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Roda Dos Livros

" A sentinela" de Richard Zimler

Roda Dos Livros, 31.10.13

Novidades Richard Zimler_19-09-2013

Ler “A sentinela” não foi, para mim, nada fácil. Não por falta de interesse da sua história nem por ser um romance de fraco nível literário. Pelo contrário, a narrativa é acutilante e fluida, evidenciando o talento do autor, um hábil artífice de palavras capaz de nos deslumbrar com a beleza da sua escrita. Foi uma leitura, espinhosa pela dureza e pela violência dos temas abordados, que me deixou a alma em carne viva. Ao percorrer este livro senti-me como se tivesse mergulhado nos mais negros e profundos recônditos da natureza humana. No entanto, a angústia deste embate acabou por ser contrabalançada pela força de alguns personagens, nomeadamente dos irmãos Monroe. O seu amor fraternal inabalável, mesmo perante circunstâncias atrozes, funciona na perfeição como contraponto à crueldade extrema e/ou à degradação moral exibida despudoradamente por outros, a começar pelo respectivo pai.

Assim, encaro “A sentinela” como um romance imbuído, também ele, de personalidade dupla; sendo um grito de denúncia sobre várias questões gravíssimas da nossa sociedade, acaba por se tornar também num testemunho da resiliência e da enorme capacidade para amar do ser humano.

Apesar de inquietante, gostei de o ler e não hesito em recomendá-lo.

Sinopse: 6 de julho de 2012. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos.

Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais ao mesmo tempo que tenta deslindar um caso que irá abalar para sempre os muros da sua própria identidade.

A Companhia de Estranhos - Robert Wilson

Roda Dos Livros, 31.10.13

nacompanhiadeestranhosDepois de “Último Acto em Lisboa” segue-se, na opinião dos meus ilustres conselheiros da Roda dos Livros especialistas em Robert Wilson, “A Companhia de Estranhos”. Leitura que iniciei com muito entusiasmo, na medida do arrebatamento provocado por “Último Acto em Lisboa”.

Contudo, “A Companhia de Estranhos” revelou-se um livro mais complexo e denso do que eu esperava, o que me levou a uma luta dolorosa durante mais de metade do livro. A verdade é que ponderei por várias vezes parar, não o fiz por sentir que o livro tinha de ter mais para me dar, e sabendo de antemão que parando dificilmente o retomaria.

Custa-me prosseguir com livros dos quais não retiro o esperado rendimento ou cuja leitura não me entusiasma. Neste caso específico o tema é do meu interesse, Robert Wilson escreve de uma forma que me agrada muito, mas sinceramente acho que o livro não está muito bem conseguido, ou não me teria custado ler tantos trechos até mais de metade do livro. Muitas personagens e muitas histórias entrelaçadas exigem uma atenção que talvez eu não tivesse prestado, o que levou a que muitas vezes perdesse a ligação entre os acontecimentos. Assumo parte da culpa da dificuldade em prosseguir mas ao mesmo tempo penso que alguns diálogos e descrições são demasiado exaustivos.

Um livro pesado, enquadrado historicamente na fase final da II Guerra Mundial, anos do pós-guerra e final do século XX, passado maioritariamente em Lisboa e com grande destaque para a realidade socioeconómica portuguesa desses anos. Mais uma vez a pesquisa de Wilson é exemplar, pelo menos nos temas e acontecimentos que conheço e estou mais à vontade. Confesso que o meu nível de conhecimentos dos anos da Guerra Fria é parco, talvez por isso todas as descrições das operações de espionagem me surjam de certa forma como ficção de cinema de suspense. Gosto, interessa-me, mas não sei avaliar onde acaba a realidade e começa a ficção. Ou se é tudo realidade ou tudo ficção.

A verdade é que a minha persistência foi recompensada. As últimas duzentas páginas foram lidas num dia, avidamente, com o interesse e a determinação que desejava ter sentido desde o início. O amor e os desencontros dão sempre aquele interesse extra mas, se formos explorar os sentimentos humanos, este é um livro sobre a solidão. Sobre um amor que durou uns dias, marcou uma vida inteira de duas pessoas que sempre viveram afastadas na certeza de não se voltarem a encontrar. Andrea, a personagem feminina, ultrapassa várias fases da sua vida na mais perfeita solidão. Rodeada de pessoas é certo, mas perfeitos estranhos, ela vive na companhia de estranhos, pensando saudosamente nos que amou e morreram. Uma vida triste, cheia de mortes e falsidade, Andrea vive várias personagens, várias identidades, a maior parte das vezes duplamente. O retrato fidedigno de uma época em que ninguém é o que parece ser, a desconfiança levada ao expoente máximo, com as maiores surpresas a surgirem na própria família.

