseguir transpor o Muro de Berlim e ir para Londres, uma cidade onde uma nova vaga de bandas musicais está a contagiar as novas gerações. Nos Estados Unidos, Georges Jakes, um jovem advogado da administração Kennedy, é um ativo defensor do movimento dos Direitos Civis, tal como a jovem por quem está apaixonado, Maria. Juntos partem de Washington num autocarro em direção ao Sul, numa arriscada viagem de protesto contra a discriminação racial. Na Rússia, a ativista Tania Dvornik escapa milagrosamente à prisão por distribuir um jornal ilegal. Enquanto estas arriscadas ações decorrem, o irmão, Dimka Dvornik, torna-se uma figura em ascensão no seio do Partido Comunista, no Kremlin.Nesta saga empolgante que agora se conclui, Ken Follett conduz-nos, em No Limiar da Eternidade, através de um mundo que pensávamos conhecer, mas que agora nunca mais nos parecerá o mesmo.”

Presença, 2014

Viagem ao Fim do Coração - Ana Casaca

Roda Dos Livros, 04.10.14

viagem ao fim do coraçãoHá livros que nos tocam de uma maneira única. Este é demasiado real ou não fosse inspirado numa história verídica. Talvez por isso, cria uma ligação com o leitor que fica a pensar na personagem e nas suas circunstâncias, mesmo quando não está debruçado sobre as páginas do livro. Mesmo depois de o terminar, não quer ler sobre qualquer outra pessoa.

Neste romance, o que me chamou de imediato a atenção foi quem o escreveu - Ana Casaca. E logo decidi que tinha de o ler, antes de  o virar para ler a sinopse. Depois vacilei na minha determinação. Aprecio a capacidade criativa e a mestria da escrita da autora, ao captar sentimentos e emoções por palavras pungentes e sinceras, lindas e comoventes, mas nesta narrativa isso seria avassalador para mim.

Luísa é uma personagem excecional, inspirada em Rita, uma jovem brilhante que se deslocava para os tratamentos de bicicleta e encarava a sua doença de frente, conversando sem pudor, sobre os seus medos e as suas dúvidas. Sem lamechices e pieguices, este é um romance forte e pragmático, que tem o amor como elo vital entre todas as personagens, que alternadamente tem voz nesta narrativa. O amor filial de Tiago em oposição ao desamor filial de Luísa e Pedro, ou o amor fraternal entre Luísa e Pedro, bem como o profundo e verdadeiro amor entre Tiago e Luísa,

Talento ao contar uma história. E que história! Uma história que não podia perder. Obrigado Cristina.

Sinopse: 

Num romance toda a nossa vida: como a queremos, como às vezes não a queremos.
Luísa ainda era uma adolescente. Tiago já era um jovem adulto. Conheceram-se na solidão de uma pequena praia, na margem de um rio. Tinham em comum uma relação familiar traumática. Num caso, o trauma do amor dos pais. No outro, o trauma do ódio dos pais. Conheceram-se num dia que pareceu conter uma vida inteira. Mas teriam ficado separados para sempre, se a invisível linha de uma doença que rói o corpo e anuncia a morte não os tivesse voltado a ligar, dezasseis anos depois. Luísa e Tiago podem até redescobrir o amor, mas apenas se a silenciosa presença das metástases não se alastrar aos seus corações. 
"Viagem ao Fim do Coração" é mais do que uma comovente história de amor. É a recriação de um admirável mundo de pais e mães, filhos e irmãos, ódios e amores. Revela os pesadelos de um cancro injusto, mas não abdica do que é humano e essencial, o sonho.
 

 

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