Por vezes perturbador e exaustivo. Marcante e inesquecível. Um livro que cumpre o seu propósito.

Sinopse

“Lisboa, 1944. No calor tórrido do Verão, as ruas da capital fervilham de espiões e informadores, enquanto os serviços secretos disputam em silêncio a última partida. Os alemães dominam a tecnologia dos foguetões e a pesquisa atómica. Os aliados estão decididos a impedir que a ameaça da «arma secreta» venha a concretizar-se. Andrea Aspinall, matemática e espia, entra nesse mundo sofisticado pela mão de uma abastada família do Estoril. Karl Voss, adido militar da Legação Alemã, abalado pela implicação no assassinato de um Reichsminister e traumatizado pelo desastre de Estalinegrado, chega a Portugal com a missão de salvar a Alemanha do aniquilamento. Na tranquilidade mortal de um paraíso corrupto, Andrea e Voss encontram-se e tentam viver o seu amor num mundo em que não se pode acreditar em ninguém. Depois de uma noite de terrível violência, Andrea fica na posse de um segredo que vai ligá-la para sempre ao mundo clandestino, do repressivo regime fascista português à paranóia da Guerra Fria na Alemanha. E aí, numa Berlim gelada, descobre que os maiores segredos não estão nas mãos dos governos, mas em mãos muito próximas de si, e é forçada a fazer a derradeira e dilacerante opção.”

D. Quixote, 2009

Instruções Para Mudar o Mundo - Rosa Montero

Roda Dos Livros, 27.10.13

instrucoesparasalvaromundoPor vezes penso que devia parar de ler livros que constantemente me recordam o caos social, a ignorância e pobreza de espírito das pessoas. E devia. É necessário sair desta constante e doentia realidade. Fazer um intervalo, pelo menos nos livros.

“Instruções para mudar o mundo” não muda nada mas denuncia e demonstra. Aquilo que já sabemos é certo, que o ser humano regrediu, se tornou malvado e maquiavélico, “desevoluiu” dos ancestrais primatas. Certamente é mais fácil ser mau do que bom, de outra forma a humanidade seria uma onda perfeita de bondade. Mas a verdade verdadinha é que estamos sós, cada vez mais sós e medrosos, desconfiados e rodeados de conhecidos, mas sem amigos.

São quatro as personagens centrais deste livro. Todas com vidas dolorosas, experiências de tristeza e desilusão. Quando a dor começa e toma conta de tudo é difícil manter a cabeça à tona, então o percurso é descendente, o sofrimento tolda a visão, e uma série de acontecimentos aleatórios coloca Matias, Daniel, Fatma e Cérebro envolvidos em situações bizarras. Daí a perder-se o controlo e a noção da lógica é um pequeno passo numa espiral para o abismo.

Adorei a escrita de Rosa Montero, crua, incisiva e sem “paninhos quentes”. Explora sentimentos de vidas frustradas, dos azares que magoam e marcam novos percursos, a forma quase científica como faz pensar nas coincidências, que realmente fazem parte do nosso dia-a-dia e têm um papel determinante em algumas decisões irreversíveis. Um romance urbano em que em cada página se sente a frieza de uma selva de pedra, a solidão de ter dezenas de vizinhos por todos os lados das casas e sentir que se vive numa caverna isolada.

Um livro cheio de infelicidade e com pouca esperança como cada vez mais achamos que é a vida. Não me deixou feliz e deu-me uma injecção de realidade que me doeu e deixou danos colaterais. A nossa sociedade é podre e doente. O ser humano assim quis.

“A Humanidade divide-se entre aqueles que gostam de se meter na cama à noite e aqueles a quem ir dormir desassossega. Os primeiros consideram que os seus leitos são ninhos protectores, enquanto os segundos sentem qua a nudez do dormitar é um perigo. Para uns o momento de deitar implica a suspensão das preocupações; aos outros, pelo contrário, as trevas provocam um alvoroço de pensamentos daninhos e, se fosse por eles, dormiriam de dia, como os vampiros. Sentiste alguma vez o terror das noites, a angústia dos pesadelos, a escuridão a sussurrar-te na nuca com o seu hálito frio que, embora não saibas o tempo que te resta, não passas de um condenado à morte? E, no entanto, na manhã seguinte a vida volta a explodir com a sua alegre mentira de eternidade.” (Pág. 7)

“Circulou lentamente ao longo da franja fronteiriça do território bárbaro e chegou à passagem subterrânea sob os carris da via férrea, um túnel estreito inconcebivelmente sujo entre cujos detritos de latas esmagadas, cadáveres de ratazanas e indiscerníveis farrapos se podiam encontrar inúmeros documentos pessoais, cartões de piscinas municipais ou de clubes de vídeo, porta-moedas abertos e carteiras de senhora estripadas, uma avalancha de restos descartados por uma legião de ladrões. E aí, justamente à saída do túnel, leu um grafitti que dizia: A vingança far-te-á livre. Ao fundo voltava a ver-se a linha reluzente da cidade, com o seu sonho de luxuosos arranha-céus e o seu pesadelo ameaçador de sujidade e miséria.” (Pág. 45)

“E agora estava encalhado num terreno remoto, sem filhos, sem sucesso profissional, sem verdadeiros amigos, sem amor. A lembrança de Fatma e de Marina cruzou-lhe o pensamento e o corpo doeu-lhe. Porque a tristeza doía fisicamente. Era um mal-estar difuso, oco e surdo, que se sentia nos joelhos, nos cotovelos, na nuca, no esterno. A tristeza era como um ataque de reumatismo, um lento tormento que chegava a parecer insuportável (…) Tinha a sensação de estar a perder o controlo a uma velocidade vertiginosa. De estar a destruir a sua vida cada dia um pouco mais. As articulações voltaram a doer-lhe. Era um sofrimento fantasmagórico, intolerável. Desejava embrutecer-se, anestesiar-se, perder a consciência, esquecer-se de tudo. Dormir eternamente e fugir de si próprio.” (Pág. 174)

Sinopse

“Num cenário de subúrbio, onde a noite reclama o seu território e os fantasmas reivindicam o seu espaço, um taxista viúvo que não consegue superar a perda da mulher, um médico desiludido, uma cientista anciã e uma belíssima prostituta africana sedenta de vida cruzam os seus caminhos, para nos obsequiarem com uma visita guiada ao mundo vertiginoso e convulso que cada um encerra dentro de si.

Mas esta não é uma história de horrores, é antes uma fábula de sobreviventes, de quatro personagens que reúnem todos os elementos necessários para serem considerados uns desgraçados, que se movem nos mundos limítrofes à máfia, ao tráfico de mulheres brancas, e a universos virtuais como Second Life, mas que conseguem encontrar um apoio que lhes permite a remição e a saída das trevas que os mantinham prisioneiros.

Uma intensa e hipnótica história de esperança que deambula entre o humor e a emoção e nos mergulha na sociedade caótica dos nossos dias. Uma história que pode ser a de qualquer um de nós.”

Porto Editora, 2008

O impostor - Damon Galgut

Roda Dos Livros, 26.10.13

oimpostorInquietante pelos pensamentos e sentimentos expressos numa linguagem límpida e objetiva mas polida. Um romance difícil de processar  pelo muito que contêm. Um retrato sobre África do Sul após o apartheid onde a supremacia (atualmente multiracial) dos mais fortes sobre os mais fracos se impõe, abstendo-se conscientemente de valores morais, com preponderância da ganância e corrupção em detrimento da vida e natureza. Adam Napier, desencantado "branco" que se assume nesta fase difícil da sua vida como um potencial poeta, é aparentemente o Impostor desta trama que decorre em Karoo, uma pequena comunidade rural agreste, onde reencontra um antigo colega do colégio interno, Kenneth Canning e a sua estranha bela mulher negra, Baby. Estes personagens mantém uma perturbadora ligação onde prevalece solidão, tédio e ambivalencia.

"Escrever poesia é uma forma diferente de se purgar."

(pag.141)

O desfecho é tão duro e realista como todo o enredo e ambiente desta estória que é a antítese de romance, mas excecional pela escrita. Todas as personagens apresentam fragilidades e misérias.

"Fachadas e rostos públicos; poder oculto nas sombras".  

(pag. 238)

Poder-se à dizer que todos poderão ser os Impostores.Sinopse:Na sociedade do pós-apartheid, Adam perde o emprego e vê-se forçado a deixar Joanesburgo e mudar-se para uma casa abandonada nos limites da cidade. Aí, no meio da savana, entre a depressão e a embriaguez, tenta encontrar na literatura um novo caminho. Mas, afinal, encontra Canning, um homem que diz que Adam lhe salvou a vida nos tempos de escola. Adam não se recorda de Canning mas decide entrar no jogo, seduzido por tudo o que Canning tem: uma grande fortuna herdada do pai e uma bela e enigmática mulher, por quem se sente perigosamente atraído.Na extravagante mansão de Canning e Baby, um local mágico e fantástico, Adam é arrastado para uma estranha relação a três, que o transforma irremediavelmente.Este magnífico romance evoca uma sociedade em permanente mudança pelas forças do dinheiro e do poder, um mundo cruel e claustrofóbico, carregado de dilemas morais, onde o sexo, a morte e a traição formam uma teia em perigo iminente de explosão.

A Sentinela - Richard Zimler

Roda Dos Livros, 20.10.13

Novidades Richard Zimler_19-09-2013Richard Zimler é dos meus autores favoritos. “A Sentinela” é um livro diferente dos seus livros que me são mais queridos. Representa, para mim, uma viragem ou uma mudança. A escrita é mais crua e real e o estilo mais contemporâneo. Sou absolutamente fã dos romances históricos de Zimler. Apesar disso “A Sentinela” preencheu os meus momentos de leitura de uma forma avassaladora, agarrou-me pelo interesse não só no enredo mas também pelas personagens, que são cheias de detalhe, vivem de pormenores, e se enredam constantemente nas estórias dos seus próprios passados.

Intrincado e por vezes complexo, mas ao mesmo tempo linear pela simplicidade que a vida, no fundo revela, acaba por resumir-se ao que é essencial.

Pode chamar-se de policial. Apesar de eu achar que a descoberta do assassino é um aspeto secundário. Será um policial particular. Ou será um policial por que há um crime e a personagem central é um polícia? Questões pouco relevantes pois mais importante do que descobrir o assassino interessa a natureza do crime e a posição dos envolvidos. É como um novelo que se vai desenrolando e transformando em pesadelo; vão-se levantando pontinhas do tapete e só se encontra porcaria. Quanto mais se aprofunda maiores são as ramificações e as ligações a importantes figuras da sociedade e do mundo dos negócios.

Interessante a corajosa é a forma como o autor cita nomes e situações da vergonhosa corrupção do nosso país. Exímia descrição da crise de valores, da ignorância e apatia do povo, da limitação de acção das forças de autoridade. Desilude muito verificar que os criminosos vão escapando impunemente, mas revolta de forma atroz saber que é assim que as coisas se passam na realidade.

Colocar o dedo na ferida e não ter medo não é para todos. Sim, toda a gente fala abertamente dos escândalos políticos, a comunicação social vive disso, mas escrever um livro cuja ação decorre nesse ambiente, cujas vidas das personagens estão envolvidas na nossa particular realidade social de forma tão realista como as nossas vidas neste momento, é corajoso. Senti-me que podia ser uma personagem deste livro. Ou talvez as personagens se pudessem sentir como eu. Muito realista.

Monroe, inspector da Polícia Judiciária, vive num limbo entre a revolta pelo caso que tem em mãos e a revolta pessoal pelo sofrimento que o acompanha desde a infância. Monroe e o irmão mais novo, Ernie, foram maltratados física e psicologicamente pelo pai, cresceram numa solidão de horror que os acompanha até hoje. Monroe desenvolveu um transtorno de identidade dissociativa, do qual eu nada sabia e me fascinou muito aprender. Muito inteligente a forma como o autor nos vai permitindo construir este conceito através da atuação de Monroe, que ora assume uma postura de homem de família, bom colega e bom profissional, para subitamente acordar o seu lado mais revoltado e cruel.

Por vezes duro de ler, pela impotência perante descrições atrozes, Zimler vai combinando a dor com cenas mais calmas de puro amor familiar e filial. Em oposição à sua infância doentia Monroe tem uma família unida e que se ama. Tanto é o amor que se espalha nesta família que por vezes me chegou a enjoar, considero que alguns limites foram ultrapassados, ou pelo menos eu não senti a necessidade de aligeirar os temas pesados sobre os quais gosto mesmo muito de ler.

Mas, e apelando ao meu lado “mini-sentimental”, gostei muito do pequenino Jorge, o filho de Monroe, por ser diferente e engraçado, e talvez avançado para os seus sete anos. A visão de uma criança perante a realidade é por vezes francamente revigorante.

Várias vezes citado um dos meus poemas preferidos de Neruda, mais um ponto a favor de um livro que já estava entre os melhores.

Recomendo sem reservas.

“Será que todos levamos a vida que levamos porque temos de saber porque razão as coisas aconteceram da forma que aconteceram, e se elas poderiam ter-se combinado de um modo diferente para produzir algo mais terno e significativo e permanente?” (Pág.65)

“- Portugal… - disse ele, abrindo os braços como se para abraçar o país inteiro – é o país onde as regras não passam de sugestões!” (Pág. 375)

Sinopse

“Até que ponto um único assassinato pode iluminar a crise moral em que se encontra o país?

6 de julho de 2012. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos.Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais ao mesmo tempo que tenta deslindar um caso que irá abalar para sempre os muros da sua própria identidade.”

Porto Editora, 2013

A minha pequena livraria

Roda Dos Livros, 20.10.13

aminhapequenalivraria (1)

Quando vi este livro, não consegui resistir a comprá-lo. Uma daquelas tentações inexplicáveis e consumista. E apressei-me a lê-lo. Mas, apesar da escrita fluída, coloquial e bem disposta não me prendeu ... inicialmente! Era um relato verídico de um casal de bibliófilos que realizou um sonho antigo de ter uma livraria de livros usados e as dificuldades ao instalarem-se numa pequena comunidade, pelo qual se apaixonaram, mas que os considerava forasteiros. Muitos aspetos do negócio ocuparam várias páginas.
Mas percebi entretanto que é realmente como apresenta a folha de rosto - Uma história sobre a amizade, o espírito de comunidade e o invulgar prazer de um bom livro.
Uma pequena preciosidade à medida que foi sendo lido. Tem todos aqueles pormenores que me cativam. Os sentidos reagiram primeiro ao cheiro, toque e visão de letras bem distribuídas com as dimensões adequadas. Depois, a mente e o espírito captaram o resto do muito que este livro transmite a quem aprecia livros.
"Os escritores intemporais perduram porque (...) "Os melhores momentos de leitura ocorrem quando nos deparamos com alguma coisa - um pensamento, um sentimento, uma forma de ver as coisas -que achamos especial, que nos diz algo. E ali está ela, escrita por outra pessoa, alguém que nunca conhecemos, talvez até à muito falecida. E é como se esse alguém nos tivesse estendido a mão." (...) "É uma lindíssima relação recíproca. É história. É poesia.""
(pags. 240/1)
Tales of the Lonesome Pine Used Books, na pequena cidade de Big Stone Gap, na Virginia é certamente um lugar mágico. A concretização de um sonho. Abrangente a muitos bibliógrafos. A Wendy e Jack deu-lhes um sentimento de pertença numa comunidade que lhes granjeou amigos e diversão. E muito trabalho. Essa experiência e os seus gostos são aqui partilhados connosco.
"Quando se vende um livro a uma pessoa, não se vende apenas trezentos e cinquenta gramas de papel, tinta e cola - vende-se uma vida nova.  Amor e amizade e humor e navios no mar à noite - um livro, um livro à séria, contêm todo o céu e a terra."
Sinopse:Wendy e Jack sempre sonharam ter uma livraria, por isso, quando trocaram os exigentes empregos por uma vida mais simples numa cidade mineira no interior dos Estados Unidos, aproveitaram uma inesperada oportunidade de perseguir esse sonho. E conseguiram. Contra todas as probabilidades, mas com muita determinação, otimismo, perseverança e um amor incondicional pelos livros, mais do que estabelecer um negócio, o casal consegue criar uma comunidade em torno da sua livraria.

Jesus Cristo Bebia Cerveja - Afonso Cruz

Roda Dos Livros, 20.10.13

01O que acontece quando uma mente analítica e dotada de uma sensibilidade fora do comum se encontra perante a esmagadora paisagem alentejana? Filosofia. Ao contrário do que possa parecer a quem ler a sinopse, este livro não é um romance. É um tratado filosófico. Não da filosofia asséptica que poderia ser escrita num gabinete envidraçado de uma torre de escritórios, numa de tantas cidades iguais umas às outras, mas de filosofia com os pés sujos de lama, a cheirar a ovelhas e com os olhos a arder do fumo da lareira e de tanto se perderem no horizonte infinito.

Aqui, todas as personagens são filósofos, excepto aquelas que pretendem sê-lo. As únicas ocasiões em que não se encontra aqui filosofia são aquelas em que alguns pseudo-intelectuais se reúnem (relutantemente, é certo) com o intuito expresso de verterem a sua sabedoria sobre uma inglesa rica que pretende, assim, obter uma mente tão recheada como a bolsa. Em vão, claro. A verdadeira análise da crueldade da vida, da inexorabilidade do tempo, da natureza dos sentimentos, das leis de funcionamento do universo, é feita através das observações prosaicas de quem não pensa antes de falar, e às vezes nem sequer fala: apenas sente.

Talvez por isso a linha narrativa é tão simples e descomplexada. A história de uma neta que cuida carinhosamente de uma avó senil e transforma uma vila alentejana na Terra Santa para que a avó não morra sem pensar que lá foi é tão ingénua como as personagens que, quando menos esperamos, nos brindam com tiradas de fazer perder o fôlego. Aliás, a dada altura tive a sensação que estava a ler um livro escrito sob a forma de tópicos: são tantos os temas complexos abordados que, para os explorar, seria necessário um livro para cada um. Mas o autor opta, em vez disso, por oferecer-nos, pela mão das personagens, algumas frases provocadoras sobre cada assunto, deixando-nos a opção de simplesmente apreciarmos a beleza dessas frases e passarmos à página seguinte ou pararmos a leitura e continuarmos, por nossa conta e risco, a tecer a teia apenas iniciada. Em qualquer dos casos, esta leitura será uma experiência única.

Não vale a pena pegar neste livro com  dogmas inatacáveis seja sobre o que for. O autor nem se dá ao trabalho de os contrariar. Simplesmente, ignora-os. Expõe o que tem a expor, partindo do princípio de que o leitor terá suficiente maturidade para perceber que não há tabus inquestionáveis. Seja a convicção de que uma adolescente precisará de um motivo válido para entregar o seu corpo a um homem ou a de que uma homilia não pode conter palavrões. Se o leitor não tiver estrutura para aguentar o embate, pior para ele. Não encontrará a mais pequena tentativa de justificação nem de desculpabilização pela quebra de convenções praticada a cada página. Aqui só se justifica o que realmente importa, e nessa categoria não se inclui a colisão com susceptibilidades exacerbadas. As explicações guardam-se para a estrutura dos raciocínios, para clarificar a construção das ideias que são o verdadeiro cerne deste livro. Como a de que, realmente, Jesus Cristo só podia beber cerveja. Por motivos de uma lógica imbatível.

Excertos:

"- Ridículo - diz o professor Borja. - Isso do budismo não passa de uma superstição transmitida por um sujeito obeso de pernas cruzadas. O problema do Eu é medíocre. Fica bem a príncipes indianos com grandes lóbulos das orelhas, mas falta-lhes ciência. Vocês, pessoas de budismos e teosofias, interrogam-se sobre o que é o Eu. Fazem isso constantemente. Comprem uma televisão e vejam telenovelas, divirtam-se com qualquer outra coisa fútil, porque isso de andar a tentar compreender o Eu é uma palermice. E essa coisa incrível que pregam, o tal Eu superior, o que é realmente? Uma pessoa como a senhora não tem um Eu superior, tem, quando muito, um Eu com a mania que é superior." (pág. 61).

"A natureza abomina o vazio, ou dito numa língua morta: natura abhorret vacuum. Mas que ele existe, existe. Parece que o Nada, a existir, deixa de ser Nada para ser alguma coisa. A natureza não gosta de espaços vazios e preenche-os como um burocrata preenche requerimentos. Não deixa buracos em lado nenhum. Mesmo os lugares mais rarefeitos, como o espaço sideral e a estupidez humana, são preenchidos por alguma coisa: luz, metais leves, preconceitos, partículas e subpartículas dos átomos, radiações, chavões e telenovelas. A natureza enche chouriços, não há espaço vazio nas suas tripas. Um homem olha à sua volta e não encontra nada que não esteja já ocupado. Assim pensam os homens com a razão e a lógica que se passeia nos interstícios dos seus cérebros cinzentos, nessas dobras confusas que se assemelham a um intestino redondo ou a uma noz. Mas os homens que pensam com os sentimentos, têm outra lógica a nadar-lhes nas veias e artérias. Esses acreditam no vazio porque o vêem a toda a hora dentro de si." (págs. 137 e 138).

"- Dantes havia o Jacinto, que ressuscitava os mortos. E o Ruivo, que perdeu tudo a jogar à lerpa. Agora é só engenheiros. Dantes, se não conseguias matar um sapo, ele escondia-se debaixo da tua cama e assim definhavas e morrias. Agora são espécies não sei quê e não se lhes pode tocar. O tabaco enrijecia o peito e dava-nos voz para lutarmos aos berros. Foi-se tudo, não foi? Gritávamos o nome de Deus enquanto sangrávamos do nariz e dos lábios e éramos mesmo Deus, não éramos? Ainda há dez anos era tudo diferente. Lembras-te do Luís da barba de bode? Era teso como o Inverno e quando se irritava não ia votar noutro partido, como se faz agora. Partia era a cara do patrão e depois ia às putas. Tenho saudades do tempo em que as bengalas não serviam só para apoiar a velhice, mas para desancar os canalhas. Agora plantam-nos os campos de oliveiras espanholas regadas gota a gota, como as mulheres finas. Dantes era sequeiro. Dizem-nos para poupar no banho e depois regam as oliveiras, que nunca foram regadas desde que Deus criou o mundo. Nós não nos podemos molhar, mas as putas das árvores podem encharcar-se como peixes. E depois temperamos os tomates com aquele azeite aguado, que é o que aquelas oliveiras dão, de tanta água que bebem. Dizem que é a competitividade. Mas um gajo quer competir em quantidade ou em qualidade? Eles que produzam mundos aguados que nós ficamos com os frutos a saber a suor e a sangue e a terra. Que se fodam todos, mais o tempo, mais o século. Lembras-te do António Samarra? Morreu com uma braçada de um eucalipto na cabeça. Hoje serram os plátanos todos os anos, não é? Têm medo das árvores, têm medo que cresçam. São bichos perigosos, as árvores. Nem se mexem, mas são perigosos. Que mundo! São as alergias dos plátanos, são os ramos dos plátanos. Acabem com a natureza que isto só nos faz é mal. É só ervas e bichos selvagens, letais como as cobras e as árvores. Os meus avós, os meus pais, a minha mulher, eu e os meus filhos comemos debaixo de um plátano gigante, brincámos debaixo de um plátano gigante, rimos debaixo de um plátano gigante... Se nos cair um tronco em cima, se nos matar a todos, é melhor do que a puta de um cancro. Foram gerações inteiras a usufruir da felicidade de estar debaixo de uma árvore. Sabes o que isso quer dizer? Que vivíamos, que gostávamos do que fazíamos, que sangrávamos dos tomates e das costas e dos ossos, que chorávamos e ríamos sem precisar de uma telenovela ou de um comediante na televisão. Era assim que vivíamos. Debaixo das árvores." (págs. 201, 202 e 203).

Alfaguara, 2012

Índice Médio de Felicidade - David Machado

Roda Dos Livros, 19.10.13

Índice Médio de FelicidadeExperimento emoções contraditórias em relação a este livro. Uma leitura que não me realizou a 100%. Escrito na primeira pessoa, lemos a voz de Daniel, um idealista optimista com uma tremenda fé no futuro.

Daniel começa por me irritar. A sua fixação no sucesso não é real, tanta vontade de vencer e certeza de concretizar objectivos passa a teimosia oca quando tudo vai desabando à sua volta. Perde o emprego, perde a casa, separa-se da família, e continua plenamente confiante no sucesso que escreveu num caderno há muitos anos. Credível é ter sonhos, verosímil é ser determinado, inteligente é encontrar um plano alternativo.

Mais um livro sobre a crise, sobre a injustiça e o desemprego, sobre uma juventude capaz e competente que perde emprego qualificado e acha uma sorte conseguir trabalhar a fazer entregas. Daniel é salvo pela determinação e pela sorte, assim pensa ele, mas a sorte é aleatória, não depende da determinação. A sua revolta é demonstrada pelo uso abusivo de palavrões, que achei excessivo e me desagradou; haveria outras formas de expressar a angústia da personagem.

Daniel é “Amanhã o sol volta a nascer” levado ao extremo. É convicto que tudo pode resultar e que os seus intentos serão concretizados. Pode o sonho justificar essa tenacidade? Esse investimento na incerteza? A fé cega?

Foi esta dualidade que me manteve nesta leitura. Tentei gerir o conflito que senti pelas atitudes irracionais de Daniel, com a luz do sonho que o orienta. A utopia de que há reviravoltas, que a sorte, o destino ou o que seja cumpre a sua função de colocar de novo a vida sobre carris.

Um livro que não me convenceu verdadeiramente mas que vale pelo conflito em que me colocou e pela discussão que pode iniciar. Composto de contrastes. Não se consegue ficar indiferente.

Uma leitura que leva a uma reflexão sobre a felicidade e que, provavelmente, me fez incluir mais variáveis nos meus cálculos pessoais. Na certeza de que o meu índice médio de felicidade não é o mesmo na primeira e na última página.

“Foi isso, essa falta de futuro, que me assustou. Como é que ele consegue não pensar no futuro? Como é que amanhã, ou no mês que vem, ou daqui a dez anos não lhe pesa no espírito? Como é que uma pessoa pode acordar todas as manhãs e não sentir qualquer esperança ou receio daquilo que está para acontecer? Eu não sabia falar com uma pessoa assim.” (Pág. 17)

“Não tive medo. Lembro-me disso. Repara, eu tinha o futuro escrito num caderno, li-o dezenas de vezes, estudei-o, pensei-o, as palavras assumiram uma solidez dentro de mim, quase um instinto, a minha certeza em relação àquilo que estava para acontecer era inabalável.” (Pág. 49)

“O que é que estás a ler?

É um romance.

E os jornais?

Já não leio jornais. Já não leio nada que seja real.

Porquê?

Já sei como acaba.

Como é que acaba?

Não acaba bem.” (Pág. 157)

“Havia tanta coisa para fazer, tantos lugares onde estar, tanta vontade para consolar, mas andamos a gastar os dias uns dos outros, por não sabemos tomar conta de nós próprios, não sabemos fazer o que é exigido de nós e continuar em frente quando nos perdemos no caminho que seguíamos, e então contamos que alguém apareça, que nos dê a mão, ou o braço, ou a vida. Eu não que ajudar ninguém e também não quero ser ajudado.” (Pág. 213)

Sinopse

“Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil - e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a prestação da casa; a mulher, também desempregada, foi-se embora com os filhos à procura de melhores oportunidades; os seus dois melhores amigos encontram-se ausentes: um, Xavier, está trancado em casa há doze anos, obcecado com as estatísticas e profundamente deprimido com o facto de o site que criaram para as pessoas se entreajudarem se ter revelado um completo fracasso; o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de remendar a vida. Quando pensa nos seus filhos e no filho de Almodôvar, Daniel procura perceber que tipo de esperança resta às gerações que se lhe seguem. E não quer desistir. Apesar dos escombros em que se transformou a sua vida, a sua vontade de refazer tudo parece inabalável. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido.Índice Médio de Felicidade é um romance admirável e extremamente actual sobre um optimista que luta até ao fim pela sua vida e pela felicidade daqueles que ama. Dramático e realista, mas com momentos hilariantes, confirma o talento de David Machado como um dos melhores ficcionistas da sua geração.”

D. Quixote, 2013

A Travessia

Roda Dos Livros, 17.10.13

atravessia

Não li o anterior romance deste autor, "A Cabana", porque me pareceu muito sentimental e banalizado. Contudo, este novo romance despertou-me alguma curiosidade. Pretendia conhecer o género que tantos apreciaram e comentaram e sem termo de comparação ou expetativas elevadas, arrisquei.

O título e a sinopse deixam antever do que se trata. Uma narrativa ficcional de um homem depois de uma vida desgarrada e solitária, até paranóica, que após uma partida do destino faz uma jornada espiritual e religiosa extraordinária. Depara-se com algumas personagens peculiares com a aparência que a imaginação de (Antony) Tony cria nos momentos em que se cruzam no devastado ermo que fora a sua vida, e outras menos peculiares e mais plausíveis como Molly, Cabby, Clarence e Maaggie no mundo real que ele via através das janelas da alma (olhos) de qualquer um deles e com quem conseguia comunicar.

Narrativa inicialmente amarga e desagradável,  que provoca aversão por uma personagem tão odiosa e egocêntrica. Subitamente muda drasticamente e Tony é uma nova personagem que não reconheço. Apesar de a apreciar e esta me divertir com diálogos bem humorados, a travessia espiritual revelou uma personagem demasiado distinta  desde a transição.

Nada de muito surpreendente ou emocional e por isso, não foi uma leitura tão satisfatória como gostaria.  Fluída e acessível e talvez daí a fácil promoção. Contudo, as mensagens que transmite são louváveis e a ter em consideração.

Sinopse:

Anthony Spencer é um empresário de sucesso, um homem orgulhoso e egocêntrico que não olha a meios para conseguir os seus objetivos. Um dia, o destino prega-lhe uma partida: um AVC deixa-o nos cuidados intensivos, em estado de coma.

Entre a vida e a morte, Anthony vê-se num mundo que espelha a dor e a tristeza que tem dentro de si.

Confuso, sem compreender exatamente onde está e como foi ali parar, viaja pela sua consciência para compreender quem realmente é e descobrir tudo o que tem perdido ao longo da vida: a esperança, a amizade genuína e o amor verdadeiro, sentimentos que há muito o seu coração deixara de sentir.Em busca de uma segunda oportunidade, Anthony fará uma jornada de redenção e encontro com o seu verdadeiro ser.

Roda dos Livros Sugestões de Leitura - Outubro 2013

Roda Dos Livros, 16.10.13

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Mais uma tarde com os amigos a falar de livros. Sugestões deste mês:

Sara: Nada, de Carmen Laforet;

Vera: A Livraria Noite e Dia do Senhor Penumbra, de Robin Sloan;

Fernanda: Morte na Aldeia, de Caroline Graham;

Jorge: O Físico, de Noah Gordon;

Paula: À Espera no Centeio , de J. D. Salinger;

Márcia: A História de uma Serva, de Margaret Atwood;

Renata: A Caixa Negra, de Amos Oz;

Sónia: Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz;

Isabel: Em Nome da Terra, de Virgílio Ferreira;

Patrícia: Confundir a Cidade com o Mar, de Richard Zimler;

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